sábado, 11 de julho de 2015
CARTA PARA MINHA FILHA SILVIA
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
CASAMENTO
Postado por Katia De Carli às 14:59 1 comentários
Marcadores: Adélia Prado, Amor, Casamento, Ensinamento, Poemas
quarta-feira, 30 de julho de 2014
DA SÉRIE SIMPLES ASSIM...
Postado por Katia De Carli às 20:44 2 comentários
Marcadores: Amizade, Amor, Lição de Vida, Saudade
terça-feira, 27 de maio de 2014
O POEMA QUE NÃO ESCREVI
Postado por Katia De Carli às 12:13 2 comentários
Marcadores: Amor, Nora Borges, Poetas - Escritores
sábado, 19 de novembro de 2011
UMA COISA LEVA A OUTRA, QUE LEVA A OUTRA, QUE LEVA...
Dedico este post à Kátia GV, ela sabe os motivos; ao Mauricio, por sabê-lo sempre presente mesmo distante e à Vanuza Pantaleão, por não desistir de mim.
Depois que postei a respeito dos buracos negros da minha alma, fiquei, por muito tempo, pensando qual seria o motivo escondido sob esse manto de esquecimento, qual lição deveria aprender.
Estava tão incomodada com a situação que só escrever não bastava. Precisava ir além. Precisava que alguém me ajudasse a entender. Por isso levei o assunto para o meu terapeuta (na verdade mais um anjo que Deus colocou na minha vida). Verbalizando tudo que me ia à alma ele me fez as perguntas perfeitas:
- O que você quer colocar nesses buracos?
- Com o que você vai preencher essas lacunas? A decisão é sua.
Pensei bastante e cheguei à conclusão que estava diante de uma verdadeira oportunidade de aproveitar para deixar fluir todo o meu lado espiritual, deixar aflorar meu sexto-sentido, minhas intuições. Deixar espaço para que meus Anjos falassem através de mim...
Logo depois, em conversa com a minha amiga querida Kátia, sobre assuntos que não vêm ao caso, eu falei a frase “Meu coração está dizendo que você vai ser muito feliz”, daí ela me respondeu que ficava “em suspenso” toda vez que eu começava uma frase com o tal “Meu coração está dizendo...” porque desde que me conhece, por tudo que passamos juntas, meu coração nunca tinha errado, nem nas coisas boas, nem nas más.
Talvez eu precisasse desses buracos para deixar meu coração falar.
E como uma coisa leva a outra, lembrei-me de uma história (ou lenda) que na oportunidade mandei para a Kátia e hoje compartilho com vocês. Essa história me acompanha a tanto tempo que não sei mais se li em algum lugar ou se fui eu mesma que inventei. Mas vamos lá:
Quando nascemos, Deus (ou a Força Superior, Alá, Jeová) nos dá três grandes presentes - a vida, uma estrada e uma carroça. Assim começamos nosso caminho percorrendo nossa estrada, que sempre será só nossa, embora em alguns momentos tenhamos outras estradas ao lado da nossa. E vamos em frente, colocando coisas, pessoas, sentimentos, recordações, alegrias, tristezas, mágoas, ressentimentos... e seguimos enchendo nossa carroça. Em alguns momentos da vida a estrada é reta e asfaltada, em outros há muita lama, buracos, em algumas épocas parece apenas uma trilha... A carroça, com o tempo, vai se enchendo e as rodas começam a ranger, fica pesado puxar, mas a gente não desiste e vamos em frente, até que um dia aparece uma grande pedra (seja uma doença, a perda de um ente querido, uma separação, uma mudança, uma decepção, etc.) e a roda da carroça se prende e ela vira. Tudo que carregamos cai! Sentamos desolados no meio do caminho... choramos, nos entristecemos, até nos desesperamos, mas a estrada é nossa responsabilidade e ela está à nossa espera, então, mais cedo ou mais tarde, temos que retomar o caminho e começamos a colocar nossas coisas na carroça. Mas, à medida que vamos pegando nossas coisas, pessoas, sentimentos, etc. descobrimos que estamos carregando muito peso inútil: são mágoas passadas, recordações tristes, energias negativas, dores desnecessárias... daí começamos a selecionar o que realmente merece ser carregado por nós. Recarregamos nossa carroça e descobrimos o quanto ela está mais leve, mais bonita, arrumada!!! e vamos em frente enquanto a vida existir, carregando nossa carroça, seguindo na nossa estrada... até a carroça começar a ranger novamente e aparecer outra pedra... e tudo começa outra vez. Essa dádiva, de escolher o que colocar na carroça, é o maior presente que Deus nos deu.
Minha carroça virou outra vez! Estou no processo de recolocar nela o que realmente vale à pena... deixar o que não me serve para trás. Deus está me dando uma grande oportunidade de arrumar novamente minha carroça!
Tenham certeza que deixarei para trás muitas culpas, ressentimentos, tristezas... mas as pessoas que carrego no coração, essas não, seguirão comigo eternidade afora.
Descobri que sou do tipo que não descarta gente! (ainda bem!)
Postado por Katia De Carli às 15:38 3 comentários
Marcadores: Amizade, Amor, Confissões, Deus, Vida
segunda-feira, 25 de abril de 2011
SOBRE O AMOR
Estes dias ouvi muita música. É que aqui, no meu cantinho, não tem toque de telefone (não tem sinal de celular de nenhuma operadora), internet então, é coisa de outro mundo, televisão não é meu forte, então virou objeto de decoração (só falta o paninho de crochet de nossas mães), os pássaros só cantam quando querem, resultado: som zero! Até gosto do silêncio, mas em doses pediátricas. O que sobra é ler e trabalhar. Desde que cheguei, tenho trabalhado muito, trabalho braçal (dentro dos meus limites físicos): plantar, lixar, pintar, etc. e todo mundo sabe que esse tipo de atividade não exige nenhum esforço mental. O que me sobra fazer entre o nada e o coisa nenhuma (rs)? Ouvir música! Como foram muitos dias, quase deu para ouvir toda a seleção do pen-drive. Foi assim, ouvindo cantarem tanta coisa que percebi: 80% das músicas que ouço falam de amor. Tem amor para todo gosto: amor eterno, amor fora de hora, amor despedaçado, amor traído, amor platônico... e mais tanto tipo que nem dá para enumerar. Concordo que é muito mais fácil escrever sobre amores perdidos, com o coração em farrapos do que quando estamos alegres. A alegria não é mola propulsora de versos, mas a dor! Ah! A dor! Ela sim é um evento que provoca versos, e na maioria das vezes, versos carregados de tristeza e beleza. Eu poderia listar muita coisa bonita escrita por inúmeros poetas/compositores/autores, mas tem um poema do Paulinho Moska que toca tão fundo no coração (pelo menos no meu) que resolvi postá-lo. Ele canta “Vênus” e depois declama um poema belíssimo! Certas Canções -Tunai e Milton Nascimento - fala em uma de suas estrofes que “Certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim, que perguntar carece, por que não fui eu que fiz?” Pois é, tirando “Metade” do Osvaldo Montenegro, que nem me pergunto porque me falta capacidade para escrever tal poema, esse do Moska, cabe tão bem dentro de mim que carece sim, de perguntar. Compartilho com vocês: Não falo do amor romântico, A vida do amor depende dessa interferência. O amor não é orgânico. O amor, eu não conheço.
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
Postado por Katia De Carli às 11:12 2 comentários
Marcadores: Amor, Paulinho Moska
terça-feira, 12 de abril de 2011
DIVAGAÇÕES
Postado por Katia De Carli às 23:38 5 comentários
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
PROCURA
Ela saiu do hotel sem explicações e sem olhar para trás.
Mesmo porque nem mesmo sabia para onde ia.
Caminhava tranqüila, passos firmes, porém lentos, em contraste com a multidão que passava a largos passos a seu lado.
Ela não tinha pressa.
A única coisa que queria era percorrer cantos, recantos e no olhar de encanto já esquecido, encontrar o que só ela sabia que perdera há anos, muitos anos atrás.
E assim foi.
Parques, avenidas, cinema, em cada pedacinho olhava atenta para ver se encontrava.
No seu olhar não havia mais tristeza nem lágrimas.
Olhar seco de mulher vivida, olhos límpidos, sem mágoas.
Sentou num banco do parque, relembrou as histórias que ouviu. Relembrou, palavra por palavra, de quando ouvira pela primeira vez sobre o Dia do Perdão.
Nesses anos ela aprendera a perdoar.
Porém, o perdão mais difícil, ela só conseguiria se encontrasse o que perdeu nessa cidade dantes desconhecida.
Não adiantou.
Por mais que relembrasse, andasse, procurasse... não encontrava.
Desistiu.
Viveria assim, sem aquela parte tão especial que havia, sem se dar conta, deixado escapar.
Arrumou a valise.
Pagou a conta do hotel. (Sempre o mesmo hotel!)
Tomou o táxi e encaminhou-se para o aeroporto.
Somente lá se deu conta que era um lugar que não havia procurado.
Despachou a valise.
Subiu um andar.
Entrou na capela.
E encontrou...
No ato de perdoar a si mesma, achou a alma que, por amor, havia perdido.
Postado por Katia De Carli às 20:42 3 comentários
terça-feira, 7 de setembro de 2010
SOBRE O TEMPO & AUSÊNCIA & SAUDADE
Postado por Katia De Carli às 13:37 5 comentários
Marcadores: Amizade, Amor, Confissões, Livros e Leituras, Memórias de um viajante do tempo, Patrick Drouot, Poetas - Escritores
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
HANAMI - CEREJEIRAS EM FLOR

Para Alê Marques, Camila e Daniela Sanches,
Para falar sobre esse filme tenho que voltar no tempo...
Ao me aposentar, já com filhos criados, resolvi prestar vestibular para jornalismo. Não havia dinheiro para faculdades particulares, este estava destinado aos filhos, caso necessitassem. Fui, sem esperança, para a Federal. Passei!
No primeiro dia de aula me apresentei vestida de tailleur, bem maquiada, salto oito, cabelo preso em coque. Deparei-me com 39 adolescentes, jeans, camiseta, bermudas, shorts, profusão de pernas, vozes, energia.
Aos poucos fomo-nos conhecendo. Acho que eu os amei primeiro.
Eu procurava ensinar-lhes da vida, ser a confidente, o colo.
Eles me alimentavam de juventude, ensinaram-me a usar jeans, camiseta e tênis. Rejuvenesceram-me.
Ganhei mais de uma dúzia de filhos espirituais.
Ora filhos, ora irmãos, sobrinhos, pais... e essa troca, quase quinze anos depois, persiste.
Foi Alê Marques (uma filha/mãe/irmã/amiga de faculdade) quem postou no Facebbook a frase “O paraíso é onde a felicidade está”. Vieram os comentários da Camila, da Dani e o desejo de assistir ao filme Hanami – Cerejeiras em Flor. Fui ontem! Valeu cada minuto, cada reflexão, cada emoção.
O filme conta a história de um casal sessentão de alemães, o que poderia levar-nos a esperar algo um tanto enérgico e frio.
Apenas Trudi sabe que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal e ela precisa decidir se vai contar a ele ou não. O médico sugere que eles façam algo juntos, como realizar um velho sonho. Trudi decide não contar ao marido sobre a gravidade de sua doença e aceita o conselho do médico.
Ele, metódico, é convencido a visitar os filhos em Berlim. Lá descobrem que não mais conhecem os filhos. Descobrem, também, que os filhos os consideram um estorvo.
Decidem ir rever o mar... É nessa segunda viagem que Rudi aceita fazer com a esposa, que ela morre repentinamente. Rudi fica devastado e perdido. Através do contato com a amiga de sua filha, Rudi compreende que o amor de Trudi por ele havia feito com que ela deixasse de lado a vida que queria viver. Ele começa a vê-la com outros olhos e promete compensar sua vida perdida embarcando em uma última jornada, para o Japão, na época do festival das cerejeiras, uma celebração da beleza, da impermanência e de um novo começo.
É um aviso sobre a efemeridade das moscas, cerejeiras e vidas.
E o paraíso? Ainda acredito que está dentro de nós, na forma de sonhos. Pode ser a Acrópole, Macchu Picchu, Pirâmides ou um beijo apaixonado numa noite de luar.
Só não podemos adiar sua realização.
As cerejeiras duram poucos dias!
Ficha Técnica:
Hanami – Cerejeiras em Flor (KIRSCHBLÜTEN – HANAMI) - 2008 – Alemanha
diretor: Doris Dörrie
roteiro: Doris Dörrie
fotografia: Hanno Lentz
montagem: Inez Regnier, Frank Müller
música: Claus Bantzer
elenco: Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Nadja Uhl, Maximilian Brückner, Birgit Minichmayr
produtor: Molly von Fürstenberg, Harald Kügler
produtora: Olga Film GmbH
Postado por Katia De Carli às 08:34 6 comentários
Marcadores: Amor, Filmes, Hanami Cerejeiras em Flor, Morte
quinta-feira, 22 de julho de 2010
PALAS DE REI – MELIDE

Erro fatal!
Acordamos com uma voz esganiçada (linguajar mineiro da Cris) aos berros, xingando e gritando que já tinha passado da hora de peregrino estar na estrada. Levei um susto tão grande que passei a juntar coisas, escovar dentes, lavar rosto, tudo ao mesmo tempo. Era a hospitaleira, que de hospitaleira só tinha o nome. Colocou todo mundo para fora, não respeitou Orlando e Micheline, um casal já “mais experiente”, tampouco o grupo de excepcionais.
Resolvemos fazer o desdejum num bar bem em frente ao albergue... segundo erro em tão pouco tempo!
As torradas vieram da parte reservada do restaurante já lambrecadas com uma coisa que parecia geléia passada da validade, rançosa. Uma senhora velha, gorda e porca, que limpava as mãos e o rosto com o mesmo pano que limpava o balcão, nos serviu rindo e mostrando os dentes todos estragados, sem contar o cheiro... A soma de tudo revolveu meu estômago e eu e Mauricio saímos sem comer, mas pagamos. A Madre Cristina de Calcutá ficou e comeu, por pena da senhora... Nós comemos em outro lugar.
E pé na estrada!
Também já eram 9 horas, isso lá é hora de peregrino sair? rs
Apesar da hora tinha muita neblina. Para nossa surpresa caminhamos muito tempo por dentro de bosques, o que foi muito agradável, mas não impediu do meu pé logo dar sinal de vida (ou de morte!). Porque volta e meia, ou melhor, subida e descida, apareciam uns atoleiros danados e difíceis de ultrapassar. Aí vocês podem perguntar, mas porque a demente não foi pelas pedras? As pedras acabavam no meio maior do lamaçal.

Chegamos cedo a Melide e pra variar a primeira coisa que fomos ver foram os banheiros. Só um chuveiro tinha porta. Eu e Cris corremos para tomar banho antes que ficássemos abertas à visitação pública nos boxes sem nem uma cortininha... água escaldante! Deliciosa!!!
Cris foi descansar e eu fui lavar roupa, comprar comida, coisa básica!
Quando voltei a Cris disse que ia sair para almoçar, eu e Mauricio já havíamos comido e ficamos no albergue.
Daí um tempo chega a Cris revoltada e rosada, para não dizer roxa, dizendo que tinha visto um anúncio num restaurante de um arroz com frango, naquela altura estávamos loucos para comer arroz, daí ela pediu... veio salada de entrada e foi só o que ela conseguiu comer, o tal arroz estava intragável, e enquanto tentava comer “encheu os chifres de vinho rosé”.
Convidei a Cris para conhecermos a cidade, calçada com Havaianas é claro!
Fachada da Iglesia de la Virgen de las Nieves - Leboreiro (caminho)
Quando estávamos de volta ao albergue só ouvi a Cris conversando em portunhol com um desconhecido e dizendo: “A Kátia sabe. Ela sabe tudo”, fiquei curiosa e fui ver. Era o marido de Ângeles que havia conseguido uma folga e estava percorrendo o Caminho de bicicleta em busca da esposa. Peguei minhas anotações, vi a última vez que estivemos juntas, mais os cálculos de bruxa e disse: Pode pedalar até Arzúa que ela está lá.
E não é que estava mesmo!!!!
A gente evitava conversar sobre o dia seguinte. Nosso tempo estava se esvaindo. Santiago chegando... e ao mesmo tempo uma vontade louca de continuar no Caminho...
Nem fotos eu queria mais tirar... era como se começasse a abrir um rombo dentro do meu peito, neste rombo tinha medo, tristeza, lágrimas não vertidas, palavras não ditas, saudade antecipada.
A chegada, ao mesmo tempo que representava nossa vitória, representava também adeus, despedida... e é tão triste separarmos daqueles que aprendemos a amar.
No coração só a certeza que nunca mais era nunca mais mesmo.
Postado por Katia De Carli às 01:00 7 comentários
Marcadores: Amizade, Amor, Memórias, Peregrino, Santiago de Compostela, Viagens
domingo, 18 de julho de 2010
PORQUE EXISTIU UM DIA, UM 18 DE JULHO...

Porque houve um dia um 18 de julho
E por um instante reconheci na multidão
Aquele que veio a este mundo para me encontrar
E vi estrelas num olhar de céu e mar
E descobri o porto seguro onde ancorar minha vida turbulenta
E senti o calor que aquece coração
Porque houve um dia em que meus olhos pararam de procurar
E minha alma se aquietou num abraço
E conheci o sabor de mel do beijo único
E nunca mais minha vida foi a mesma
Porque se encheu de luz, amor, poesia,
Que seguem comigo, aonde eu for...
E dele sempre será,
Até a eternidade, e se houver um fim,
A melhor parte de mim.
Tudo isso porque houve um dia...
Postado por Katia De Carli às 04:37 5 comentários
Marcadores: Amor, Aniversário, Poemas
domingo, 11 de abril de 2010
AMORES, VIDA & MÚSICA
NÃO NECESSARIAMENTE NESTA ORDEM

Sou daquele tipo de pessoa que está sempre pensando. Tudo bem, sei que todos nós pensamos incessantemente, mas sou daquelas que prestam atenção aos pensamentos (na maioria das vezes).
Esses dias estava pensando em como a doença que me acometeu (Síndrome de Sjögren + Vasculite) e que me derrubou por exatos, neste momento em que escrevo, 1 ano, 2 meses e 4 dias, mudou minha vida.
Desde pequena, como já disse uma vez, como eu não era “a mais” em nada – beleza, dinheiro, etc. – passei a estudar mais do que ninguém para ser pelo menos bem sucedida. Então, era uma disputa feroz, no primário, pelos distintivos dos três primeiros lugares da classe. Quando eu tirei meu primeiro 7,0 – já na quinta série – chorei o dia inteiro, porque aquela não era nota para mim e carreguei uma raiva danada da professora por muito tempo. A raiva passou, claro, mas a lembrança não, acho que vem daí meu trauma com Geografia. Foi nessa época que comecei a escrever meus versos, pensamentos, num velho caderno que permanecia escondido, fechado a sete chaves. Era ele meu confidente, como na música:
"Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel..."
Cresci, não muito, e embora não sendo “a mais”, era popular. Nunca ficava sem namorado! Naquela época eu cantava “e que tudo mais vá pro inferno”... e seguia adiante quando o namoro terminava.
Mas amor, amor de verdade, Amor com letra maiúscula, foram três.
O primeiro, ainda na adolescência, abandonou-me, sem mais delongas, por conta de uma fofoca. Por muito tempo fiquei a cantar:
"Vem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber
Como vai você"
Desse primeiro amor herdei o medo de amar, da entrega sem limites, de me apaixonar... Daí passei a namorar só três meses. E avisava ao pretendente, eu só namoro três meses! (rs) Raciocinem comigo: é o tempo exato de só viver coisa boa, sem se apaixonar. Assim não corria risco de sofrer. Como estava enganada!
Amei novamente, inesperadamente, e foi entrega total, amor avassalador, fora de tempo... daí, até hoje, eu canto:
"Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...
Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder..."
Meu terceiro amor foi construído na convivência, no dia a dia, sem urgências... para ele eu canto, um canto que poucos conhecem:
“Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui”
Assim a vida foi passando, as coisas acontecendo e de quando em vez eu padecia de alguma doença. Deste modo comecei a partir, aos pedaços. O primeiro foi um pequeno pedaço do seio, mas eu era tão jovem que nem cheguei a me afligir. Como é boa a ignorância!
Quando perdi o útero, depois de anos de sofrimento, eu só pensava para quê eu iria querer aquele órgão, para mim só servia para duas coisas, ter filho e câncer, filhos eu já tinha tido, câncer não iria de ter. Nessa época vivia tão atarefada que nem tinha tempo para pensar, cantar então...
Depois foram embora a tireóide, a vesícula, alguns pedaços de ossos que não deveriam ter se desenvolvido e eu ainda fazia piada, toda vez perguntava pro meu cirurgião quais pedaços ainda poderia perder sem passar para o lado de lá! Só de brincadeira cantava “Oh pedaço de mim...” e emendava com alguma bobagem acerca de órgãos humanos.
Mas a vida não é uma piada, houve um tempo tão triste, cheio de dor, que fiquei seca, estática, muda... desse nem música tem...
Voltando à doença recente, por conta dela passei quase um ano sem ir a nenhum compromisso social, as dores me impediam... Até que esses dias, já mais aliviada, resolvi ir a um aniversário! Estava marcado para as 7:30 h. Como sempre fui ultra rápida para me arrumar, era só falar vamos! em 15 minutos estava pronta! Mas para ter folga comecei a me arrumar 7 horas. Não olhei para o relógio. Como era uma reunião de mulheres eu iria só, então não tinha ninguém para me alertar. Quando cheguei à festa minha comadre falou: - Pensei até que você não vinha! Que bom que está aqui!
Foi então que descobri que eram quase 8:30 h. Ou seja, meu tempo mudou.
Foi um choque!
Busquei, então, o que mais havia mudado em mim além do inchaço do excesso de corticóide. Enchi meus filhos, marido, irmã, etc. de perguntas e eles, meio a contragosto, confessaram que minha memória mudou: não lembro mais os números de telefones que antes trazia de cor; tenho lembranças, que juro serem verdade, e que nunca existiram; minha agenda de aniversários, que trazia na memória, apagou-se; vou pegar alguma coisa e quando chego ao lugar não lembro mais o que era; tenho certeza que conheço pessoas que nunca vi (e mato meus filhos de vergonha); entre outras coisas. Disfarço o embaraço que também sinto, engulo as lágrimas e sigo em frente, com vontade de morrer... sem trilha sonora.
Agora preciso aprender a viver nesse outro compasso.
Preciso conhecer, e aceitar, minhas limitações, não só as físicas.
Preciso me re-conhecer.
E eu, que a vida inteira cantei:
“...Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama
Vive a mulher...
Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque”
Estou, aos poucos, e não sem sofrimento, aprendendo a cantar:
“Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais...”
Postado por Katia De Carli às 15:07 17 comentários
Marcadores: Amor, Confissões, Doença, Música, Vida
sábado, 20 de março de 2010
MAIS UMA DE AMOR...
Postado por Katia De Carli às 09:00 7 comentários
Marcadores: Amor, Poemas, Poetas - Escritores
sábado, 30 de janeiro de 2010
CORREIO SENTIMENTAL
Para Tide,
Apesar de não ser especialista nestas questões, talvez a vivência de tudo que passei me habilite a tentar analisar e responder.
Você perguntou se é possível sentir saudade de alguém que não se conhece. Devolvo com uma pergunta: existe alguém no mundo que a gente possa dizer que realmente conhece? Não conhecemos nem nós mesmos...
Existem pessoas que a gente já viu milhares de vezes e não conhecemos...
Existem pessoas que a gente nunca viu olho a olho e que conhecemos muito mais que nosso vizinho de porta.
Existem pessoas especiais, que basta uma palavra, uma demonstração de afeto (seja um cartão, uma foto ou um cd caseiro de MPB) e se deixam mostrar escancarando a alma, porque sabem que quem está do outro lado também escancara sua alma, sem pudor. É a confiança construída a cada conversa, a cada “teclada”...
Então, minha tese é que não existem pessoas que não conhecemos, existem pessoas que a gente não encontrou pessoalmente, ainda, mas que conhecemos e amamos.
E o amor gera saudade... qualquer espécie de amor.
Mesmo aquele amor que parte o coração, deixando como “carne moída”.
Depositamos nossa esperança, todo nosso amor, carinho, devotação a uma pessoa. Passamos a viver na espera do retorno - ainda não somos tão evoluídos a ponto de amar por amar, para nós o amor tem que ser pista de mão dupla – e não perguntamos ao outro se ele está colocando na relação todo o seu amor, carinho, etc. também. E na maioria das vezes, a relação é de mão única. E quando acaba, quase sempre de um lado só, sobra um velho coração despedaçado, desesperançado, doído a ponto de se sentir dor física.
Quando isso acontece queremos morrer junto com nosso coração.
Os dias vão passando, a dor vai diminuindo aos pouquinhos... mas não acaba! Nunca! Carregamos no olhar a dor daquele amor perdido. É como queimadura, a cicatriz permanece por todo sempre a lembrar aquele amor não vivido.
Amor perdido é amor eterno!
FIM
Não existe nada mais doído
Do que o fim de amor.
Amor idealizado,
Amor conquistado aos poucos,
Amor!
Num ímpeto de raiva
Tentei apagar os vestígios
De sua passagem pela minha vida.
Queimei cartas, recados, retratos,
Apaguei seu nome da minha agenda,
Não mais passei pela sua rua,
Nunca mais ouvi “nossas” músicas.
As lágrimas vieram uma a uma,
Lavei com elas minha alma,
Minha mágoa,
Minha dor.
Com o passar dos anos a gente consegue
Enganar até mesmo a memória,
Achando que esqueceu.
Achei que tinha esquecido você.
Só muito tempo depois descobri
Que o amor dói mesmo muito depois do seu fim.
Dói a cada encontro,
A cada olhar,
A cada recordação.
O fim de um amor a gente até supera
Mas não esquece não.
Postado por Katia De Carli às 13:17 8 comentários
Marcadores: Amizade, Amor, Cartas, Crônicas, Poemas, Poetas - Escritores









