Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de julho de 2015

CARTA PARA MINHA FILHA SILVIA



Minha querida, desde ontem, às 03:10 h que venho te escrevendo... dentro da minha cabeça rs.
Tem tanta coisa que queria te dizer, mas nada é novidade, nada que ainda não tenha sido dito; porém, mesmo assim, quero deixar registrado o que me vai na alma.
Primeiro, parabéns pela chegada do Henrique, cheio de saúde, forte, lindo, especial.
Você não saiu do meu corpo, mas é minha filha desde o positivo do exame.
Não te carreguei nove meses, mas te amei todos eles.
Acompanhei seus primeiros passos, sua infância, adolescência, suas vitórias e seus fracassos. 
Estive aqui para rir e chorar com você todas as vezes que precisou (e isso traz um conforto muito grande para meu coração, saber que você confia em mim e que comigo seus maiores segredos poderiam ser compartilhados - e nem eram tão grandes - mas um gesto, na adolescência, tem o tamanho do mundo).

Porém, agora, você já experimentou a melhor "droga" (lícita!) que Deus inventou: Amor materno! E nunca mais você saberá viver sem ela!
Haverá momentos em que você, apesar de exausta, se sentará ao lado do berço do Henrique só para vê-lo dormir!
Outros, você chorará com o choro dele...
Em alguns a felicidade de tê-lo nos braços é tão grande que parece que seu coração vai explodir!
Em outros você se sentirá impotente e revoltada por não poder sentir as dores que são dele.
Mas saiba que, em todos os momentos, você estará protegida pela Mãe das Mães, Nossa Senhora, que não nos abandona jamais.
Minha linda, se existe conselho a ser dado, siga essas regrinhas:
- Pegue no colo quantas vezes quiser... isso não traz problema psicológico, é só demonstração de amor.
- Chore com ele... somos mães, não super mulheres...
- Converse com ele, cante para ele, sua voz é música aos seus ouvidos.
- Não hesite em nos ligar quando tudo parecer difícil (isso vai acontecer), uma palavra de conforto é, às vezes, o que mais precisamos.
- Não, meu amor, você não vai acertar sempre... mas isso também faz parte do pacote de Mãe, que chega sem instruções e fórmulas, mas carregue no seu coração a certeza de que fez tudo o que lhe era possível em cada momento.
- Quando não souber o que fazer (e isso também vai acontecer) ouça a voz do seu coração, é o caminho mais seguro.
No mais, siga em frente, com esse sorriso lindo, ao lado do seu amado Rafael, que tenho certeza que Deus confiou o Henrique às melhores mãos.
Fique com Ele!
Fique também com a certeza de que do mesmo modo que a escolhi como filha, acolho Henrique como meu neto, com lugar cativo em meu coração.

Beijos


Mãe-Avó Kátia

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CASAMENTO

Para Roberto e Danila


ENSINAMENTO
(Adélia Prado)

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

DA SÉRIE SIMPLES ASSIM...


terça-feira, 27 de maio de 2014

O POEMA QUE NÃO ESCREVI

Esse poema foi publicado em 2004 pela minha querida amiga Nora Borges e, na hora que li, identifiquei-me tanto que foi impossível não perguntar: Por que não fui eu que fiz?
Ele é tão lindo que, dez anos depois, mesmo sem autorização da autora (que há de me perdoar) resolvi compartilhar com vocês.



COISAS DE AMOR

Autora: Nora Borges

Hoje eu queria te dar mil beijos, satisfazer teus desejos, te mostrar que sou teu par.
Hoje eu queria te fazer bem pela vida afora…
Te dar O Amor nos Tempos do Cólera para lermos juntos, um dia, na rede do invernadeiro.
Queria te contar mil estórias.
Te fazer rir até a boca doer. Até você se jogar num chão de areia branquinha e ficar soluçando de riso desperdiçado, espalhado, expandido, os braços abertos, a cabeça em meu colo até dormir de cansado…
Queria te fazer contente, como em dia de aniversário ou dia dos namorados, ou dos natais da infância.
Te dar meus sorrisos cheio de covinhas, meu colo macio, meu alento.
Queria te dar, numa cesta de vime, mil presentes: um adágio de Bach, duas estrelas cadentes, um prato de camarões vermelhos lá do bar da velha Beata, perto daquele rio…
Um por do sol rosado, incandescente, por trás das casuarinas. Daqueles bem demorados, por causa dos dias tristes…
O melhor banho de chuva do mundo, na Estrada Real do Poço, pulando com os dois pés na maior poça da rua, nós dois molhados até os ossos. Gargalhando… gargalhando…
Um abraço no meu Baobá, que só eu sei que é meu… e onde está.
Uma taça de vinho tinto, para esquentar o coração.
Ingressos para o festival de ópera de Verona, com estadia em Veneza… tudo grátis… tudo grátis!
Um sorvete de casquinha, o sabor você escolhe: cajá, pinha, pitanga?
Um algodão doce crequento, daquele antigo, feito em bacia. Parece nuvem…parece nuvem!
Limpar-nos os rostos a beijos doces.Tão doces!
Um Aleph, no décimo nono degrau de alguma escada, porque o J.L.Borges disse que se vê toda a vida e tudo em um mísero e rápido olhar…
Uma lua nascendo enorme, para você agradecer à vida.
Um búzio grande e rosado para voce ouvir o mar, qualquer mar que recorde… chuam! chuam!
Um caleidoscópio de lata, que faz txim..txim quando você o gira e vê mil formas coloridas. E você ri como doido. E descobre como é bom rir como doido.
Toda a alegria que couber em você e o que derramar, você distribui por aí.
Uma caixinha de biscoitos da sorte. Cada um com uma mensagem de boa ventura. E se sentarmos para comer tudo de uma vez, teremos toda a sorte da vida num só dia…
Uma fogueirinha com todas as mágoas e maldades que a vida tenha deixado em você. E com a fumaça, o esquecimento. Assim faziam os índios, não?
Duas lembranças gostosas por dia, daquelas que fazem a gente ficar com o olhar fixo e perdido, um meio sorriso nos lábios e …depois um longo e ruidoso suspiro.
Uma lata grande de paz, mas só abra de vez em quando. Na natureza profunda, muita paz é como a morte. É preciso alguma forma de sofrimento, alguma dor de saudade para gente saber vale a pena estar vivo…” Mesmo uma pedra é uma dança de elétrons.” li em algum lugar. Nunca esqueci.
Então… ponho um vidro grande de lágrimas quentes, para o caso de precisar…
É preciso que dance sua música… e às vezes ela pode ser triste.
Mas também ponho uma cartola com o fundo falso e lenços coloridos, para você fingir de Mandrake… palmas! palmas!
E um papagaio que fale mil e uma sacanagens, para você embolar de rir, mesmo já sabendo delas todas.
Também tem uma caixinha com vários tipos de silêncios, para você escolher aquele que mais precise…
Ah! e dez noites seguidas de sono perfeito. E quantas quiser de amor bem feito…
Uma cortina de longos e castanhos cabelos, para vestir seu corpo de arrepios. Um par de olhos molhados, pedintes, entregues. Uma boca de lábios sedentos… e mil beijos de borboleta.
Um sonho bom como se fosse verdade.
Uma verdade que parece um sonho.
Um mar com um arco-iris…

E todo o amor da mulher que você escolheu para amar.

sábado, 19 de novembro de 2011

UMA COISA LEVA A OUTRA, QUE LEVA A OUTRA, QUE LEVA...

Vista do meu cantinho... a névoa não é eterna...

Dedico este post à Kátia GV, ela sabe os motivos; ao Mauricio, por sabê-lo sempre presente mesmo distante e à Vanuza Pantaleão, por não desistir de mim.

Depois que postei a respeito dos buracos negros da minha alma, fiquei, por muito tempo, pensando qual seria o motivo escondido sob esse manto de esquecimento, qual lição deveria aprender.

Estava tão incomodada com a situação que só escrever não bastava. Precisava ir além. Precisava que alguém me ajudasse a entender. Por isso levei o assunto para o meu terapeuta (na verdade mais um anjo que Deus colocou na minha vida). Verbalizando tudo que me ia à alma ele me fez as perguntas perfeitas:

- O que você quer colocar nesses buracos?

- Com o que você vai preencher essas lacunas? A decisão é sua.

Pensei bastante e cheguei à conclusão que estava diante de uma verdadeira oportunidade de aproveitar para deixar fluir todo o meu lado espiritual, deixar aflorar meu sexto-sentido, minhas intuições. Deixar espaço para que meus Anjos falassem através de mim...

Logo depois, em conversa com a minha amiga querida Kátia, sobre assuntos que não vêm ao caso, eu falei a frase “Meu coração está dizendo que você vai ser muito feliz”, daí ela me respondeu que ficava “em suspenso” toda vez que eu começava uma frase com o tal “Meu coração está dizendo...” porque desde que me conhece, por tudo que passamos juntas, meu coração nunca tinha errado, nem nas coisas boas, nem nas más.

Talvez eu precisasse desses buracos para deixar meu coração falar.

E como uma coisa leva a outra, lembrei-me de uma história (ou lenda) que na oportunidade mandei para a Kátia e hoje compartilho com vocês. Essa história me acompanha a tanto tempo que não sei mais se li em algum lugar ou se fui eu mesma que inventei. Mas vamos lá:

Quando nascemos, Deus (ou a Força Superior, Alá, Jeová) nos dá três grandes presentes - a vida, uma estrada e uma carroça. Assim começamos nosso caminho percorrendo nossa estrada, que sempre será só nossa, embora em alguns momentos tenhamos outras estradas ao lado da nossa. E vamos em frente, colocando coisas, pessoas, sentimentos, recordações, alegrias, tristezas, mágoas, ressentimentos... e seguimos enchendo nossa carroça. Em alguns momentos da vida a estrada é reta e asfaltada, em outros há muita lama, buracos, em algumas épocas parece apenas uma trilha... A carroça, com o tempo, vai se enchendo e as rodas começam a ranger, fica pesado puxar, mas a gente não desiste e vamos em frente, até que um dia aparece uma grande pedra (seja uma doença, a perda de um ente querido, uma separação, uma mudança, uma decepção, etc.) e a roda da carroça se prende e ela vira. Tudo que carregamos cai! Sentamos desolados no meio do caminho... choramos, nos entristecemos, até nos desesperamos, mas a estrada é nossa responsabilidade e ela está à nossa espera, então, mais cedo ou mais tarde, temos que retomar o caminho e começamos a colocar nossas coisas na carroça. Mas, à medida que vamos pegando nossas coisas, pessoas, sentimentos, etc. descobrimos que estamos carregando muito peso inútil: são mágoas passadas, recordações tristes, energias negativas, dores desnecessárias... daí começamos a selecionar o que realmente merece ser carregado por nós. Recarregamos nossa carroça e descobrimos o quanto ela está mais leve, mais bonita, arrumada!!! e vamos em frente enquanto a vida existir, carregando nossa carroça, seguindo na nossa estrada... até a carroça começar a ranger novamente e aparecer outra pedra... e tudo começa outra vez. Essa dádiva, de escolher o que colocar na carroça, é o maior presente que Deus nos deu.

Minha carroça virou outra vez! Estou no processo de recolocar nela o que realmente vale à pena... deixar o que não me serve para trás. Deus está me dando uma grande oportunidade de arrumar novamente minha carroça!

Tenham certeza que deixarei para trás muitas culpas, ressentimentos, tristezas... mas as pessoas que carrego no coração, essas não, seguirão comigo eternidade afora.

Descobri que sou do tipo que não descarta gente! (ainda bem!)



segunda-feira, 25 de abril de 2011

SOBRE O AMOR


Estes dias ouvi muita música.

É que aqui, no meu cantinho, não tem toque de telefone (não tem sinal de celular de nenhuma operadora), internet então, é coisa de outro mundo, televisão não é meu forte, então virou objeto de decoração (só falta o paninho de crochet de nossas mães), os pássaros só cantam quando querem, resultado: som zero! Até gosto do silêncio, mas em doses pediátricas. O que sobra é ler e trabalhar. Desde que cheguei, tenho trabalhado muito, trabalho braçal (dentro dos meus limites físicos): plantar, lixar, pintar, etc. e todo mundo sabe que esse tipo de atividade não exige nenhum esforço mental.

O que me sobra fazer entre o nada e o coisa nenhuma (rs)?

Ouvir música!

Como foram muitos dias, quase deu para ouvir toda a seleção do pen-drive. Foi assim, ouvindo cantarem tanta coisa que percebi: 80% das músicas que ouço falam de amor.

Tem amor para todo gosto: amor eterno, amor fora de hora, amor despedaçado, amor traído, amor platônico... e mais tanto tipo que nem dá para enumerar.

Concordo que é muito mais fácil escrever sobre amores perdidos, com o coração em farrapos do que quando estamos alegres. A alegria não é mola propulsora de versos, mas a dor! Ah! A dor! Ela sim é um evento que provoca versos, e na maioria das vezes, versos carregados de tristeza e beleza.

Eu poderia listar muita coisa bonita escrita por inúmeros poetas/compositores/autores, mas tem um poema do Paulinho Moska que toca tão fundo no coração (pelo menos no meu) que resolvi postá-lo.

Ele canta “Vênus” e depois declama um poema belíssimo!

Certas Canções -Tunai e Milton Nascimento - fala em uma de suas estrofes que “Certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim, que perguntar carece, por que não fui eu que fiz?”

Pois é, tirando “Metade” do Osvaldo Montenegro, que nem me pergunto porque me falta capacidade para escrever tal poema, esse do Moska, cabe tão bem dentro de mim que carece sim, de perguntar.

Compartilho com vocês:


Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.



terça-feira, 12 de abril de 2011

DIVAGAÇÕES



Hoje amanheci assim:
nem alegre, nem triste.
Hoje vi o dia clarear assim:
nem sol, nem chuva.
Hoje não houve despertar, porque não houve dormir.
Não houve canto de pássaros,
nem a vida a se por em movimento.
Hoje senti vontade de estar perto
daqueles que precisam de colo
Mas também querendo tanto
alguém que me desse seu ombro.
Contradições.
Vontade de lutar,
Cansaço de tanta batalha.
Dor doendo no peito
Saudade danada de gente que amei,
ainda amo,
que sei também me amaram,
ou ainda amam,
tão dentro do meu coração
tão longe do toque da mão.
Hoje levantei-me assim:
nem alegre, nem triste;
então por que essa lágrima
teima a sair de mim?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

PROCURA



Ela saiu do hotel sem explicações e sem olhar para trás.

Mesmo porque nem mesmo sabia para onde ia.

Caminhava tranqüila, passos firmes, porém lentos, em contraste com a multidão que passava a largos passos a seu lado.

Ela não tinha pressa.

A única coisa que queria era percorrer cantos, recantos e no olhar de encanto já esquecido, encontrar o que só ela sabia que perdera há anos, muitos anos atrás.

E assim foi.

Parques, avenidas, cinema, em cada pedacinho olhava atenta para ver se encontrava.

No seu olhar não havia mais tristeza nem lágrimas.

Olhar seco de mulher vivida, olhos límpidos, sem mágoas.

Sentou num banco do parque, relembrou as histórias que ouviu. Relembrou, palavra por palavra, de quando ouvira pela primeira vez sobre o Dia do Perdão.

Nesses anos ela aprendera a perdoar.

Porém, o perdão mais difícil, ela só conseguiria se encontrasse o que perdeu nessa cidade dantes desconhecida.

Não adiantou.

Por mais que relembrasse, andasse, procurasse... não encontrava.

Desistiu.

Viveria assim, sem aquela parte tão especial que havia, sem se dar conta, deixado escapar.

Arrumou a valise.

Pagou a conta do hotel. (Sempre o mesmo hotel!)

Tomou o táxi e encaminhou-se para o aeroporto.

Somente lá se deu conta que era um lugar que não havia procurado.

Despachou a valise.

Subiu um andar.

Entrou na capela.

E encontrou...

No ato de perdoar a si mesma, achou a alma que, por amor, havia perdido.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

SOBRE O TEMPO & AUSÊNCIA & SAUDADE


Faz tempo que não apareço, eu sei... vocês não merecem tanta ausência, mas nem sempre as coisas são como gostaríamos, mesmo assim seguimos em frente, aos trancos e barrancos, mas sempre em frente...
Quanto eu falei que ia terminar a Saga do Caminho de Santiago me deu uma angústia igual à que senti na Espanha e que aumentava a cada passo que dava para o destino final.
Como vivemos em sintonia com aqueles que amamos, logo recebi um e-mail do Mauricio pedindo que eu fosse bem devagarzinho, que ele não estava preparado, ainda, para terminar pela segunda vez nossa caminhada.
Com isso fui adiando, a dor aumentando, a angústia a apertar-me o peito, a saudade como poço que a cada dia fica mais fundo.
Daí apareceram compromissos inadiáveis, problemas recorrentes e eu, todos os dias, dizia a mim mesma: Hoje escrevo!
Mas esse hoje nunca chegava. Estava a boicotar-me, inconscientemente.
Comecei a pensar sobre a relatividade do tempo, das amizades, da ausência. Buscava encontrar algo que preenchesse um pouquinho essa saudade de gente que não conheço, de gente que partiu, para outro mundo ou esse mesmo mundo, de amores e amigos que perdi ou me perderam. Gente que não vejo, que não abraço, que não conforto nem me conforta. Gente que eu queria pertinho de mim. Gente assim como o Mauricio, a Vanuza, a Kátia, a Jussara e tantas outras que amo e não vejo, ou ainda não vi frente a frente.
Às vezes fecho os olhos e tento traçar, no espaço, as linhas desses rostos amados e não consigo. É triste.
Daí, como não existe coincidência, meu analista sugeriu-me ler Memórias de um Viajante do Tempo, de Patrick Drouot. Lá encontrei uma passagem em que ele diz:
- “O temps, suspends ton vol” (Tempo: suspende o vôo), implorava Lamartine. Mas o grito do poeta é impotente para deter o curso dos segundos, das horas, dos dias que passam. O tempo, pelo menos do modo como o concebeu o homem moderno desde o Renascimento, é principalmente “fuga”. Em nosso cotidiano, ele possui uma dimensão única, além de ser unidirecional em seu escoamento. Irreversível, empurra-nos inexoravelmente do passado para o futuro sem a possibilidade de voltar atrás.”
Isso veio exatamente quando tudo o que mais desejava era voltar no tempo...
Embora creia que carregamos todos os afetos, amores, amizades de todas as nossas vidas num compartimento secreto e oculto para nosso próprio bem... que nunca estamos sós... que tudo é relativo...mas como seguir em frente sem vocês?
Embora creia piamente na imortalidade da alma, como viver com esse anseio pela presença das almas que sei que amo de outras vidas?
Poderia listar as coisas que me fizeram ausentar-me tanto tempo... mas que importam coisas corriqueiras diante de tamanha solidão?
Por isso meus queridos, ficamos assim: minha ausência deveu-se da minha luta para deter o tempo e trazer para perto de mim aqueles que amo e que estão longe...
Só a presença no meu coração, neste momento, não basta...
Mas eu volto, sempre volto!
Alguém tem aí um tarja preta?
Beijos!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

HANAMI - CEREJEIRAS EM FLOR


A VIDA E AS FLORES SÃO EFÊMERAS


Para Alê Marques, Camila e Daniela Sanches,

Para falar sobre esse filme tenho que voltar no tempo...

Ao me aposentar, já com filhos criados, resolvi prestar vestibular para jornalismo. Não havia dinheiro para faculdades particulares, este estava destinado aos filhos, caso necessitassem. Fui, sem esperança, para a Federal. Passei!

No primeiro dia de aula me apresentei vestida de tailleur, bem maquiada, salto oito, cabelo preso em coque. Deparei-me com 39 adolescentes, jeans, camiseta, bermudas, shorts, profusão de pernas, vozes, energia.

Aos poucos fomo-nos conhecendo. Acho que eu os amei primeiro.

Eu procurava ensinar-lhes da vida, ser a confidente, o colo.

Eles me alimentavam de juventude, ensinaram-me a usar jeans, camiseta e tênis. Rejuvenesceram-me.

Ganhei mais de uma dúzia de filhos espirituais.

Ora filhos, ora irmãos, sobrinhos, pais... e essa troca, quase quinze anos depois, persiste.

Foi Alê Marques (uma filha/mãe/irmã/amiga de faculdade) quem postou no Facebbook a frase “O paraíso é onde a felicidade está”. Vieram os comentários da Camila, da Dani e o desejo de assistir ao filme Hanami – Cerejeiras em Flor. Fui ontem! Valeu cada minuto, cada reflexão, cada emoção.

O filme conta a história de um casal sessentão de alemães, o que poderia levar-nos a esperar algo um tanto enérgico e frio.

Apenas Trudi sabe que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal e ela precisa decidir se vai contar a ele ou não. O médico sugere que eles façam algo juntos, como realizar um velho sonho. Trudi decide não contar ao marido sobre a gravidade de sua doença e aceita o conselho do médico.

Ele, metódico, é convencido a visitar os filhos em Berlim. Lá descobrem que não mais conhecem os filhos. Descobrem, também, que os filhos os consideram um estorvo.

Decidem ir rever o mar... É nessa segunda viagem que Rudi aceita fazer com a esposa, que ela morre repentinamente. Rudi fica devastado e perdido. Através do contato com a amiga de sua filha, Rudi compreende que o amor de Trudi por ele havia feito com que ela deixasse de lado a vida que queria viver. Ele começa a vê-la com outros olhos e promete compensar sua vida perdida embarcando em uma última jornada, para o Japão, na época do festival das cerejeiras, uma celebração da beleza, da impermanência e de um novo começo.

É um aviso sobre a efemeridade das moscas, cerejeiras e vidas.

E o paraíso? Ainda acredito que está dentro de nós, na forma de sonhos. Pode ser a Acrópole, Macchu Picchu, Pirâmides ou um beijo apaixonado numa noite de luar.

Só não podemos adiar sua realização.

As cerejeiras duram poucos dias!

Ficha Técnica:

Hanami – Cerejeiras em Flor (KIRSCHBLÜTEN – HANAMI) - 2008 – Alemanha

diretor: Doris Dörrie

roteiro: Doris Dörrie

fotografia: Hanno Lentz

montagem: Inez Regnier, Frank Müller

música: Claus Bantzer

elenco: Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Nadja Uhl, Maximilian Brückner, Birgit Minichmayr

produtor: Molly von Fürstenberg, Harald Kügler

produtora: Olga Film GmbH

quinta-feira, 22 de julho de 2010

PALAS DE REI – MELIDE


E a saga segue seu curso... não sem antes agradecer ao meu querido Anjo da Guarda Mauricio, que mesmo quando eu xingo, não respondo, nem assim ele fica com raiva de mim... e ainda scaneia as fotos que eu não tirei!!!! ...Ah! nem adianta mandar largar do seu pé que é karma! ... Sei, também te amo, meu amigo!rs

Essa foto eu não poderia deixar de lado porque rendeu-nos boas gargalhadas... A gente passava e, às vezes, do nada, aparecia uma construção suspensa, com cruzes, elementos bíblicos, ora de madeira, ora de tijolo, e a gente tentava descobrir o que era, tentava "futucar" nas frestas, mas nada... como a maioria ficava no campo eu cismei que era onde eles colocavam os mortos. Um dia a Cris se encheu de razão, pegou um pedaço de pau e começou a tentar abrir uma fresta maior, nisso eu vim de trás, fiz "UUUUUUUUUUUUUUUU" e saí correndo fingindo estar assustada... ela disparou e só parou quando me viu me dobrando de rir... quase me bateu!

Daí nós resolvemos deixar de ser orgulhosos e perguntamos (o Mauricio, claro, a boa parte sempre sobrava para ele): Pois bem, chama-se Hórreo, também conhecido como Cabazo, Cabaceiro(a), Canastro ou Piorno é uma construção popular da região da Galícia, mas que se estende em outras zonas no norte ibérico. É destinada a secar, guardar e conservar o milho e outros cereais de ataques de ratos. Tem todo um simbolismo econômico na sua origem, quanto maior o Hórreo, maior a riqueza dos proprietários.
Este foi por fotografo por Mauricio em Gonzar, na saída de Portomarín.


Havíamos combinado percorrer só 15 km. Acredito que Cristina e Mauricio tenham feito esse acordo por piedade, mas não deixaram transparecer, e como estávamos muito bem acomodados e acompanhados nem nos preocupamos com as horas...

Erro fatal!

Acordamos com uma voz esganiçada (linguajar mineiro da Cris) aos berros, xingando e gritando que já tinha passado da hora de peregrino estar na estrada. Levei um susto tão grande que passei a juntar coisas, escovar dentes, lavar rosto, tudo ao mesmo tempo. Era a hospitaleira, que de hospitaleira só tinha o nome. Colocou todo mundo para fora, não respeitou Orlando e Micheline, um casal já “mais experiente”, tampouco o grupo de excepcionais.

Resolvemos fazer o desdejum num bar bem em frente ao albergue... segundo erro em tão pouco tempo!

As torradas vieram da parte reservada do restaurante já lambrecadas com uma coisa que parecia geléia passada da validade, rançosa. Uma senhora velha, gorda e porca, que limpava as mãos e o rosto com o mesmo pano que limpava o balcão, nos serviu rindo e mostrando os dentes todos estragados, sem contar o cheiro... A soma de tudo revolveu meu estômago e eu e Mauricio saímos sem comer, mas pagamos. A Madre Cristina de Calcutá ficou e comeu, por pena da senhora... Nós comemos em outro lugar.

E pé na estrada!

Também já eram 9 horas, isso lá é hora de peregrino sair? rs

Apesar da hora tinha muita neblina. Para nossa surpresa caminhamos muito tempo por dentro de bosques, o que foi muito agradável, mas não impediu do meu pé logo dar sinal de vida (ou de morte!). Porque volta e meia, ou melhor, subida e descida, apareciam uns atoleiros danados e difíceis de ultrapassar. Aí vocês podem perguntar, mas porque a demente não foi pelas pedras? As pedras acabavam no meio maior do lamaçal.

Chegamos cedo a Melide e pra variar a primeira coisa que fomos ver foram os banheiros. Só um chuveiro tinha porta. Eu e Cris corremos para tomar banho antes que ficássemos abertas à visitação pública nos boxes sem nem uma cortininha... água escaldante! Deliciosa!!!

Cris foi descansar e eu fui lavar roupa, comprar comida, coisa básica!

Quando voltei a Cris disse que ia sair para almoçar, eu e Mauricio já havíamos comido e ficamos no albergue.

Daí um tempo chega a Cris revoltada e rosada, para não dizer roxa, dizendo que tinha visto um anúncio num restaurante de um arroz com frango, naquela altura estávamos loucos para comer arroz, daí ela pediu... veio salada de entrada e foi só o que ela conseguiu comer, o tal arroz estava intragável, e enquanto tentava comer “encheu os chifres de vinho rosé”.

Convidei a Cris para conhecermos a cidade, calçada com Havaianas é claro!

Fachada da Iglesia de la Virgen de las Nieves - Leboreiro (caminho)

Quando estávamos de volta ao albergue só ouvi a Cris conversando em portunhol com um desconhecido e dizendo: “A Kátia sabe. Ela sabe tudo”, fiquei curiosa e fui ver. Era o marido de Ângeles que havia conseguido uma folga e estava percorrendo o Caminho de bicicleta em busca da esposa. Peguei minhas anotações, vi a última vez que estivemos juntas, mais os cálculos de bruxa e disse: Pode pedalar até Arzúa que ela está lá.

E não é que estava mesmo!!!!

A gente evitava conversar sobre o dia seguinte. Nosso tempo estava se esvaindo. Santiago chegando... e ao mesmo tempo uma vontade louca de continuar no Caminho...

Nem fotos eu queria mais tirar... era como se começasse a abrir um rombo dentro do meu peito, neste rombo tinha medo, tristeza, lágrimas não vertidas, palavras não ditas, saudade antecipada.

A chegada, ao mesmo tempo que representava nossa vitória, representava também adeus, despedida... e é tão triste separarmos daqueles que aprendemos a amar.

No coração só a certeza que nunca mais era nunca mais mesmo.

domingo, 18 de julho de 2010

PORQUE EXISTIU UM DIA, UM 18 DE JULHO...




Porque houve um dia um 18 de julho
E por um instante reconheci na multidão
Aquele que veio a este mundo para me encontrar
E vi estrelas num olhar de céu e mar
E descobri o porto seguro onde ancorar minha vida turbulenta
E senti o calor que aquece coração
Porque houve um dia em que meus olhos pararam de procurar
E minha alma se aquietou num abraço
E conheci o sabor de mel do beijo único
E nunca mais minha vida foi a mesma
Porque se encheu de luz, amor, poesia,
Que seguem comigo, aonde eu for...
E dele sempre será,
Até a eternidade, e se houver um fim,
A melhor parte de mim.
Tudo isso porque houve um dia...


(Inédita)de julho especial...

domingo, 11 de abril de 2010

AMORES, VIDA & MÚSICA

NÃO NECESSARIAMENTE NESTA ORDEM

Sou daquele tipo de pessoa que está sempre pensando. Tudo bem, sei que todos nós pensamos incessantemente, mas sou daquelas que prestam atenção aos pensamentos (na maioria das vezes).

Esses dias estava pensando em como a doença que me acometeu (Síndrome de Sjögren + Vasculite) e que me derrubou por exatos, neste momento em que escrevo, 1 ano, 2 meses e 4 dias, mudou minha vida.

Desde pequena, como já disse uma vez, como eu não era “a mais” em nada – beleza, dinheiro, etc. – passei a estudar mais do que ninguém para ser pelo menos bem sucedida. Então, era uma disputa feroz, no primário, pelos distintivos dos três primeiros lugares da classe. Quando eu tirei meu primeiro 7,0 – já na quinta série – chorei o dia inteiro, porque aquela não era nota para mim e carreguei uma raiva danada da professora por muito tempo. A raiva passou, claro, mas a lembrança não, acho que vem daí meu trauma com Geografia. Foi nessa época que comecei a escrever meus versos, pensamentos, num velho caderno que permanecia escondido, fechado a sete chaves. Era ele meu confidente, como na música:

"Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel..."

Cresci, não muito, e embora não sendo “a mais”, era popular. Nunca ficava sem namorado! Naquela época eu cantava “e que tudo mais vá pro inferno”... e seguia adiante quando o namoro terminava.

Mas amor, amor de verdade, Amor com letra maiúscula, foram três.

O primeiro, ainda na adolescência, abandonou-me, sem mais delongas, por conta de uma fofoca. Por muito tempo fiquei a cantar:

"Vem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber
Como vai você"

Desse primeiro amor herdei o medo de amar, da entrega sem limites, de me apaixonar... Daí passei a namorar só três meses. E avisava ao pretendente, eu só namoro três meses! (rs) Raciocinem comigo: é o tempo exato de só viver coisa boa, sem se apaixonar. Assim não corria risco de sofrer. Como estava enganada!

Amei novamente, inesperadamente, e foi entrega total, amor avassalador, fora de tempo... daí, até hoje, eu canto:

"Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...

Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder..."

Meu terceiro amor foi construído na convivência, no dia a dia, sem urgências... para ele eu canto, um canto que poucos conhecem:

“Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui”

Assim a vida foi passando, as coisas acontecendo e de quando em vez eu padecia de alguma doença. Deste modo comecei a partir, aos pedaços. O primeiro foi um pequeno pedaço do seio, mas eu era tão jovem que nem cheguei a me afligir. Como é boa a ignorância!

Quando perdi o útero, depois de anos de sofrimento, eu só pensava para quê eu iria querer aquele órgão, para mim só servia para duas coisas, ter filho e câncer, filhos eu já tinha tido, câncer não iria de ter. Nessa época vivia tão atarefada que nem tinha tempo para pensar, cantar então...

Depois foram embora a tireóide, a vesícula, alguns pedaços de ossos que não deveriam ter se desenvolvido e eu ainda fazia piada, toda vez perguntava pro meu cirurgião quais pedaços ainda poderia perder sem passar para o lado de lá! Só de brincadeira cantava “Oh pedaço de mim...” e emendava com alguma bobagem acerca de órgãos humanos.

Mas a vida não é uma piada, houve um tempo tão triste, cheio de dor, que fiquei seca, estática, muda... desse nem música tem...

Voltando à doença recente, por conta dela passei quase um ano sem ir a nenhum compromisso social, as dores me impediam... Até que esses dias, já mais aliviada, resolvi ir a um aniversário! Estava marcado para as 7:30 h. Como sempre fui ultra rápida para me arrumar, era só falar vamos! em 15 minutos estava pronta! Mas para ter folga comecei a me arrumar 7 horas. Não olhei para o relógio. Como era uma reunião de mulheres eu iria só, então não tinha ninguém para me alertar. Quando cheguei à festa minha comadre falou: - Pensei até que você não vinha! Que bom que está aqui!

Foi então que descobri que eram quase 8:30 h. Ou seja, meu tempo mudou.

Foi um choque!

Busquei, então, o que mais havia mudado em mim além do inchaço do excesso de corticóide. Enchi meus filhos, marido, irmã, etc. de perguntas e eles, meio a contragosto, confessaram que minha memória mudou: não lembro mais os números de telefones que antes trazia de cor; tenho lembranças, que juro serem verdade, e que nunca existiram; minha agenda de aniversários, que trazia na memória, apagou-se; vou pegar alguma coisa e quando chego ao lugar não lembro mais o que era; tenho certeza que conheço pessoas que nunca vi (e mato meus filhos de vergonha); entre outras coisas. Disfarço o embaraço que também sinto, engulo as lágrimas e sigo em frente, com vontade de morrer... sem trilha sonora.

Agora preciso aprender a viver nesse outro compasso.

Preciso conhecer, e aceitar, minhas limitações, não só as físicas.

Preciso me re-conhecer.

E eu, que a vida inteira cantei:

“...Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama
Vive a mulher...

Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque”

Estou, aos poucos, e não sem sofrimento, aprendendo a cantar:

“Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais...”

sábado, 20 de março de 2010

MAIS UMA DE AMOR...

Teatro - Guadalajara - México

NUNCA MAIS

(Kátia Corrêa De Carli)

Hoje a sua ausência
Mais uma vez veio me incomodar.
É uma saudade que queima,
Arde, incomoda,
Torna física a dor
Que julgava ter superado,
Traz de volta o amor
Que pensava já ter esquecido.
Saudade dos nossos momentos
Cheios de ternura, de paz.
Das conversas que aquietavam a alma
Depois de saciada a carne,
Dos silêncios cheios de compreensão,
Do saber estarmos indo,
Mesmo separados,
Na mesma direção.
Sem aviso, o adeus,
O ir embora sem olhar para trás,
A certeza de que estava partindo
Para nunca mais.
Fiquei quieta, muda, estática
Tentando encontrar algo que me guiasse
Que me impelisse a sair do cais.
Mas nada, nenhum leme,
Nenhuma vela, nenhuma embarcação.
Sozinha com a sensação das entranhas rasgadas,
Do corpo sangrando em pedaços,
Da dor a me corroer.
Passado o desespero da solidão,
Aquietado o espírito,
Secadas as lágrimas,
No coração, a ilusão do esquecer.
Hoje traída pela recordação
Do que não deveria mais voltar,
Lembro-me de você, da saudade,
E volta a doer a mesma dor
Da certeza que nunca mais
É tempo demais para eu viver
Sem o seu amor.

(inédita)

sábado, 30 de janeiro de 2010

CORREIO SENTIMENTAL

Para Tide,

Meu amigo muito querido, você colocou duas questões que embora pareçam diferentes, traçam um mesmo caminho: o do coração.

Apesar de não ser especialista nestas questões, talvez a vivência de tudo que passei me habilite a tentar analisar e responder.

Você perguntou se é possível sentir saudade de alguém que não se conhece. Devolvo com uma pergunta: existe alguém no mundo que a gente possa dizer que realmente conhece? Não conhecemos nem nós mesmos...

Existem pessoas que a gente já viu milhares de vezes e não conhecemos...

Existem pessoas que a gente nunca viu olho a olho e que conhecemos muito mais que nosso vizinho de porta.

Existem pessoas especiais, que basta uma palavra, uma demonstração de afeto (seja um cartão, uma foto ou um cd caseiro de MPB) e se deixam mostrar escancarando a alma, porque sabem que quem está do outro lado também escancara sua alma, sem pudor. É a confiança construída a cada conversa, a cada “teclada”...

Então, minha tese é que não existem pessoas que não conhecemos, existem pessoas que a gente não encontrou pessoalmente, ainda, mas que conhecemos e amamos.

E o amor gera saudade... qualquer espécie de amor.

Mesmo aquele amor que parte o coração, deixando como “carne moída”.

Depositamos nossa esperança, todo nosso amor, carinho, devotação a uma pessoa. Passamos a viver na espera do retorno - ainda não somos tão evoluídos a ponto de amar por amar, para nós o amor tem que ser pista de mão dupla – e não perguntamos ao outro se ele está colocando na relação todo o seu amor, carinho, etc. também. E na maioria das vezes, a relação é de mão única. E quando acaba, quase sempre de um lado só, sobra um velho coração despedaçado, desesperançado, doído a ponto de se sentir dor física.

Quando isso acontece queremos morrer junto com nosso coração.

Os dias vão passando, a dor vai diminuindo aos pouquinhos... mas não acaba! Nunca! Carregamos no olhar a dor daquele amor perdido. É como queimadura, a cicatriz permanece por todo sempre a lembrar aquele amor não vivido.

Amor perdido é amor eterno!

Todo meu carinho e um poema

Kátia

FIM

Não existe nada mais doído

Do que o fim de amor.

Amor idealizado,

Amor conquistado aos poucos,

Amor!

Num ímpeto de raiva

Tentei apagar os vestígios

De sua passagem pela minha vida.

Queimei cartas, recados, retratos,

Apaguei seu nome da minha agenda,

Não mais passei pela sua rua,

Nunca mais ouvi “nossas” músicas.

As lágrimas vieram uma a uma,

Lavei com elas minha alma,

Minha mágoa,

Minha dor.

Com o passar dos anos a gente consegue

Enganar até mesmo a memória,

Achando que esqueceu.

Achei que tinha esquecido você.

Só muito tempo depois descobri

Que o amor dói mesmo muito depois do seu fim.

Dói a cada encontro,

A cada olhar,

A cada recordação.

O fim de um amor a gente até supera

Mas não esquece não.