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segunda-feira, 25 de março de 2013

SÚPLICA

Antes de iniciar meu relato gostaria de postar um poema feito no hospital.
Em homenagem ao Dr. Walker Penedo Monteiro, anjo que Deus colocou no meu caminho




Esta mulher refletida no seu olhar límpido,
Sabe, Doutor? Com a face encovada,
Palidez constante, olhar embaçado,
Necessita tanto do seu cuidado.
Necessita nutrição, antibióticos, analgésicos,
Proteína, sódio, potássio,
Alguém que lhe pense as feridas,
Alivie suas dores,
Console seus temores.
Mas – sabe, Doutor? – essa mulher não sou eu.
Embora faça parte de mim.
Por isso lhe peço,
Não deixe de atentar à outra,
Àquela que se encontra oculta
Por trás de dores, suturas, doença.
Essa, Doutor, também necessita ser cuidada,
Muito bem amparada,
Nutrida de doses de carinho e atenção,
Frascos de sonhos,
Cápsulas de esperança,
Um leve toque de mão.
Porque é essa, Doutor, a que sonha,
Que não permite que a outra, a que sofre,
Desista.

quarta-feira, 20 de março de 2013

EU CONTRA O MONSTRO



O Dr. Dráuzio Varela diz que se não quisermos adoecer precisamos falar dos nossos sentimentos.
Não deu certo comigo, pois embora eu seja generosa na hora de dividir meus sentimentos com meus amigos, mesmo assim, vira e mexe, aparece alguma doença.
São as provas pelas quais preciso passar, só espero que esteja tirando boas notas!
Como eu sempre uso a escrita para exorcizar minhas dores, preocupações, alegrias, vitórias, etc. resolvi contar sobre a minha última prova: o Câncer! (Assim mesmo, com letra maiúscula, pois é prova de doutorado).
Quero, além de colocar para fora meus sentimentos, refletir sobre minhas reações e ações, do meu enfrentamento, mas também ajudar, com o meu relato, a outras pessoas que estejam passando pelo mesmo problema ou alertá-las para que não passem.
Portanto, se estou aqui escrevendo é sinal que estou ganhando essa batalha!
Voltarei em breve!
Com muita alegria, “tá” amiga Vanuza?

(O motivo da foto dos meus cabelos compridos vocês entenderão mais a frente)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

REMIX SÉCULO XXI


“Armar um tabuleiro de palavras-souvenirs.
Apanhe e leve algumas palavras como souvenirs.
Faça você mesmo seu microtabuleiro enquanto jogo linguístico.” *

Methicorten
Solumedrol
Tramadol
Omeprazol

Metotrexate
Ácido fólico
Cálcio
Potássio

Linhaça
Fan
Imuran
Clonazepam

Codex
Insulina
Azatioprina
Hidroxicloroquina

Cymbalta
Glicose
Gabapentina
Pregabalina

Schirmer
Cintilografia
Ultrassonografia
Tomografia

Liquor
Densitometria
Eletroneuromiografia
Colonoscopia

Biópsia
Ressonância
Endoscopia
Sialometria

Ecocardiograma
Fisioterapia
Neuropatia
Fibromialgia
Mielite
Flebite
Vasculite, ite, ite...

Cada dia um tormento
Se não morro da doença,
Morro do tratamento!

(Adriana Calcanhoto – Remix Séc. XX)


sexta-feira, 18 de junho de 2010

DE TUDO E NADA


Os que me acompanham mais de perto sabem que os últimos tempos têem sido um tanto difíceis, não só para mim, mas para meus familiares e amigos.

Como sou uma pessoa que crê que acima de nós existe um ser superior, dêem a Ele o nome que queiram, acho que não pode ser em vão que eu esteja passando por esses “maus bocados”. Para tudo e em tudo existe um propósito, embora, às vezes, seja difícil descobrir o que está por trás do “Véu de Maya”(*). Tenho buscado, na medida do possível, descobrir os motivos ocultos que me levam a essa provação – dores, imobilidade, perda sensorial, etc.

Parêntesis: Agora já tenho diagnóstico, e não apenas um... Síndrome de Sjögren, agravada por Fibromialgia e Neuropatia Periférica por Vasculite... Não! Ainda não assimilei tudo!

Esta última internação (estou virando a queridinha do hospital!, se não fosse por doença, o corpo de enfermagem só falta dizer: - D. Kátia, que alegria ver a senhora!) me levou a amadurecer muitas ideias.

Mas meus sentimentos estão um tanto confusos. Portanto, só passei para dizer que estou de volta...

Um beijo pra lá de especial a todos.

(*) nome dado pelos Hindus para a nossa realidade, que é apenas uma distração sensorial, uma teia de aranha, que ao mesmo tempo em que esconde, revela. Os médiuns videntes conseguem notar algo além do véu, mas nem sempre claramente, como uma pessoa que tenta olhar o mundo através de óculos embaçados.



quarta-feira, 12 de maio de 2010

ORAÇÃO



Sabe, ando passando por momentos difíceis:
São dores que não dão trégua,
Esquecimentos, dependência, alheamentos
Lágrimas e lamentos.
Sabe, ando tão perdida
Que acabei me perdendo de mim mesma.
Aquela que fui, foi-se embora sem deixar endereço,
Essa que sou, não reconheço.
Sabe, o Senhor me ouve?
É que busco na memória as "rezas" da infância
Mas também não sei onde foram parar,
Triste, constato: acho que não sei mais rezar.
Sabe, eu tento conversar Consigo
Como o Amigo sincero que sei que é,
Mas está tão difícil, meu corpo dói tanto
Que a única coisa que sobra é meu pranto.
Sei que lê o que passa com as pessoas
Do pensamento ao coração
Isso não me apavora, nem me faz temer,
Pois não encontrará mágoa, nem revolta, no que ler.
Sabe, sei que há um motivo para a doença,
Que em tudo há uma causa maior,
Mas ando tão cansada desta agonia
Que nada mais me causa alegria.
Senhor de todas as coisas,
Criador do universo,
Por isso hoje esse chamado
Para que me olhe com cuidado,
Não peço alívio para a dor física
Peço só para ouvir meu coração
E escutar baixinho as palavras que não sei falar,
E o que a mente não consegue articular.
Por isso também minha súplica,
Mais forte que a dor que sinto,
Meu Deus, de todo meu coração,
Aceite meu pranto como se fosse oração.

sábado, 8 de maio de 2010

ESTOU EM CASA!




Graças a Deus estou de volta à casa...
Estou começando a enjoar de hospitais (rs)!
Mas, enfim, mais uma vez, deu tudo certo...
Os "pilotos" continuam apostando corrida tendo-nos nas cadeiras de rodas como veículos, hospital continua sem cheiro de hospital, insistem em nos acordar (quando conseguimos dormir) para dar remédios nas horas mais absurdas, tipo duas e meia da madrugada...
Apesar dos pesares, fui super bem tratada, fiquei numa ala vip que nem nome de quarto tem - é "suíte"! Gostaram?
A única coisa que não muda são as inúmeras picadas - bomba de infusão, medidor de glicose, soro, anti-coagulante, etc.
Estou com medo de tomar líquidos e começar a vazar que nem regador!
No mais, vamos em frente, que muita coisa boa me aguarda!
Obrigada pelas palavras de carinho e conforto.
Obrigada por existirem.
Obrigada por não desistirem de mim.
Amo vocês.

domingo, 11 de abril de 2010

AMORES, VIDA & MÚSICA

NÃO NECESSARIAMENTE NESTA ORDEM

Sou daquele tipo de pessoa que está sempre pensando. Tudo bem, sei que todos nós pensamos incessantemente, mas sou daquelas que prestam atenção aos pensamentos (na maioria das vezes).

Esses dias estava pensando em como a doença que me acometeu (Síndrome de Sjögren + Vasculite) e que me derrubou por exatos, neste momento em que escrevo, 1 ano, 2 meses e 4 dias, mudou minha vida.

Desde pequena, como já disse uma vez, como eu não era “a mais” em nada – beleza, dinheiro, etc. – passei a estudar mais do que ninguém para ser pelo menos bem sucedida. Então, era uma disputa feroz, no primário, pelos distintivos dos três primeiros lugares da classe. Quando eu tirei meu primeiro 7,0 – já na quinta série – chorei o dia inteiro, porque aquela não era nota para mim e carreguei uma raiva danada da professora por muito tempo. A raiva passou, claro, mas a lembrança não, acho que vem daí meu trauma com Geografia. Foi nessa época que comecei a escrever meus versos, pensamentos, num velho caderno que permanecia escondido, fechado a sete chaves. Era ele meu confidente, como na música:

"Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel..."

Cresci, não muito, e embora não sendo “a mais”, era popular. Nunca ficava sem namorado! Naquela época eu cantava “e que tudo mais vá pro inferno”... e seguia adiante quando o namoro terminava.

Mas amor, amor de verdade, Amor com letra maiúscula, foram três.

O primeiro, ainda na adolescência, abandonou-me, sem mais delongas, por conta de uma fofoca. Por muito tempo fiquei a cantar:

"Vem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber
Como vai você"

Desse primeiro amor herdei o medo de amar, da entrega sem limites, de me apaixonar... Daí passei a namorar só três meses. E avisava ao pretendente, eu só namoro três meses! (rs) Raciocinem comigo: é o tempo exato de só viver coisa boa, sem se apaixonar. Assim não corria risco de sofrer. Como estava enganada!

Amei novamente, inesperadamente, e foi entrega total, amor avassalador, fora de tempo... daí, até hoje, eu canto:

"Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...

Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder..."

Meu terceiro amor foi construído na convivência, no dia a dia, sem urgências... para ele eu canto, um canto que poucos conhecem:

“Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui”

Assim a vida foi passando, as coisas acontecendo e de quando em vez eu padecia de alguma doença. Deste modo comecei a partir, aos pedaços. O primeiro foi um pequeno pedaço do seio, mas eu era tão jovem que nem cheguei a me afligir. Como é boa a ignorância!

Quando perdi o útero, depois de anos de sofrimento, eu só pensava para quê eu iria querer aquele órgão, para mim só servia para duas coisas, ter filho e câncer, filhos eu já tinha tido, câncer não iria de ter. Nessa época vivia tão atarefada que nem tinha tempo para pensar, cantar então...

Depois foram embora a tireóide, a vesícula, alguns pedaços de ossos que não deveriam ter se desenvolvido e eu ainda fazia piada, toda vez perguntava pro meu cirurgião quais pedaços ainda poderia perder sem passar para o lado de lá! Só de brincadeira cantava “Oh pedaço de mim...” e emendava com alguma bobagem acerca de órgãos humanos.

Mas a vida não é uma piada, houve um tempo tão triste, cheio de dor, que fiquei seca, estática, muda... desse nem música tem...

Voltando à doença recente, por conta dela passei quase um ano sem ir a nenhum compromisso social, as dores me impediam... Até que esses dias, já mais aliviada, resolvi ir a um aniversário! Estava marcado para as 7:30 h. Como sempre fui ultra rápida para me arrumar, era só falar vamos! em 15 minutos estava pronta! Mas para ter folga comecei a me arrumar 7 horas. Não olhei para o relógio. Como era uma reunião de mulheres eu iria só, então não tinha ninguém para me alertar. Quando cheguei à festa minha comadre falou: - Pensei até que você não vinha! Que bom que está aqui!

Foi então que descobri que eram quase 8:30 h. Ou seja, meu tempo mudou.

Foi um choque!

Busquei, então, o que mais havia mudado em mim além do inchaço do excesso de corticóide. Enchi meus filhos, marido, irmã, etc. de perguntas e eles, meio a contragosto, confessaram que minha memória mudou: não lembro mais os números de telefones que antes trazia de cor; tenho lembranças, que juro serem verdade, e que nunca existiram; minha agenda de aniversários, que trazia na memória, apagou-se; vou pegar alguma coisa e quando chego ao lugar não lembro mais o que era; tenho certeza que conheço pessoas que nunca vi (e mato meus filhos de vergonha); entre outras coisas. Disfarço o embaraço que também sinto, engulo as lágrimas e sigo em frente, com vontade de morrer... sem trilha sonora.

Agora preciso aprender a viver nesse outro compasso.

Preciso conhecer, e aceitar, minhas limitações, não só as físicas.

Preciso me re-conhecer.

E eu, que a vida inteira cantei:

“...Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama
Vive a mulher...

Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque”

Estou, aos poucos, e não sem sofrimento, aprendendo a cantar:

“Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais...”

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PULSOTERAPIA


Terapia
segredos secretos
vindo à tona.

Amores
passados presentes
vindo à tona.

Pulso
arritmia emoções
vindo à tona.

Dor
amarga incapacitante
vindo à tona.

P U L S O T E R A P I A
Eu afundando...