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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

DE PERDA, DE DOR, SAUDADE



Passei muito tempo da vida, quando perdi um grande amor, acreditando que talvez estivesse preparada para perdê-lo pra morte, mas nunca para a vida... mentira... a gente nunca se prepara para a perda, nem para a vida, nem para a morte.

Com todas as minhas crenças e convicções, nada me prepara para a despedida de alguém a quem amo. Sim, tudo bem, eu creio em reencarnação, em que existe uma Lei Maior a reger tudo e todos, que não existe acaso... mas a despedida ainda me atinge qual ferro em brasas e queima, arde, dói.

As lágrimas da despedida - seja de um amor, de um amigo, de pai, de mãe, de filho - em qualquer circunstância, são mais salgadas, deixam um rasgo na pele qual ácido que escorre.

Toda despedida traz em si um nunca mais que não conhecemos...

Se deixamos o filho em outra cidade, cada despedida é marcada pelas lágrimas da incerteza de se haverá outra vez, se nos encontraremos de novo, quando poderemos abraçar novamente nossa cria.

Se perdemos um amor - porque amor tem dessas coisas de só acabar de um lado - a despedida é marcada pelo nunca mais e nunca mais é tempo demais quando se ama demais...

Se enterramos mãe, pai, afilhado, amigos queridos, bate o medo de não termos como nos encontrar novamente, seja em outro plano, em outra vida, pois cada um segue seu rumo e o tempo não pára, em nenhum plano, em nenhuma vida.

Hoje, obrigada que sou a me despedir de uma amiga querida que foi trabalhar do outro lado, a dor mais uma vez vem bater à minha porta me impelindo a verter lágrimas ácidas de saudade.


Parta em paz, Ieda Brasileiro, e prepare o caminho para nós! 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

VIDA APÓS O NASCIMENTO?




Infelizmente, recebi sem autoria (se alguém souber, favor me informar), mas a metáfora é tão boa, que vale a pena repassar.


VIDA APÓS O NASCIMENTO?


No ventre de uma mulher grávida estavam duas criaturas conversando quando uma perguntou à outra:
Você acredita em vida após o nascimento?
A resposta foi imediata:
Certamente. Algo tem que haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
Bobagem, não há vida após o nascimento! Como seria essa vida?
Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical é o que nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: a vida após o nascimento é uma hipótese definitivamente excluída o cordão umbilical é muito curto.
Na verdade, creio que certamente haverá algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
Mas ninguém veio de lá, ninguém voltou depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. Vida que, no fim das contas, é nada mais do que uma angústia prolongada nesta absoluta escuridão.
Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas, com certeza, veremos mamãe e ela cuidará de nós.
Mamãe? Você acredita em mamãe? E onde ela supostamente estaria?
Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
Eu não acredito! Eu nunca vi mamãe alguma, o que comprova que mamãe não existe.
Bem, mas, às vezes, quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente como ela afaga nosso mundo. Sabe? Eu penso, então, que a vida real só nos espera e que, agora, apenas estamos nos preparando para ela.…
(Anônimo)


Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual...
Somos seres espirituais passando por uma experiência humana...
(Theilard Chardin)

quinta-feira, 24 de março de 2011

ABRAM ALAS!!!



Como a maioria de vocês têm conhecimento, passei por maus pedaços nos últimos dois anos. No entanto, esse espaço, a presença dos amigos, foram fundamentais para que eu não desistisse, que insistisse em ser maior que a enfermidade que me acometeu e cujas sequelas carregarei "ad infinitum". Havia dias em que eu necessitava tomar 16, isso mesmo, dezesseis comprimidos.
Diante do inevitável, tomei algumas decisões que compartilharei com vocês.

- Seguindo minha intuição e diante das dores persistentes, apesar da quantidade de medicamentos, decidi ir diminuindo as doses para ver se piorava. Afe!!! Não piorou, continuou a mesma coisa, daí diminui a maior parte até parar definitivamente, mesmo porque meu estômago já não aguentava mais. Daí, hoje, tomo apenas 5 comprimidos. (Não pensem que sou louca de pedra, quando cheguei aos 5 conversei com meu médico que me apoiou!)

- Se a dor vai me acompanhar por um tempo que nenhum de nós sabe qual e se vai doer estando eu na minha casa ou em Paris, prefiro, mil vezes, sentir dor em Paris.

- A dor é meu limite, mas não é mais minha comandante! Explico: antes eu deixava de fazer uma série de coisas por precaução para que a danada não chegasse. Agora não deixo de fazer nada, só que quando ela chega eu me recolho! Não ia a uma festa achando que a dor não me deixaria apreciar, agora eu vou, aproveito, e quando fica insuportável, volto para casa. Todos compreendem e eu voltei a me divertir.

- Minha vida esteve por suspenso durante dois anos. Tomei-a de volta!

- A coisa que mais gosto na vida é viajar. Não viajava mais por causa da dita cuja. Decidi por à prova!

Gente: EU VIAJEI!!!!!

Tudo bem que foram só seis dias. Mas eu e meu esposo fomos conhecer Manaus!
E foi ótimo!
É claro que não abusei, que precisei tomar alguns analgésicos (tá bom, muitos), mas eu fui!
Ganhei mais uma batalha nesta vida!
Nos próximos dias começo a postar sobre a viagem.
Obrigada, de coração, a todos que passaram por aqui, que não desistiram de mim, que me deram (e dão) forças para continuar lutando. Vocês estão num espaço muito especial do meu coração!
Saibam que a Dona Morte pode até pensar em me levar, mas vou dar um trabalhão, acho que já provei!

segunda-feira, 14 de março de 2011

NUNCA FUI MOVIDA A MEDOS


Sozinha na varanda do "meu cantinho", apreciando as nuvens transformando-se em chuva, lembrei-me das tempestades da minha vida.
Tempestades no sentido literal.
Relâmpagos, trovões, enchentes.
Uma vez, na escola, começou uma chuva torrencial e a maioria das crianças procurou abrigar-se próxima à professora, que à época era chamada de "Dona" e não "Tia" como hoje.
Permaneci sentada, quieta no meu canto.
Quando indagada se não tinha medo, respondi que não. Naquela tenra idade não tinha medo de nada que conhecesse. Se me diziam para não ir a determinado lugar porque tinha bicho-papão, aí é que eu queria ir mesmo, para conhecê-lo. Portanto, também não tinha medo do que ainda não conhecia.
Mas um dia a chuva trouxe a enchente até a casa que habitávamos, à beira do rio, e com ela vieram as cobras. Aí conheci o medo. Talvez incutido pelos meus pais que temiam pela minha integridade diante da minha "petulância" de tudo querer ver, conhecer, tocar. Eu poderia me ferir seriamente por não temer nada e acreditar que as cobras eram inofensivas.
Depois disso não lembro de nada mais que tenha me trazido o sentimento de medo.
É certo que cobra não olho nem na TV.
Mas tirando cobra, não temo nada vivo, muito menos morto.
Sempre destemida, segui adiante. Enfrentando minhas batalhas, angústias, doenças, perdas, incertezas.
Mas medo, medo mesmo, de paralisar os movimentos, não me lembro de ter sentido por mais nada.
Mas dia desses, lendo o jornal, deparei-me com a notícia sobre uma mãe que havia jogado o filho no rio.
Senti um gosto amargo, um tanto esquecido, gosto de medo.
Hoje tenho mais um: medo da dureza do coração dos homens.


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

HANAMI - CEREJEIRAS EM FLOR


A VIDA E AS FLORES SÃO EFÊMERAS


Para Alê Marques, Camila e Daniela Sanches,

Para falar sobre esse filme tenho que voltar no tempo...

Ao me aposentar, já com filhos criados, resolvi prestar vestibular para jornalismo. Não havia dinheiro para faculdades particulares, este estava destinado aos filhos, caso necessitassem. Fui, sem esperança, para a Federal. Passei!

No primeiro dia de aula me apresentei vestida de tailleur, bem maquiada, salto oito, cabelo preso em coque. Deparei-me com 39 adolescentes, jeans, camiseta, bermudas, shorts, profusão de pernas, vozes, energia.

Aos poucos fomo-nos conhecendo. Acho que eu os amei primeiro.

Eu procurava ensinar-lhes da vida, ser a confidente, o colo.

Eles me alimentavam de juventude, ensinaram-me a usar jeans, camiseta e tênis. Rejuvenesceram-me.

Ganhei mais de uma dúzia de filhos espirituais.

Ora filhos, ora irmãos, sobrinhos, pais... e essa troca, quase quinze anos depois, persiste.

Foi Alê Marques (uma filha/mãe/irmã/amiga de faculdade) quem postou no Facebbook a frase “O paraíso é onde a felicidade está”. Vieram os comentários da Camila, da Dani e o desejo de assistir ao filme Hanami – Cerejeiras em Flor. Fui ontem! Valeu cada minuto, cada reflexão, cada emoção.

O filme conta a história de um casal sessentão de alemães, o que poderia levar-nos a esperar algo um tanto enérgico e frio.

Apenas Trudi sabe que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal e ela precisa decidir se vai contar a ele ou não. O médico sugere que eles façam algo juntos, como realizar um velho sonho. Trudi decide não contar ao marido sobre a gravidade de sua doença e aceita o conselho do médico.

Ele, metódico, é convencido a visitar os filhos em Berlim. Lá descobrem que não mais conhecem os filhos. Descobrem, também, que os filhos os consideram um estorvo.

Decidem ir rever o mar... É nessa segunda viagem que Rudi aceita fazer com a esposa, que ela morre repentinamente. Rudi fica devastado e perdido. Através do contato com a amiga de sua filha, Rudi compreende que o amor de Trudi por ele havia feito com que ela deixasse de lado a vida que queria viver. Ele começa a vê-la com outros olhos e promete compensar sua vida perdida embarcando em uma última jornada, para o Japão, na época do festival das cerejeiras, uma celebração da beleza, da impermanência e de um novo começo.

É um aviso sobre a efemeridade das moscas, cerejeiras e vidas.

E o paraíso? Ainda acredito que está dentro de nós, na forma de sonhos. Pode ser a Acrópole, Macchu Picchu, Pirâmides ou um beijo apaixonado numa noite de luar.

Só não podemos adiar sua realização.

As cerejeiras duram poucos dias!

Ficha Técnica:

Hanami – Cerejeiras em Flor (KIRSCHBLÜTEN – HANAMI) - 2008 – Alemanha

diretor: Doris Dörrie

roteiro: Doris Dörrie

fotografia: Hanno Lentz

montagem: Inez Regnier, Frank Müller

música: Claus Bantzer

elenco: Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Nadja Uhl, Maximilian Brückner, Birgit Minichmayr

produtor: Molly von Fürstenberg, Harald Kügler

produtora: Olga Film GmbH

domingo, 4 de julho de 2010

É DIFÍCIL DIZER ADEUS


A morte é a curva da estrada,

Morrer é só não ser visto.

Se escuto, eu te oiço a passada

Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.

A mentira não tem ninho.

Nunca ninguém se perdeu.

Tudo é verdade e caminho.

(Fernando Pessoa)


Ao meu amigo Magno Alexandre de Matos, que nos deixou aos 49 anos, inesperadamente, na praia, jogando voley.

Não há fé, crença, religião que nos prepare para esse adeus súbito...

Ninguém me ensinou como faz para tampar esse rombo que está no meu coração.