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sábado, 5 de setembro de 2015

DIA DO IRMÃO


Irmão é aquela pessoa que existe (ou não) na sua vida, desde sempre, para sempre (ou não).
Pode ser consaguíneo e também por adoção.
Pode estar perto ou longe.
Pode pensar como você ou ser completamente diferente.
Pode parecer fisicamente e pode ser distinto em todas as formas.

Quando você o conhece, reconhece e daí torna-se irmão também.
Pode estar distante, mas nunca ausente.
Mas irmão que merece esse título é aquele que, apesar das diferenças, dos embates, etc. está ao seu lado sempre, para o que der e vier, te defende, te protege, te guarda no lugar mais especial do coração.
Irmão é dádiva de Deus para nos dar suporte na caminhada.
Eu tenho uma irmã maravilhosa (embora muito diferente de mim) que amo muito!
E você? Já aceitou seu irmão como ele é?

quarta-feira, 30 de julho de 2014

DA SÉRIE SIMPLES ASSIM...


sábado, 31 de dezembro de 2011

OBRIGADA, ANO VELHO!



Muitas vezes, quando chegamos ao final de um ano, cantamos: Adeus ano velho, feliz ano novo...
Desta vez recuso-me a dizer adeus ano velho, prefiro, mil vezes, dizer: Obrigada! Obrigada ano velho!
2011 foi um ano inesquecível.
Quando a gente passa por momentos de aflição, de risco de vida, algum trauma... é impossível sair da situação sem que algo mude em nossa vida.
Então, nesse ano que se finda, quero fazer um balanço das coisas maravilhosas que 2011 me proporcionou:
- Retomei (ainda que de forma lenta) as rédeas da minha vida. A dor não mais me imobiliza;
- Voltei a dirigir (Viva eu!!!!);
- Venci o medo de sair sozinha;
- Aprendi a valorizar as pequenas coisas, como o raio de sol que me aquece e a chuva que me molha, estou viva e não sou feita de açúcar;
- Voltei a viajar;
- Não tenho mais a pretensão de ser perfeita;
- Não tenho mais o medo de parecer ridícula;
- Ganhei novos amigos, sem nunca me descuidar dos antigos. A amizade é para ser cultivada.
- Amo, hoje, muito mais que ontem. Amo a vida, a mim mesma, ao próximo, a natureza... amo!!!
Então... não, não vou dizer adeus a 2011, vou carregá-lo comigo como dádiva Divina...
E que venha 2012, com muita saúde e amor (o resto a gente aprende com o tempo que é só resto).
Obrigada meus amigos, presentes e ausentes, conhecidos e ainda por conhecer, por estarem comigo em todos os momentos, por fazerem da minha vida uma vida mais valiosa, por me aturarem... obrigada!
Ah! E a neve? Tem gosto sim... só não sei dizer qual é! Acho que preciso voltar a comer, sem medo de parecer louca ou ridícula!
Um grande beijo a todos.

sábado, 19 de novembro de 2011

UMA COISA LEVA A OUTRA, QUE LEVA A OUTRA, QUE LEVA...

Vista do meu cantinho... a névoa não é eterna...

Dedico este post à Kátia GV, ela sabe os motivos; ao Mauricio, por sabê-lo sempre presente mesmo distante e à Vanuza Pantaleão, por não desistir de mim.

Depois que postei a respeito dos buracos negros da minha alma, fiquei, por muito tempo, pensando qual seria o motivo escondido sob esse manto de esquecimento, qual lição deveria aprender.

Estava tão incomodada com a situação que só escrever não bastava. Precisava ir além. Precisava que alguém me ajudasse a entender. Por isso levei o assunto para o meu terapeuta (na verdade mais um anjo que Deus colocou na minha vida). Verbalizando tudo que me ia à alma ele me fez as perguntas perfeitas:

- O que você quer colocar nesses buracos?

- Com o que você vai preencher essas lacunas? A decisão é sua.

Pensei bastante e cheguei à conclusão que estava diante de uma verdadeira oportunidade de aproveitar para deixar fluir todo o meu lado espiritual, deixar aflorar meu sexto-sentido, minhas intuições. Deixar espaço para que meus Anjos falassem através de mim...

Logo depois, em conversa com a minha amiga querida Kátia, sobre assuntos que não vêm ao caso, eu falei a frase “Meu coração está dizendo que você vai ser muito feliz”, daí ela me respondeu que ficava “em suspenso” toda vez que eu começava uma frase com o tal “Meu coração está dizendo...” porque desde que me conhece, por tudo que passamos juntas, meu coração nunca tinha errado, nem nas coisas boas, nem nas más.

Talvez eu precisasse desses buracos para deixar meu coração falar.

E como uma coisa leva a outra, lembrei-me de uma história (ou lenda) que na oportunidade mandei para a Kátia e hoje compartilho com vocês. Essa história me acompanha a tanto tempo que não sei mais se li em algum lugar ou se fui eu mesma que inventei. Mas vamos lá:

Quando nascemos, Deus (ou a Força Superior, Alá, Jeová) nos dá três grandes presentes - a vida, uma estrada e uma carroça. Assim começamos nosso caminho percorrendo nossa estrada, que sempre será só nossa, embora em alguns momentos tenhamos outras estradas ao lado da nossa. E vamos em frente, colocando coisas, pessoas, sentimentos, recordações, alegrias, tristezas, mágoas, ressentimentos... e seguimos enchendo nossa carroça. Em alguns momentos da vida a estrada é reta e asfaltada, em outros há muita lama, buracos, em algumas épocas parece apenas uma trilha... A carroça, com o tempo, vai se enchendo e as rodas começam a ranger, fica pesado puxar, mas a gente não desiste e vamos em frente, até que um dia aparece uma grande pedra (seja uma doença, a perda de um ente querido, uma separação, uma mudança, uma decepção, etc.) e a roda da carroça se prende e ela vira. Tudo que carregamos cai! Sentamos desolados no meio do caminho... choramos, nos entristecemos, até nos desesperamos, mas a estrada é nossa responsabilidade e ela está à nossa espera, então, mais cedo ou mais tarde, temos que retomar o caminho e começamos a colocar nossas coisas na carroça. Mas, à medida que vamos pegando nossas coisas, pessoas, sentimentos, etc. descobrimos que estamos carregando muito peso inútil: são mágoas passadas, recordações tristes, energias negativas, dores desnecessárias... daí começamos a selecionar o que realmente merece ser carregado por nós. Recarregamos nossa carroça e descobrimos o quanto ela está mais leve, mais bonita, arrumada!!! e vamos em frente enquanto a vida existir, carregando nossa carroça, seguindo na nossa estrada... até a carroça começar a ranger novamente e aparecer outra pedra... e tudo começa outra vez. Essa dádiva, de escolher o que colocar na carroça, é o maior presente que Deus nos deu.

Minha carroça virou outra vez! Estou no processo de recolocar nela o que realmente vale à pena... deixar o que não me serve para trás. Deus está me dando uma grande oportunidade de arrumar novamente minha carroça!

Tenham certeza que deixarei para trás muitas culpas, ressentimentos, tristezas... mas as pessoas que carrego no coração, essas não, seguirão comigo eternidade afora.

Descobri que sou do tipo que não descarta gente! (ainda bem!)



terça-feira, 19 de julho de 2011

AMIGOS E ANJOS

Quem me conhece sabe que a vida nem sempre foi a mãe carinhosa que desejei. Em muitos momentos ela esteve mais para madrasta da Cinderela! Mas chega um momento que a gente pára para pensar sobre o que vivemos e percebemos que deixamos de aproveitar inúmeras oportunidades de crescimento porque estávamos ocupados demais em nos sentirmos culpados, tristes, com pena de nós mesmo, etc.

Queria aproveitar essa semana em que se comemora o Dia do Amigo e que recebemos inúmeras mensagens sobre esse tema para refletir sobre os meus amigos.

Tenho amigos de todos os tipos, cores, espécies, credos, nacionalidades, idades, etc.

Sou mesmo afortunada:

- Tenho amigas que foram amigas da minha mãe e que ela me deixou como herança valiosa;

- Tenho amigas da mesma faixa etária e que poderiam ser minhas irmãs, ou melhor, são minhas irmãs, de coração;

- Tenho amigos que poderiam ser meus filhos;

- Tenho amigos que conheci mundo afora e que nunca mais perdi;

- Tenho amigos que posso passar anos sem ver, mas é como se nunca tivéssemos nos separado, tamanho o amor que nos une;

- Tenho amigos que amo de paixão e que nunca vi (porque conhecer é outro departamento);

- Tenho amigos distantes fisicamente, mas eternamente dentro do meu coração;

- Tenho amigos me esperando em cada estação, daqui e do lado de lá.

Na verdade, tenho é muitos, muitos amigos.

Parece até que tenho o dom de agregar pessoas, então, não perco amigos.

Assim sendo, descobri que Deus – que não canso de repetir – é muito generoso comigo e Ele, em todas as minhas dificuldades, nos tropeços da vida, nas curvas e encruzilhadas que eu tive que enfrentar, foi semeando ANJOS na forma de AMIGOS para que a vida não fosse tão cruel comigo.

Por isso, a todos os ANJOS da minha vida: Feliz Dia do Amigo!

Esse post eu dedico a todos os meus amigos, mas, em especial, ao Maurício, Vanuza e Kátia (eles sabem o motivo)

segunda-feira, 7 de março de 2011

COMEMORANDO A VIDA


Numa carta que Albert Einstein escreveu a seu amigo Max Bom ele diz: "Deus não joga dados com o universo".
Gosto muito de citar essa frase sempre que alguma coisa que ultrapassa minha limitada compreensão dos fatos me acontece. Então, vamos por partes:
Foi meu aniversário, sábado de carnaval, dia de alegria e festa (não, não necessito votos de felicidades, só preciso de saúde, o resto é acréscimo!). No entanto, sem uma explicação plausível, eu me sentia triste.
Talvez triste não seja a palavra exata para explicar meu sentimento, estava mais para nostalgia, falta de algo que não se sabe o quê.
Por várias vezes meu marido me perguntou se aquela melancolia que me ia n'alma era por causa da velhice chegando. Não era! Ela já chegou faz tempo e não me assusta!
Recebi inúmeras mensagens de amigos queridos (ainda vou conseguir responder um a um, pelo menos até o próximo aniversário), telefomenas, amigos e família reunidos. Tudo perfeito. Mas não estava...
À noitinha, uma amiga muito querida me telefonou e me disse que queria um presente, que eu voltasse a escrever neste espaço. Estávamos as duas, depois de muitos perrengues, apaziguadas. Aceitando o tempo de Deus e seus desígnios com a certeza de que Ele não joga dados. Mas ficou alguma coisa por ser dita, um buraquinho que não conseguimos, desta vez, preencher com nossa conversa.
Pouco tempo depois me chega a notícia de que um grande amigo havia partido para outras paragens.
Tive que colocar meu lado prático em ação, pois seu filho (e família) aqui estava para passar o carnaval e necessitava voltar para Belo Horizonte.
Apesar de todo o conhecimento que acredito ter do "lado de lá", nada nos prepara para a separação provisória daqueles que amamos.
Achei que a tristeza era o pressentimento do estava por vir.
Mais tarde, essa mesma amiga que me disse que deveria comemorar a vida voltando a escrever, passou por uma grande tristeza e eu não tive como confortá-la, abraçá-la, dar o colo que ela precisava.
Então, alegre ou triste, aqui estou. Cumprindo o que prometi. Mas sem saber direito o que escrever.
Foi então que me lembrei de um lindo poema que minha irmã me mandou no aniversário do ano passado e achei que ele serviria para esse meu novo momento e também para minha amiga.
Um grande beijo a todos e estou de volta!

Mulher de Minutos

(Autora: Monica Montone)

Não sou mulher de minutos
daquelas que os segundos varrem
para debaixo do tapete sujo.
Não pinto os cabelos de fogo,
nem faço tatuagem no umbigo.
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga.
Há sementes em meu ventre:
são palavras que ainda não reguei.
Prefiro guardá-las em silêncio
até que o tempo amadureça meus minutos
e a vida me contemple com seus frutos.
Não borro meus cílios na solidão da noite,
nem pinto meu rosto com a palidez da manhã.
Meu corpo é feito de marés
onde navegam mil anseios,
veleiros sem direção.
Estou sempre na contramão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

PELO CAMINHO


Amigos do Caminho

Caminhando pela estrada das estrelas
Palmilhando o norte da Espanha,
Nunca pensei pudesse crescer tanto
Junto àquela gente, a princípio, estranha.
Foi no caminho que aprendi
O significado da amizade verdadeira,
Que ultrapassa credo, cor, posição social,
Que quebra toda barreira.
Quando as dificuldades da língua
Tornavam impossível a compreensão
Aprendi a falar e escutar
Somente com o coração.
Aprendi o real significado
De palavras como tolerância e paciência,
Que às vezes temos que rever conceitos,
Que não podemos nos deixar levar pela aparência.
O caminho nivela a todos
Consegue a todos igualar
Pois ficamos reduzidos
Ao que suportamos carregar.
Tanta amizade sincera
Fiz por estas paragens,
Um sentimento tão profundo
Que não se vê em conhecidos de viagens.
Amigos que se foram,
Outros que deixei para trás,
Alguns que ainda seguem comigo
Outros que sei, não verei nunca mais.
E agora, meus companheiros queridos,
Que o caminho chega ao fim
Sobrou este vazio imenso,
A alma em chamas, esta dor em mim,
Este não saber o que fazer,
Pois a cada passo que dou
Se me aproxima de Deus,
Mais me afasta de vocês.


Arca - Espanha



terça-feira, 7 de setembro de 2010

SOBRE O TEMPO & AUSÊNCIA & SAUDADE


Faz tempo que não apareço, eu sei... vocês não merecem tanta ausência, mas nem sempre as coisas são como gostaríamos, mesmo assim seguimos em frente, aos trancos e barrancos, mas sempre em frente...
Quanto eu falei que ia terminar a Saga do Caminho de Santiago me deu uma angústia igual à que senti na Espanha e que aumentava a cada passo que dava para o destino final.
Como vivemos em sintonia com aqueles que amamos, logo recebi um e-mail do Mauricio pedindo que eu fosse bem devagarzinho, que ele não estava preparado, ainda, para terminar pela segunda vez nossa caminhada.
Com isso fui adiando, a dor aumentando, a angústia a apertar-me o peito, a saudade como poço que a cada dia fica mais fundo.
Daí apareceram compromissos inadiáveis, problemas recorrentes e eu, todos os dias, dizia a mim mesma: Hoje escrevo!
Mas esse hoje nunca chegava. Estava a boicotar-me, inconscientemente.
Comecei a pensar sobre a relatividade do tempo, das amizades, da ausência. Buscava encontrar algo que preenchesse um pouquinho essa saudade de gente que não conheço, de gente que partiu, para outro mundo ou esse mesmo mundo, de amores e amigos que perdi ou me perderam. Gente que não vejo, que não abraço, que não conforto nem me conforta. Gente que eu queria pertinho de mim. Gente assim como o Mauricio, a Vanuza, a Kátia, a Jussara e tantas outras que amo e não vejo, ou ainda não vi frente a frente.
Às vezes fecho os olhos e tento traçar, no espaço, as linhas desses rostos amados e não consigo. É triste.
Daí, como não existe coincidência, meu analista sugeriu-me ler Memórias de um Viajante do Tempo, de Patrick Drouot. Lá encontrei uma passagem em que ele diz:
- “O temps, suspends ton vol” (Tempo: suspende o vôo), implorava Lamartine. Mas o grito do poeta é impotente para deter o curso dos segundos, das horas, dos dias que passam. O tempo, pelo menos do modo como o concebeu o homem moderno desde o Renascimento, é principalmente “fuga”. Em nosso cotidiano, ele possui uma dimensão única, além de ser unidirecional em seu escoamento. Irreversível, empurra-nos inexoravelmente do passado para o futuro sem a possibilidade de voltar atrás.”
Isso veio exatamente quando tudo o que mais desejava era voltar no tempo...
Embora creia que carregamos todos os afetos, amores, amizades de todas as nossas vidas num compartimento secreto e oculto para nosso próprio bem... que nunca estamos sós... que tudo é relativo...mas como seguir em frente sem vocês?
Embora creia piamente na imortalidade da alma, como viver com esse anseio pela presença das almas que sei que amo de outras vidas?
Poderia listar as coisas que me fizeram ausentar-me tanto tempo... mas que importam coisas corriqueiras diante de tamanha solidão?
Por isso meus queridos, ficamos assim: minha ausência deveu-se da minha luta para deter o tempo e trazer para perto de mim aqueles que amo e que estão longe...
Só a presença no meu coração, neste momento, não basta...
Mas eu volto, sempre volto!
Alguém tem aí um tarja preta?
Beijos!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

PALAS DE REI – MELIDE


E a saga segue seu curso... não sem antes agradecer ao meu querido Anjo da Guarda Mauricio, que mesmo quando eu xingo, não respondo, nem assim ele fica com raiva de mim... e ainda scaneia as fotos que eu não tirei!!!! ...Ah! nem adianta mandar largar do seu pé que é karma! ... Sei, também te amo, meu amigo!rs

Essa foto eu não poderia deixar de lado porque rendeu-nos boas gargalhadas... A gente passava e, às vezes, do nada, aparecia uma construção suspensa, com cruzes, elementos bíblicos, ora de madeira, ora de tijolo, e a gente tentava descobrir o que era, tentava "futucar" nas frestas, mas nada... como a maioria ficava no campo eu cismei que era onde eles colocavam os mortos. Um dia a Cris se encheu de razão, pegou um pedaço de pau e começou a tentar abrir uma fresta maior, nisso eu vim de trás, fiz "UUUUUUUUUUUUUUUU" e saí correndo fingindo estar assustada... ela disparou e só parou quando me viu me dobrando de rir... quase me bateu!

Daí nós resolvemos deixar de ser orgulhosos e perguntamos (o Mauricio, claro, a boa parte sempre sobrava para ele): Pois bem, chama-se Hórreo, também conhecido como Cabazo, Cabaceiro(a), Canastro ou Piorno é uma construção popular da região da Galícia, mas que se estende em outras zonas no norte ibérico. É destinada a secar, guardar e conservar o milho e outros cereais de ataques de ratos. Tem todo um simbolismo econômico na sua origem, quanto maior o Hórreo, maior a riqueza dos proprietários.
Este foi por fotografo por Mauricio em Gonzar, na saída de Portomarín.


Havíamos combinado percorrer só 15 km. Acredito que Cristina e Mauricio tenham feito esse acordo por piedade, mas não deixaram transparecer, e como estávamos muito bem acomodados e acompanhados nem nos preocupamos com as horas...

Erro fatal!

Acordamos com uma voz esganiçada (linguajar mineiro da Cris) aos berros, xingando e gritando que já tinha passado da hora de peregrino estar na estrada. Levei um susto tão grande que passei a juntar coisas, escovar dentes, lavar rosto, tudo ao mesmo tempo. Era a hospitaleira, que de hospitaleira só tinha o nome. Colocou todo mundo para fora, não respeitou Orlando e Micheline, um casal já “mais experiente”, tampouco o grupo de excepcionais.

Resolvemos fazer o desdejum num bar bem em frente ao albergue... segundo erro em tão pouco tempo!

As torradas vieram da parte reservada do restaurante já lambrecadas com uma coisa que parecia geléia passada da validade, rançosa. Uma senhora velha, gorda e porca, que limpava as mãos e o rosto com o mesmo pano que limpava o balcão, nos serviu rindo e mostrando os dentes todos estragados, sem contar o cheiro... A soma de tudo revolveu meu estômago e eu e Mauricio saímos sem comer, mas pagamos. A Madre Cristina de Calcutá ficou e comeu, por pena da senhora... Nós comemos em outro lugar.

E pé na estrada!

Também já eram 9 horas, isso lá é hora de peregrino sair? rs

Apesar da hora tinha muita neblina. Para nossa surpresa caminhamos muito tempo por dentro de bosques, o que foi muito agradável, mas não impediu do meu pé logo dar sinal de vida (ou de morte!). Porque volta e meia, ou melhor, subida e descida, apareciam uns atoleiros danados e difíceis de ultrapassar. Aí vocês podem perguntar, mas porque a demente não foi pelas pedras? As pedras acabavam no meio maior do lamaçal.

Chegamos cedo a Melide e pra variar a primeira coisa que fomos ver foram os banheiros. Só um chuveiro tinha porta. Eu e Cris corremos para tomar banho antes que ficássemos abertas à visitação pública nos boxes sem nem uma cortininha... água escaldante! Deliciosa!!!

Cris foi descansar e eu fui lavar roupa, comprar comida, coisa básica!

Quando voltei a Cris disse que ia sair para almoçar, eu e Mauricio já havíamos comido e ficamos no albergue.

Daí um tempo chega a Cris revoltada e rosada, para não dizer roxa, dizendo que tinha visto um anúncio num restaurante de um arroz com frango, naquela altura estávamos loucos para comer arroz, daí ela pediu... veio salada de entrada e foi só o que ela conseguiu comer, o tal arroz estava intragável, e enquanto tentava comer “encheu os chifres de vinho rosé”.

Convidei a Cris para conhecermos a cidade, calçada com Havaianas é claro!

Fachada da Iglesia de la Virgen de las Nieves - Leboreiro (caminho)

Quando estávamos de volta ao albergue só ouvi a Cris conversando em portunhol com um desconhecido e dizendo: “A Kátia sabe. Ela sabe tudo”, fiquei curiosa e fui ver. Era o marido de Ângeles que havia conseguido uma folga e estava percorrendo o Caminho de bicicleta em busca da esposa. Peguei minhas anotações, vi a última vez que estivemos juntas, mais os cálculos de bruxa e disse: Pode pedalar até Arzúa que ela está lá.

E não é que estava mesmo!!!!

A gente evitava conversar sobre o dia seguinte. Nosso tempo estava se esvaindo. Santiago chegando... e ao mesmo tempo uma vontade louca de continuar no Caminho...

Nem fotos eu queria mais tirar... era como se começasse a abrir um rombo dentro do meu peito, neste rombo tinha medo, tristeza, lágrimas não vertidas, palavras não ditas, saudade antecipada.

A chegada, ao mesmo tempo que representava nossa vitória, representava também adeus, despedida... e é tão triste separarmos daqueles que aprendemos a amar.

No coração só a certeza que nunca mais era nunca mais mesmo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

SANTIAGO DE COMPOSTELA - O RETORNO

PORTOMARÍN – PALAS DE REI

Preâmbulo: Estava eu a contar minha (ou melhor, nossa, já que Mauricio e Cristina são companheiros de caminhada, reflexão, dores e risos) Saga pelo Caminho de Santiago de Compostela, daí adoeci e tive que interromper, já que as dores, internações, etc. impediam-me até de pensar... então, os capítulos anteriores vocês encontrarão no tag "Santiago de Compostela".
Estou reeditando o último percurso para, daqui em diante, seguir com a história.
Talvez necessitasse desse longo tempo para reavaliar valores e vivências!

Preâmbulo 2 (se é que existe rs): Quero agradecer à Vanuza Pantaleão pela linda homenagem que me prestou em seu último post. Fico emocionada e com um compromisso ainda maior em não decepciona-la.

Preâmbulo 3 (hahahaha): Pode ser que eu ainda tenha que "desaparecer" por algum tempo, essas idas e vindas para hospital já são rotina, mas prometo avisar!

Então vamos lá caminhar minha gente

Saída de Portomarín

Nesse dia acordamos cedo. Queríamos evitar o sol forte da tarde, portanto levantamos por volta de cinco da manhã, tomamos nosso café, e antes das seis já estávamos com o pé na estrada. Mas parecia noite. Lua cheia, ainda alta no céu. Não dava para ver onde pisava. Entretanto, Deus, na sua generosidade, presenteou-nos com um belíssimo amanhecer. Parecia o despertar da Terra! Indescritível!
Bem, foi só o que consegui fotografar...
Depois de três dias caminhando sem mochila até que o início não foi tão penoso, mas, à medida que os quilômetros iam ficando para trás (foram 22 naquele dia) e o sol cozinhava nossos miolos foi ficando quase insuportável. Mas eu também não podia ficar repetindo, a toda hora, que estava sentindo dor.
Primeiro: Ninguém merece uma pessoa lamuriando-se o tempo todo.
Segundo: Reclamar não vai aliviar a dor.
Terceiro: Eu tinha outra escolha... então... era fé em Deus e pé na trilha!

Caminho Portomarín - Palas de Rei

Lembro-me de ter rezado muito naquele dia. Não por mim, porque como disse eu havia escolhido ir até o fim, mas rezei por aqueles que gostariam de estar no meu lugar (mesmo com as dores) e talvez nunca tivessem a chance, pelos meus amigos, pela dádiva de ter a família que tenho, pela minha mãe que se recuperava do primeiro câncer, pela humanidade, pela paz.
Rezar ajudava-me a ter força para seguir adiante.
Por volta de duas da tarde chegamos a Palas de Rei.
O Albergue é dividido em vários quartos, subdivididos em três repartições com quatro camas cada. Eu e Cris ficamos com Orlando e Micheline, Mauricio ficou na repartição ao lado, e também tinha uma família de espanhóis conosco.
Como eram só três homens, eles tiveram a cortesia de deixar as mulheres tomarem banho primeiro, uma vez que os chuveiros não tinham nem cortininha...

Parêntesis 1: Banheiros – eu deveria dedicar um capítulo inteiro aos banheiros (ou ausência de) durante o caminho. Tinha banheiro de todo tipo. Banheiros individuais, separados por sexo, unissex, com porta, sem porta, de todos as maneiras que vocês puderem imaginar. Para nós, brasileiros, acostumados à privacidade, era meio difícil, então quando eram vários chuveiros do tipo chuveiros de sauna, sem porta, homem e mulher junto, eu e Cris escolhíamos os últimos e colocávamos o Mauricio de prontidão para que ninguém passasse! (Pobre Mauricio!)


Amanhecer

Pois bem, depois do banho eu, que já estava péssima, fiquei pior ainda, pois descobri mais duas bolhas, sendo uma exatamente ao lado da que estava infeccionada. É claro que chorona como sou, abri a torneira. A Cris, penalizada, chorava comigo e rezava dizendo que eu não merecia tanto sofrimento. Minha vontade era dormir e não acordar nunca mais.
A Cris foi lavar todas as nossas roupas (o albergue tinha máquina de lavar) e Mauricio cuidou de drenar minhas bolhas.
Fiquei descansando. A Cris me contou que tinham dois jovens acompanhando um grupo de adolescentes com Síndrome de Dawn e que ficou emocionada e encantada com o carinho e a dedicação que eles tinham para com os meninos...
Saí apenas para comer, daí não ter fotos de Palas de Rei.
Como eu não agüentaria caminhar muito mesmo, combinamos que levantaríamos mais tarde, no dia seguinte e iríamos somente até Melide, uma caminhada de 15 km.

terça-feira, 1 de junho de 2010

ANIVERSÁRIO


SANTIAGO DE COMPOSTELA

Meus queridos amigos que aqui comparecem, às vezes até mais do que eu, nestes últimos tempos. que têm sido tão difíceis. Mas não podia deixar de registrar uma data tão importante.
Foi exatamente há 10 anos que terminávamos nossa peregrinação pelo Caminho de Santiago.
Tanta coisa me aconteceu... muitas já compartilhei com vocês e ficou a promessa do retorno, por tanto tempo afastada mas a promessa não ficou esquecida... penso em retomá-la "de pronto".
Aos companheiros peregrinos o meu abraço.
Aos irmãos de jornada, em especial Cristina, Maurício, Marco, Maria do Socorro, Esperanza e Alonso, o meu mais fraterno beijo.
Que Deus siga nos abençoando a todos!

Ultreya y Suseya!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

CHICO XAVIER - CISCO DE DEUS


Reflexão do segundo dia do Encontro de Mocidades Espíritas do Espírito Santo


AMIZADE E COMPREENSÃO

"Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem ainda agorapodeis." - Paulo. (I CORÍNTIOS, 3:2.)

Muitos companheiros de luta exigem cooperadores esclarecidos para as tarefas que lhes dizem respeito, amigos valiosos que lhes entendam os propósitos e valorizem os trabalhos, esquecidos de que as afeições, quanto as plantas, reclamam cultivo adequado.

Compreensão não se improvisa. É obra de tempo, colaboração, harmonia.

O próprio Cristo, primeiramente, semeou o ideal divino no coração dos continuadores, antes de recolher-lhes o entendimento. Sofreu-lhes as negações, tolerou-lhes as fraquezas e desculpou-lhes as exigências para formar, por fim, o colégio apostólico.

Nesse particular, Paulo de Tarso fornece-nos judiciosa lição, declarando aos Coríntios que os criara "com leite". Tão pequena afirmativa transborda sabedoria vastíssima. O apóstolo generoso, gigante no conhecimento e na fé viva, edificara os companheiros de sua missão evangélica em Corinto, não com o alimento complexo das teses difíceis, mas com os ensinamentos simples da verdade e as puras demonstrações de amor em Cristo Jesus. Não lhes conquistara a confiança e a estima exibindo cultura ou impondo princípios, mas, sim, orando e servindo, trabalhando e amando.

Existe uma ciência de cultivar a amizade e construir o entendimento. Como acontece ao trigo, no campo espiritual do amor, não será possível colher sem semear.

Examina, pois, diariamente, a tua lavoura afetiva. Observa se estás exigindo flores prematuras ou frutos antecipados. Não te esqueças da atenção, do adubo, do irrigador. Coloca-te na posição da planta em jardim alheio e, reparando os cuidados que exiges, não desdenhes resgatar as tuas dívidas de amor para com os outros.

Imita o lavrador prudente e devotado, se desejas atingir a colheita de grandes e precisos resultados.

Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel, Livro Vinha de Luz

sábado, 30 de janeiro de 2010

CORREIO SENTIMENTAL

Para Tide,

Meu amigo muito querido, você colocou duas questões que embora pareçam diferentes, traçam um mesmo caminho: o do coração.

Apesar de não ser especialista nestas questões, talvez a vivência de tudo que passei me habilite a tentar analisar e responder.

Você perguntou se é possível sentir saudade de alguém que não se conhece. Devolvo com uma pergunta: existe alguém no mundo que a gente possa dizer que realmente conhece? Não conhecemos nem nós mesmos...

Existem pessoas que a gente já viu milhares de vezes e não conhecemos...

Existem pessoas que a gente nunca viu olho a olho e que conhecemos muito mais que nosso vizinho de porta.

Existem pessoas especiais, que basta uma palavra, uma demonstração de afeto (seja um cartão, uma foto ou um cd caseiro de MPB) e se deixam mostrar escancarando a alma, porque sabem que quem está do outro lado também escancara sua alma, sem pudor. É a confiança construída a cada conversa, a cada “teclada”...

Então, minha tese é que não existem pessoas que não conhecemos, existem pessoas que a gente não encontrou pessoalmente, ainda, mas que conhecemos e amamos.

E o amor gera saudade... qualquer espécie de amor.

Mesmo aquele amor que parte o coração, deixando como “carne moída”.

Depositamos nossa esperança, todo nosso amor, carinho, devotação a uma pessoa. Passamos a viver na espera do retorno - ainda não somos tão evoluídos a ponto de amar por amar, para nós o amor tem que ser pista de mão dupla – e não perguntamos ao outro se ele está colocando na relação todo o seu amor, carinho, etc. também. E na maioria das vezes, a relação é de mão única. E quando acaba, quase sempre de um lado só, sobra um velho coração despedaçado, desesperançado, doído a ponto de se sentir dor física.

Quando isso acontece queremos morrer junto com nosso coração.

Os dias vão passando, a dor vai diminuindo aos pouquinhos... mas não acaba! Nunca! Carregamos no olhar a dor daquele amor perdido. É como queimadura, a cicatriz permanece por todo sempre a lembrar aquele amor não vivido.

Amor perdido é amor eterno!

Todo meu carinho e um poema

Kátia

FIM

Não existe nada mais doído

Do que o fim de amor.

Amor idealizado,

Amor conquistado aos poucos,

Amor!

Num ímpeto de raiva

Tentei apagar os vestígios

De sua passagem pela minha vida.

Queimei cartas, recados, retratos,

Apaguei seu nome da minha agenda,

Não mais passei pela sua rua,

Nunca mais ouvi “nossas” músicas.

As lágrimas vieram uma a uma,

Lavei com elas minha alma,

Minha mágoa,

Minha dor.

Com o passar dos anos a gente consegue

Enganar até mesmo a memória,

Achando que esqueceu.

Achei que tinha esquecido você.

Só muito tempo depois descobri

Que o amor dói mesmo muito depois do seu fim.

Dói a cada encontro,

A cada olhar,

A cada recordação.

O fim de um amor a gente até supera

Mas não esquece não.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

E 2010 CHEGOU...

(Porque existem flores entre espinhos)


Um novo ano começou e eu, só agora, estou me dando conta das coisas que não fiz.
Não teve lista de boas intenções,
Não houve promessas,
Não aconteceu balanços,
O ano passou e eu passei com ele.
Um ano inteiro de doença, dores, tristezas,
Ano de perdas de pessoas queridas sem poder me despedir.
De imobilidade, dependência, instabilidade,
Ano de desencanto, desesperança.
De não saber-se viva nos dias que viriam,
Inteiro de não viver,
Ano de só sobreviver.
Um ano que, olhando para trás, acho que poucos suportariam.
Entretanto, talvez tenha sido o ano mais rico da minha vida.
Rico de bem querer,
Rico de reflexões.
De saber que a dor do outro pode ser maior,
De aprender a olhar para os que estão atrás,
Reconhecer que a vida, em si, não é boa nem má.
Tempo de aprender a valorizar.
Tempo rico de família reunida,
De amigos que me suportaram e me ajudaram na caminhada.
Pessoas que quando eu não aguentava andar,
Andavam por mim.
Quando eu pensava em desistir,
Estavam ao meu lado para impedir.
Pessoas que deixaram suas vidas por algum tempo
Para ajudarem-me a viver a minha.
Tempo rico de cultivar ainda mais a fé em Deus
E aprender a voltar atrás e retomar o caminho
De onde um dia me desviei.
Por ignorância ou talvez desatino.

A todos vocês que, com certeza, estiveram comigo nessa empreitada, seja presentes fisicamente, seja pelas palavras de apoio, telefonemas, visitas, etc. o meu agradecimento mais que sincero e um abraço repleto de luz de voltar a viver, que com alegria divido com vocês.

Kátia 2010!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MAIS UM ANO OU MENOS UM ANO?

Presépio de 3cm de altura, esculpido em alabastro, artesanato Peruano - Cuzco

Pois é, chegamos novamente ao Natal! Parece que foi ontem que uma turma de blogueiros malucos ( Eu, Loba, Jacinta, Ana Lúcia, Miguel, Shumy, Zeca, BetiTim, Sergio, e mais um monte de gente que meus neurônios insistem em ocultar) estávamos que nem crianças brincando de Amigo Oculto. Teve presente em forma de vídeo, poema, pintura... toda forma de arte "blogável" (acabei de inventar, nem adianta procurar!). Agora estou aqui. Parece que perdi um tantão da minha alegria, a criança que mora dentro de mim resolveu se esconder. É Natal. E os sorrisos são meio forçados, o ânimo me falta, nem tenho nada programado...
Mas é Natal! Aniversário de Jesus!
Então, como também não consigo escrever belas mensagens, fiquemos apenas com um ensinamento que Ele nos deixou: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". Se eu amo o meu próximo como a mim, só lhe desejarei o mesmo que desejarei a mim.
Então, a todos, Feliz Natal!
E para 2009: SAÚDE, SAÚDE e mais SAÚDE!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PORQUE AINDA ESCOLHO DANÇAR! (UM DIA, QUEM SABE?!)





(Música I Hope You Dance - Ronan Keating)
Eu espero que você nunca perca seu senso de arrependimento,
Que você coma o suficiente mas sempre mantenha essa fome,
Que você nunca apenas respire,
Deus proíba qualquer amor que deixe você vazio,
Eu espero que você ainda se sinta pequeno quando você parar do lado do oceano,
Quando uma porta fechar eu espero que mais uma se abra,
Me prometa que você dará ao destino uma chance de lutar
E quando você tiver que escolher entre sentar ou dançar

Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.

Eu espero que você nunca tema aquelas montanhas ao longe,
Nunca amenize para a estrada ao mínimo de resistência
Viver significa arriscar-se, mas vale a pena se arriscar por ela,
Amar pode ser um erro, mas vale fazê-lo,
Não deixe nenhum coração infernal maluco deixar você amargo,
Quando você estiver perto de trair, pense melhor,
Dê aos céus lá em cima mais do que apenas uma rápida olhada,
E quando você tiver que escolher entre sentar ou dançar.

Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.
Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.

(O tempo é uma roda em movimento constante sempre nos levando junto,
Me conte quem quer olhar para trás nos seus anos e imaginar para onde esses anos se foram.)

Eu espero que você ainda se sinta pequeno quando você parar do lado do oceano,
Quando uma porta fechar eu espero que mais uma se abra,
Me prometa que você dará ao destino uma chance de lutar
E quando você tiver que escolher entre sentar ou dançar

Eu espero que você dance.
Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.
Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.

(O tempo é uma roda em movimento constante sempre nos levando junto,
Me conte quem quer olhar para trás nos seus anos e imaginar Para onde esses anos se foram.)

Espero Que Você Dance

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MIM



Cobram-me notícias.
Sei que são amigos queridos, muito bem intencionados. Mas confesso, chega um momento em que a gente cansa de falar das próprias agruras (tá bom, essa palavra é do tempo da minha vó! rs mas eu gosto) da própria vida e os amigos, por maior que seja o carinho que devotam a essa aprendiz de escritora, também ficam cheios de ouvir lamúrias.
Mas, conforme disse minha querida Vanuza: “Precisamos de notícias suas, Kátia. Você está hospitalizada? Espero que não. Alguém aí pode responder???” aqui estou para acalmar os corações amigos.
O mais importante: ESTOU VIVA!!!!! VIVA!!!!!
Mas estive hospitalizada sim, outra vez. E mais uma vez saí, o que é melhor!
Agora estou praticando um novo esporte: andar de cadeira de rodas em aeroporto! Gente é um barato! No começo quando a moça da Gol me via chegando, capengando, perguntava se eu necessitava de cadeiras de rodas, daí eu ficava envergonhada (não sei por que) e dizia: - Não, precisa não, eu dou um jeito.
Aí um dia eu cheguei para embarcar (ah! Esqueci de dizer que estou fazendo um tratamento no Rio de Janeiro...). Quer dizer, eu acho que já falei, não lembro. Uma das coisas que está acontecendo é um danado dum esquecimento, eu falo as coisas e os meninos começam a rir, agora já virou piada e dizem: Mãe, você já falou isso umas três vezes. Acho que é por conta do punhado de remédios que tomo todos os dias.
Mas voltando ao assunto, cheguei ao balcão e a moça da Gol (será que ganho um cachezinho pelo merchandising?) perguntou se eu necessitava da tal cadeira. A dor era tanta que dar um passo era quase colocar as tripas para fora. Daí disse que aceitava.
Gente, vocês não imaginam o barato! Vem-me um rapaz bem bonitinho, coloca a cadeira ao meu lado prontinha para eu sentar e quando eu penso que ele vai embora e que meu acompanhante é quem vai conduzir a cadeira, me vejo desfilando pelo saguão empurrada pelo dito cujo. As pessoas reagem das mais diversas formas: uns olham com piedade, outros com curiosidade, outros olham pro rapaz, alguns para as minhas pernas... e lá vou eu aeroporto afora. Ah! Todo mundo sai da frente, não sei se por cortesia ou por medo de atropelamento.
Cada vez é um rapaz diferente, já estou ficando até amiga dos meus condutores. Eles nem correm como os do hospital. Parece que estão conduzindo uma princesa, tamanha a dedicação e atenção.
Então é isso, ainda tentando descobrir o monstrinho que me ataca (ai dele quando o pegar de jeito!) e enquanto isso voando daqui prá lá e vice-versa.
Quem sabe um dia ainda fazem um filme “Conduzindo Miss Kátia”?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

QUE VOCÊ NUNCA SE ESQUEÇA...



A gente passa a maior parte das nossas vidas correndo atrás das coisas que julgamos serem indispensáveis para que vivamos bem. Necessitamos de tanta coisa que a lista só vai aumentando. Se temos um apartamento de 60 m² precisamos de um de 100. Quando temos o de 100, já não é suficiente. Se moramos em apartamento só seremos felizes numa casa com quintal e cachorro; quando temos a casa, o quintal, o cachorro (e toda a sujeira que vem junto) queremos o apartamento. Se temos um carro comum, queremos automático. Se velho, queremos outro mais novo. E assim os dias, os anos vão passando e quando nos damos conta passamos quase toda nossa existência acumulando bens materiais.
E o que fizemos das pessoas que cruzaram nossos caminhos?
Quantas vezes deixamos que elas saiam de nossas vidas por pura falta de tempo, gastamos nosso tempo acumulando coisas, às vezes também pessoas, mas quanto tempo gastamos cultivando e cuidando daqueles que cruzaram nossos caminhos?
A maioria daqueles que me conhecem sabem que agradeço a Deus todos os dias pela graça de ter tantos amigos. Sou abençoada neste aspecto. Mas depois de tudo que me aconteceu eu fiquei imaginando o que teria acontecido com as pessoas que foram importantes na minha vida e que perdi.
Perdi para o tempo, para a distância, alguns pra a morte, para a correria dos anos que passei acumulando coisas.
Quando a “Dona Morte” cismou em querer me visitar, o máximo que fez foi me fazer perceber o quanto a gente deixa de dizer e fazer pelo outro, na suposição de que é desnecessário porque ele já sabe. E assim deixamos de dar aquele abraço de verdade, que abarca o físico e também a energia. Deixamos de dizer “eu te amo” ao amigo querido, aos nossos filhos, aos pais (quem ainda os tem)... o “eu te amo” fica, quase sempre, restrito ao amor físico e, quando muito, o dizemos aos nossos companheiros(as).
“Ela” também despertou em mim o desejo de saber o destino de algumas pessoas que passaram pela minha vida e que eu deixei que se fossem.
Assim, comecei a pesquisar na internet buscando uma pessoa a quem eu tenho um grande carinho, muito embora na última vez que nos vimos eu tivesse apenas 18 anos.
O tempo não conseguiu apagar todos os momentos que passamos juntos, o que crescemos juntos, o que aprontamos...
Ele foi um dos rapazes que fez a minha adolescência ser tão feliz.
Com ele dancei muitos bailes, ele me dava coragem para participar do roubo da “luz negra” – única da cidade - pertencente ao “padre bravo” para fazermos nossas boates no terraço da sua casa no período de férias, por ele eu viajava horas em estrada de chão, sacolejando naqueles ônibus de interior.
Com ele descobri amar longe e que distância é uma questão somente física (embora só viesse a ter consciência disso muito tempo depois).
Com ele eu vivi meu amor adolescente.
Brigávamos tanto que depois de umas três idas e vindas decidimos ser só amigos... e que amigos maravilhosos teríamos sido se a vida (ou o destino) não tivesse nos separado.
Hoje, depois de muita procura, eu o encontrei.
Falamo-nos ao telefone, rimos, brincamos, nos emocionamos... mas era pouco tempo para tanta vida separada.
Sei que muitas pessoas não compreendem como uma mulher casada sai procurando outro homem, ainda mais um ex-namorado. Ainda bem que meu marido tem a cabeça aberta e valoriza as amizades tanto quanto eu.
Por isso, meu querido amigo rencontrado, que você nunca se esqueça: Você é um capítulo muito bonito da minha história e que eu te amo.

PS1: Preservo a identidade do meu amigo porque ele (ainda) não sabe deste post.
PS2: Muito a contragosto estou tentando me adaptar às novas regras ortográficas (mas me recuso a escrever lingüiça sem trema).
PS3: Ele entende a foto... rs

quinta-feira, 26 de março de 2009

HÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL...

...EMBORA O TÚNEL SEJA LONGO!


Meus queridos amigos e visitantes,
Eis-me aqui para deixar-lhes algumas palavras, notícias, etc.
Como a Gabi adiantou (minha filha é mesmo um Anjo! Sem corujice rs) eu tive uma Mielite, passei 15 dias correndo atrás de médicos e exames (com as dores só aumentando) e enfim fui hospitalizada, onde fiquei por 17 dias.
Posso dizer que tenho mais hora de tubo de ressonância magnética que urubu de vôo (posso perder tudo, mas não perco a piada, nem que o alvo seja eu mesma).
Faltou pouco me virarem do avesso... meus segredos foram todos revelados, de tanto exame que fiz, não sobrou nadinha!
O pior é que quando saiu o diagnóstico, o Beto, meu filho, me proibiu de pesquisar sobre a doença... é porque os prognósticos não eram nada bons. Só chegavam notícias de gente que tinha morrido por causa dessa doença, ou tinha ficado na cadeira de rodas, ou levava meses para voltar a andar... só notícia boa!
Daí fui enfrentando cada dia, com muita fé, coragem (que nem sabia que tinha tanta), e amor! Quanto amor recebi! Minha família foi maravilhosa, meus amigos de uma dedicação a toda prova. Havia fila de espera para ficar comigo no hospital. Se existe uma filha predileta de Deus, podem escrever: Sou eu!
Ele esteve comigo (e está) em todos os momentos.
A dor, a doença é sempre oportunidade de refletirmos onde estamos errando, em que parte do caminho tomamos a estrada equivocada, o que poderíamos fazer e não estamos fazendo, pois pior que o mal que se faz é o bem que, mesmo podendo, se deixa de fazer.
Então este é meu momento de reflexão. De valorizar o que realmente importa. E dentre as coisas que estão no topo da lista, a Amizade é, depois da família, a mais importante.
Por isso quero agradecer, de coração, todas as visitas, pessoais e virtuais, todas as palavras de ânimo, afeto, encorajamento, todas as preces, todos os pensamentos positivos, ou seja, todos os momentos em que vocês estiveram comigo. Isso foi fundamental para meu restabelecimento, que sei será longo, difícil, ainda muito dolorido, mas que ao final voltarei a ser a Kátia que vocês conhecem.
Ainda não posso visitá-los, tampouco ficar por muito tempo no computador (as dores não dão trégua!)...
Mas deixo um beijo no coração de cada um e a certeza de que Deus (ou o Grande Ser, Alá, Jeová, ou como quer que você O conceba) os dará em dobro todo o bem que me desejaram.
Muita luz a todos!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

EU AINDA ACREDITO


O Jorge Vercilo tem uma canção, Em Tudo que é Belo, em que ele diz que acredita em uma série de coisas nas quais os homens, por opção, por comodismo, por inaptidão, não mais acreditam. Eu adoro essa canção que diz, entre outros versos:

“...Eu ainda acredito
num futuro mais bonito,
que o novo é bem-vindo
e o amor é infinito.
eu ainda acredito
que nem tudo está perdido,
que o sorriso é sagrado
e aqui é o paraíso
e que tudo estava errado
sobre o dia do juízo.
Eu ainda acredito
no carinho invés do grito...”

Pois é, como o autor eu também acredito.
Acredito que os bons são maioria, só não aparecem porque o bem não é notícia.
Acredito em pessoas que fazem o bem só pelo prazer de ver a felicidade alheia.
Acredito que existem sim, os puros de coração.
Creio em gente que tem olhar franco,
Que confia, se entrega, ajuda,
Que não mede esforços e conseqüências.
Acredito em quem já sofreu,
Porque são capazes de reconhecerem seus semelhantes.
Acredito em gente assim não porque seja otimista
Ou viva fora da realidade,
Mas porque sempre me deparo com criaturas desta raça...
E eles têm nome e casa e voz.
O que têm de mais?
A capacidade inesgotável de amar!
A última que me cruzou o caminho
Atende, carinhosamente, por Layla Lauar.


Aqueles que convivem comigo mais amiúde sabem que sempre digo que Deus é generoso demais para comigo, não que Ele me proporcione só felicidade, bens materiais ou tantas outras coisas que sei são necessárias, mas não as mais importantes, também tenho minha quota de dor. Deus é generoso nos anjos que espalhou pelo meu Caminho. Acredito que quando estava para nascer, Ele foi espalhando anjos por todas as etapas da minha vida e, quando eu mais necessito, eis que me aparece um... Tem sido assim desde a infância... No Caminho de Santiago, minha saga atual, Mauricio foi meu anjo. A Cris não conta porque digo que sou seu karma! Mas foram muitos ao longo da vida.

Deu-me filhos-anjos, amigos-anjos, amores-anjos.
Tenho anjos em abundância e eles não se vão. Aparecem e permanecem.
A Layla foi o anjo que fez este cantinho ficar bonito deste jeito que vocês estão vendo.
Anjo Layla, meu abraço, meu agradecimento, meu carinho e que Deus siga iluminando seu caminho para que você continue espalhando sua luz por onde passa.