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sábado, 14 de maio de 2016

CARTA AO EX-PRESIDENTE DA FUNCEF CARLOS ALBERTO CASER

CARTA ABERTA AO EX-PRESIDENTE DA FUNCEF - FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS - CARLOS ALBERTO CASER



Falta-me um vocativo para referir-me a você.

O ano era 1982. Vários jovens ingressando na Caixa Econômica Federal, no Espírito Santo e, entre eles, você Caser. Eu já estava lá e fui uma a dar as boas vindas a todos, acreditando que os valores e preceitos que nos guiavam também os guiariam. Sim, tenho que registrar, a maioria levou muito a sério a questão de que cuidar da Caixa era tão ou mais importante do que cuidar do próprio patrimônio. A Caixa é (ou era) do povo e o respeito à coisa pública era o que nos regia, mesmo porque os valores da ética, honradez, etc. eram intrínsecos a todos nós - os mesmos valores que, com certeza, seus pais, pessoas simples, honestas e trabalhadores devem ter lhe ensinado. Oportunidade para fazer o "errado" tivemos, e muita, mas nunca passou pela nossa cabeça fazermos nada que pudesse prejudicar a Caixa, nosso bem maior. Aqueles que ousavam eram severamente punidos.
O tempo passou. Fomos saindo, aposentando e vocês, os "jovens" foram assumindo e levando em frente o que ajudamos a construir.
Juro que fiquei alegre quando seu nome foi indicado para a FUNCEF, achei que era o coroamento de um bom trabalho. Quanto arrependimento e decepção.
Eis que hoje recebo uma carta avisando que pagarei à FUNCEF (A Fundação que deveria cuidar de mim) 2,78% do meu salário, por 17,4 anos.
Tudo isso por conta de "investimentos mal sucedidos". Quem quiser que acredite.
Não posso acusá-lo de ter-se apropriado indevidamente do que não lhe pertencia, nem de qualquer ação de natureza legal ou criminal, não tenho provas para tanto.
Mas posso sim, e com fartas provas, acusá-lo de três coisas: DESLEALDADE, CONIVÊNCIA E COVARDIA.
Você foi DESLEAL para conosco, Caser, você poderia ter pensado nos milhares de aposentados, colegas seus, que teriam que arcar com essa imensa dívida que não deveria nos caber. Você foi desleal ao aceitar fazer-nos passar por essa situação tão difícil. Sabe, Caser, que eu deixo 1/3 do meu salário, mensalmente, em farmácias? Esse dinheiro me faz muita falta. Você foi desleal para comigo para ser leal a outros ideiais.
Você foi CONIVENTE. Nunca ocupei cargos tão altos como o seu, mas ocupei vários cargos de chefia (por concurso interno, ou seja, por mérito) e nunca, nunca mesmo, eu aceitei qualquer ordem que colocasse em cheque os meus valores pessoais. Se você agiu obedecendo ordens, você foi, no mínimo, conivente. Você poderia ter dito não porque, partindo do pressuposto que você não é ignorante (aqui no Stricto sensu da palavra), você aceitou participar de ações que nos levaram a esse rombo descomunal. Mas não o fez. A ascensão a cargos elevados vem sempre acompanhada de muitos "amigos", mas creia, a queda é solitária. Você verá ao final de tudo...
Você foi COVARDE. Não teve coragem de vir aqui, no Espírito Santo, Filial onde tudo começou, para nos olhar frente a frente e nos explicar acerca do que estava ocorrendo. Marcou, desmarcou, remarcou, e não veio. Pior ainda, mandou um "preposto" arrogante e prepotente que cria que estava lidando com um "bando de idiotas", que nos disse que se entrássemos na Justiça contra a FUNCEF, pior seria para todos nós, que fez escárnio do poder legislativo ao dizer que não tivéssemos esperança em qualquer ato vindo do Congresso Federal, "porque CPI no Brasil não dava em nada". Acho que agora ele deve estar começando a pensar diferente. Nós não íamos agredi-lo, mesmo falando "as verdades" tão bem decoradas por seu representante, o respeito ainda é a regra mestra da maioria de nós, você, se quisesse realmente, poderia ter vindo, preferiu se omitir.
Sinto informá-lo que talvez alguns de vocês tenham que pagar a minha parte, porque  diante dos graves problemas de saúde que enfrento não sei se continuarei contribuindo por mais 17 anos e quatro meses.
Mas, para não ser desleal nem omissa, alguns alertas preciso dá-lo:
- Reze, reze muito, para que não adoeça, esse "dinheirinho" vai fazer muita falta na hora do tratamento;
- A não ser que você tenha um bom patrimônio (não sei, quem sabe alguma herança?) dê adeus a bons restaurantes, viagens, passeios, etc., seu salário de aposentado não comporta essas despesas;
- Pelo que me consta você não tem descendentes, então, dê um jeito de economizar para o final da vida, seu salário não dará para pagar uma boa casa de repouso.
Quanto a mim, pedirei aos homens que façam todos as investigações e que os culpados sejam punidos; pedirei a Deus que lhe dê vida longa, não por vingança, mas para que você tenha tempo de se arrepender de tudo que fez (isso se ainda lhe sobrou um pouco de consciência).
É o que tenho a dizer,

KÁTIA MARIA CORRÊA DE CARLI RAMOS

Matrícula - 550738-2

sábado, 11 de julho de 2015

CARTA PARA MINHA FILHA SILVIA



Minha querida, desde ontem, às 03:10 h que venho te escrevendo... dentro da minha cabeça rs.
Tem tanta coisa que queria te dizer, mas nada é novidade, nada que ainda não tenha sido dito; porém, mesmo assim, quero deixar registrado o que me vai na alma.
Primeiro, parabéns pela chegada do Henrique, cheio de saúde, forte, lindo, especial.
Você não saiu do meu corpo, mas é minha filha desde o positivo do exame.
Não te carreguei nove meses, mas te amei todos eles.
Acompanhei seus primeiros passos, sua infância, adolescência, suas vitórias e seus fracassos. 
Estive aqui para rir e chorar com você todas as vezes que precisou (e isso traz um conforto muito grande para meu coração, saber que você confia em mim e que comigo seus maiores segredos poderiam ser compartilhados - e nem eram tão grandes - mas um gesto, na adolescência, tem o tamanho do mundo).

Porém, agora, você já experimentou a melhor "droga" (lícita!) que Deus inventou: Amor materno! E nunca mais você saberá viver sem ela!
Haverá momentos em que você, apesar de exausta, se sentará ao lado do berço do Henrique só para vê-lo dormir!
Outros, você chorará com o choro dele...
Em alguns a felicidade de tê-lo nos braços é tão grande que parece que seu coração vai explodir!
Em outros você se sentirá impotente e revoltada por não poder sentir as dores que são dele.
Mas saiba que, em todos os momentos, você estará protegida pela Mãe das Mães, Nossa Senhora, que não nos abandona jamais.
Minha linda, se existe conselho a ser dado, siga essas regrinhas:
- Pegue no colo quantas vezes quiser... isso não traz problema psicológico, é só demonstração de amor.
- Chore com ele... somos mães, não super mulheres...
- Converse com ele, cante para ele, sua voz é música aos seus ouvidos.
- Não hesite em nos ligar quando tudo parecer difícil (isso vai acontecer), uma palavra de conforto é, às vezes, o que mais precisamos.
- Não, meu amor, você não vai acertar sempre... mas isso também faz parte do pacote de Mãe, que chega sem instruções e fórmulas, mas carregue no seu coração a certeza de que fez tudo o que lhe era possível em cada momento.
- Quando não souber o que fazer (e isso também vai acontecer) ouça a voz do seu coração, é o caminho mais seguro.
No mais, siga em frente, com esse sorriso lindo, ao lado do seu amado Rafael, que tenho certeza que Deus confiou o Henrique às melhores mãos.
Fique com Ele!
Fique também com a certeza de que do mesmo modo que a escolhi como filha, acolho Henrique como meu neto, com lugar cativo em meu coração.

Beijos


Mãe-Avó Kátia

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

CARTA AO MEU FILHO


Meu querido,

Eu sabia que a sua ausência ia doer fundo na minha alma, mas não sabia que a saudade vinha nas grandes e pequenas coisas.
Sinto muito a sua falta, fisicamente falando, seu quarto vazio é um túnel sem luz ao final, mas quando fica insuportável, não tenho vergonha de falar, deito na sua cama, cheiro suas roupas, choro e depois de um tempo, levanto-me, lavo o rosto, e volto a enfrentar a vida.
Porém existem coisas que eu só me dei conta quando perdi...
Ninguém mais pergunta, ao apagar das luzes, se quero um copo d’água.
Ninguém me oferece uma bolsa de gelo, só de olhar para meu rosto, com a finalidade de aliviar a dor de cabeça.
Ninguém mais chega à porta do meu quarto só para perguntar: - Mãe, tudo bem? Precisa de alguma coisa?
Mãe, vou sair, se quiser alguma coisa é só ligar...
Sabe, meu filho, com essas pequenas coisas a saudade só faz aumentar. Mas como sempre repetiram para mim, como um mantra, “você é forte”, estou tentando sê-lo e seguir adiante.
Com o tempo eu vou aprender que a distância é só um detalhe, que o mais importante é a consciência tranquila de que o homem que eu criei e eduquei está mais do que pronto para enfrentar o mundo de cabeça erguida, valores íntegros, caráter incorrompível.
Vou aprender que o mais importante é o amor imenso que carregamos no coração e que ninguém pode sequer tocar!
Mas tem uma coisa, meu amor, que está me matando... eu havia esquecido como é fazer compras em supermercado! Meu Deus! É tortura medieval... Obrigada por tê-lo feito para mim todo esse tempo. Isso é prova mais incontestável de amor verdadeiro! Não volto sozinha nunca mais...
Com todo meu amor e saudade,

Mamãe

sexta-feira, 5 de março de 2010

SOMA DE DIAS

PORQUE É MEU ANIVERSÁRIO!

Houve um tempo em que eu adorava aniversário. Minha mãe ralhava (palavra antiga, né?) comigo dizendo que eu só sabia “inventar moda”, mesmo que essa “inventação” se resumisse a K-suco de guaraná e um bolo feito em casa mesmo.

Os anos foram passando e eu continuei gostando dessas comemorações. As melhores eram as promovidas pelos colegas de serviço, tudo na maior surdina para que fosse surpresa e que nunca ficava escondido... mas eu fazia cara que não sabia de nada para não estragar a festa.

Durante alguns anos eu estacionei minha idade na casa do 32. Era uma idade bonita e o medo de envelhecer havia me pego de jeito. Fiquei tanto tempo que meu sobrinho, que nem havia nascido quando eu realmente fiz 32, aprendeu a fazer contas e roubou minha carteira de identidade para descobrir a verdade, porque ele não conseguia entender porque a mãe dele, sendo só dois anos mais velha que eu, conseguia ser tão mais velha!

Depois eu comemorei, em grande estilo, os 39... porque 40 marca muito e todo mundo comemora! rs

Mas depois daí, na verdade, tive dois aniversários felizes. Um pela companhia e o outro, de meio século, porque consegui reunir amigas de todas as fases da minha vida.

Hoje já não vejo graça em festejar minha soma de dias... Os anos correm silenciosos, como se calçassem pantufas, rindo da gente em silêncio. Um belo dia nos assustam ao olharmo-nos no espelho, ou nos acertam em cheio a memória, ou os joelhos, ou o estômago e nos cravam um punhal nas costas. A velhice nos ataca, silenciosa, dia a dia. Mas há uma época em que ela é implacável. Creio que enfrento essa época.

Olho-me no espelho e não consigo reconhecer-me. Dói-me, ainda, o corpo. Meu último aniversário foi passado no hospital.

Muitos dirão: você está viva! Quer motivo melhor para comemorar? Têm razão, reconheço... mas me falta alegria, ânimo, vontade. A soma dos meus dias se acumula com a soma das minhas tristezas dos últimos tempos. É um fardo pesado demais. Pode ser que um dia eu me livre deste peso ou me acostume com ele e volte a gostar de “inventar moda”. Mas, por enquanto, ainda prefiro a solidão, o isolamento.

Os budistas dizem que a vida é um rio, que navegamos numa balsa para o destino final. - Sobre esse tema tem uma crônica linda do meu amigo no blog Desvendando Caminhos, onde a teoria dele sobre o rio da vida é muito melhor que a minha... mas voltemos ao assunto - O rio tem sua corrente, velocidade, redemoinhos, ora estreito, ora caudaloso, pedras e outros obstáculos que não podemos controlar, mas contamos com a ajuda de um remo (um só!) para dirigir a embarcação sobre a água e no rumo certo. Da nossa habilidade depende a qualidade da viagem, mas o curso não pode ser mudado, porque o rio desemboca sempre no mar da morte.

Embora eu ainda tente segurar o sol, deleitar-me com o luar, amar e ser amada, às vezes, em sonho, eu entrevejo esse mar...


sábado, 30 de janeiro de 2010

CORREIO SENTIMENTAL

Para Tide,

Meu amigo muito querido, você colocou duas questões que embora pareçam diferentes, traçam um mesmo caminho: o do coração.

Apesar de não ser especialista nestas questões, talvez a vivência de tudo que passei me habilite a tentar analisar e responder.

Você perguntou se é possível sentir saudade de alguém que não se conhece. Devolvo com uma pergunta: existe alguém no mundo que a gente possa dizer que realmente conhece? Não conhecemos nem nós mesmos...

Existem pessoas que a gente já viu milhares de vezes e não conhecemos...

Existem pessoas que a gente nunca viu olho a olho e que conhecemos muito mais que nosso vizinho de porta.

Existem pessoas especiais, que basta uma palavra, uma demonstração de afeto (seja um cartão, uma foto ou um cd caseiro de MPB) e se deixam mostrar escancarando a alma, porque sabem que quem está do outro lado também escancara sua alma, sem pudor. É a confiança construída a cada conversa, a cada “teclada”...

Então, minha tese é que não existem pessoas que não conhecemos, existem pessoas que a gente não encontrou pessoalmente, ainda, mas que conhecemos e amamos.

E o amor gera saudade... qualquer espécie de amor.

Mesmo aquele amor que parte o coração, deixando como “carne moída”.

Depositamos nossa esperança, todo nosso amor, carinho, devotação a uma pessoa. Passamos a viver na espera do retorno - ainda não somos tão evoluídos a ponto de amar por amar, para nós o amor tem que ser pista de mão dupla – e não perguntamos ao outro se ele está colocando na relação todo o seu amor, carinho, etc. também. E na maioria das vezes, a relação é de mão única. E quando acaba, quase sempre de um lado só, sobra um velho coração despedaçado, desesperançado, doído a ponto de se sentir dor física.

Quando isso acontece queremos morrer junto com nosso coração.

Os dias vão passando, a dor vai diminuindo aos pouquinhos... mas não acaba! Nunca! Carregamos no olhar a dor daquele amor perdido. É como queimadura, a cicatriz permanece por todo sempre a lembrar aquele amor não vivido.

Amor perdido é amor eterno!

Todo meu carinho e um poema

Kátia

FIM

Não existe nada mais doído

Do que o fim de amor.

Amor idealizado,

Amor conquistado aos poucos,

Amor!

Num ímpeto de raiva

Tentei apagar os vestígios

De sua passagem pela minha vida.

Queimei cartas, recados, retratos,

Apaguei seu nome da minha agenda,

Não mais passei pela sua rua,

Nunca mais ouvi “nossas” músicas.

As lágrimas vieram uma a uma,

Lavei com elas minha alma,

Minha mágoa,

Minha dor.

Com o passar dos anos a gente consegue

Enganar até mesmo a memória,

Achando que esqueceu.

Achei que tinha esquecido você.

Só muito tempo depois descobri

Que o amor dói mesmo muito depois do seu fim.

Dói a cada encontro,

A cada olhar,

A cada recordação.

O fim de um amor a gente até supera

Mas não esquece não.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MIM



Cobram-me notícias.
Sei que são amigos queridos, muito bem intencionados. Mas confesso, chega um momento em que a gente cansa de falar das próprias agruras (tá bom, essa palavra é do tempo da minha vó! rs mas eu gosto) da própria vida e os amigos, por maior que seja o carinho que devotam a essa aprendiz de escritora, também ficam cheios de ouvir lamúrias.
Mas, conforme disse minha querida Vanuza: “Precisamos de notícias suas, Kátia. Você está hospitalizada? Espero que não. Alguém aí pode responder???” aqui estou para acalmar os corações amigos.
O mais importante: ESTOU VIVA!!!!! VIVA!!!!!
Mas estive hospitalizada sim, outra vez. E mais uma vez saí, o que é melhor!
Agora estou praticando um novo esporte: andar de cadeira de rodas em aeroporto! Gente é um barato! No começo quando a moça da Gol me via chegando, capengando, perguntava se eu necessitava de cadeiras de rodas, daí eu ficava envergonhada (não sei por que) e dizia: - Não, precisa não, eu dou um jeito.
Aí um dia eu cheguei para embarcar (ah! Esqueci de dizer que estou fazendo um tratamento no Rio de Janeiro...). Quer dizer, eu acho que já falei, não lembro. Uma das coisas que está acontecendo é um danado dum esquecimento, eu falo as coisas e os meninos começam a rir, agora já virou piada e dizem: Mãe, você já falou isso umas três vezes. Acho que é por conta do punhado de remédios que tomo todos os dias.
Mas voltando ao assunto, cheguei ao balcão e a moça da Gol (será que ganho um cachezinho pelo merchandising?) perguntou se eu necessitava da tal cadeira. A dor era tanta que dar um passo era quase colocar as tripas para fora. Daí disse que aceitava.
Gente, vocês não imaginam o barato! Vem-me um rapaz bem bonitinho, coloca a cadeira ao meu lado prontinha para eu sentar e quando eu penso que ele vai embora e que meu acompanhante é quem vai conduzir a cadeira, me vejo desfilando pelo saguão empurrada pelo dito cujo. As pessoas reagem das mais diversas formas: uns olham com piedade, outros com curiosidade, outros olham pro rapaz, alguns para as minhas pernas... e lá vou eu aeroporto afora. Ah! Todo mundo sai da frente, não sei se por cortesia ou por medo de atropelamento.
Cada vez é um rapaz diferente, já estou ficando até amiga dos meus condutores. Eles nem correm como os do hospital. Parece que estão conduzindo uma princesa, tamanha a dedicação e atenção.
Então é isso, ainda tentando descobrir o monstrinho que me ataca (ai dele quando o pegar de jeito!) e enquanto isso voando daqui prá lá e vice-versa.
Quem sabe um dia ainda fazem um filme “Conduzindo Miss Kátia”?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

E A VIDA O QUE É? DIGA LÁ MEU IRMÃO...


Esse reencontro com meu amigo “perdido” levou-me a uma série de reflexões.
Como narrar quase uma vida inteira em uma carta ou e-mail?
O que é importante numa vida?
O que vale mais?
Será que interessaria saber os amores que tive e perdi pelo caminho?
Será que ele gostaria de saber como foi meu casamento ou teria mais importância as dificuldades que enfrentamos para continuarmos juntos?
Tirando os nascimentos dos filhos, que creio, nada vale mais, o que valeria contar? O meu sucesso como executiva ou o que aprendi lidando com as diferenças das pessoas?
Vale mais as bolhas que ganhei no Caminho de Santiago ou descrever minha casa, jardim, quintal e cachorro?
O que importa mais, a quantidade de livros que li, ou a frase que carrego desde a adolescência do único livro que sei de cor: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”?
As pessoas que perdi, pai, mãe, amigos queridos que partiram para outra vida ou as amizades que ainda carrego, desde a infância?
O que vale mais, as lágrimas que derramei a cada tropeço, doença, queda ou as lições que tirei de cada dificuldade?
O que importará mais nesta vida?
O que ele gostaria de saber?
Das viagens que fiz, alimentando a alma, ou das cirurgias que enfrentei para manter vivo o físico? Será que lhe interessaria saber que houve um dia um pôr do sol rosa e dourado que eu fotografei e nunca mais vi outro igual?
Ou lhe agradaria ver a parte o mundo que vi, através do meu olhar?
Será que lhe interessariam os livros que escrevi, as tatuagens que carrego no corpo, as rugas e quilos que ganhei?
Teria valor saber que coleciono pedrinhas dos lugares por onde andei ou que já tenho paciência para cultivar flores?
Teria isso importância na vida de outra pessoa?
O que importa mais?
Sinceramente, a resposta? Não a tenho...
Penso na vida e só me vem à mente a música do Gonzaguinha:

E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
... Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

terça-feira, 26 de maio de 2009

MUDANÇA DE RITMO

(foto oficial do Governo do Esp. Santo)

A vida é coisa engraçada, quando a gente é criança e tem todo o tempo pela frente, faz as coisas sempre correndo, tem pressa; à medida que o tempo passa e vai diminuindo, a gente diminui também o ritmo, e com isso alguns hábitos.
Eu ia escrever sobre outra coisa... mas aconteceu um fato e daí...
Bem, quando eu fiz 50 anos decidi que, como o que me restava de vida era menos do que o que já havia passado, dali em diante eu ia fazer as coisas que me agradassem e não para agradar às pessoas. É claro que eu ainda encaro um ou outro programa se isso vai fazer feliz meu marido, meus filhos ou algum amigo que valha a pena. Mas para ser educada, ser a boazinha, nãnãnãnão!
E aos poucos eu fui mudando... comecei pela cerveja. Eu odeio cerveja, acho a bebida mais sem graça que já foi inventada, você bebe, bebe, bebe, urina, urina, urina... arre! mas como a gente saía em grupo, todo mundo tomava cerveja, para não ser do contra eu acabava tomando também. Hoje eu peço minha água com gás na maior. É claro que na primeira vez foi um auê. Silêncio total. Eu parecia um alienígena. As pessoas perguntando: Mas como? Você sempre tomou cerveja? Como “não gosta”? Explicada minha teoria, ânimos aplacados, hoje minha água já é parte integrante da noitada.
Depois foi a história do aniversário. Meu marido tem um primo (chato pra caramba) que aniversaria no final do ano. Eu encarava a comemoração do seu aniversário como o último sacrifício do ano (mas lembrem-se: eu era “boazinha” rs). Era sempre a mesma coisa: as mesmas pessoas cobrando “Como você está sumida!”, se eu estava magra: “Que aconteceu? Está doente?”, se eu engordava: “Nossa como você engordou?” e eu sorria, educadinha do jeito que mamãe ensinou. Ainda tinha que agüentar (recuso-me a aceitar a reforma que nem os portugueses aceitaram!) a esposa do aniversariante (numa escala de 0 a 10 de chatice, ela consegue ser 11) e sua mesa fantástica de doces e tortas (justiça seja feita) reclamando que havia passado a madrugada inteira fazendo doces! Pois bem, chegou o grande dia, meu marido se arrumou e eu continuei assistindo TV, ou lendo, ou sei lá o quê, e ele me pergunta:
- Você não vai?
- Não. Cansei de ser educada.
- Mas o que eu falo?
- A verdade. Que eu não quis vir.
Ponto final, deste ano em diante não fui mais... e foi o último em que meu marido compareceu!
E foram pequenos gestos aqui e acolá que foram me transformando na pessoa que sou hoje.
Eu que era rock’n roll e cantava “Por isso não provoque / É cor de Rosa Choque”, hoje estou mais para toada e esses dias até me peguei cantando “Ando devagar porque já tive pressa / Levo esse sorriso porque já chorei demais.”
Isso não quer dizer que eu tenha me transformado em uma pessoa completamente zen e educada. Só que minha prioridade passou a ser eu mesma.
Outro dia uma amiga, nem tão amiga assim, começou a falar do seu filho e nora, em tom de desabafo e eu fiz umas perguntas no intuito de, estando de fora da situação, ver como melhor poderia ajudá-la. O assunto morreu, fui embora. No dia seguinte, nos encontramos novamente e ela veio tirar satisfação porque eu estava indagando coisas do filho dela se ela nunca havia perguntado dos meus. Ah! Educação tem limite! Na hora retruquei:
- Minha querida, eu estava com a melhor das boas intenções, buscando um modo de auxiliá-la, mas se você encarou como invasão, por favor, a partir de hoje, guarde seus problemas, dos seus filhos, do seu marido, para você mesma, porque a partir do momento que você fala o quer, corre um sério risco de ouvir o que não quer.
E continuei minha vidinha...
Eu que já fui metrópole, hoje sou cidadezinha com estação ferroviária, vendo o trem passar.
E tenho dito!

sábado, 9 de maio de 2009

ÀS MÃES



Foi há muitos anos.
Eu me recordo como se tivesse acontecido ontem.
Meu filho, apenas uma cabecinha loura aparecendo por entre as crianças maiores, num palco, a cantar uma música dedicada a mim, sua mãe.
Ao término da canção, a corrida em minha direção, a rosa linda, vermelha, não importava se estava murcha ou se a haste estava quebrada, era a minha rosa e era maravilhosa, justamente pela peculiaridade de ter sido ofertada pelo meu filho, a primeira. As lágrimas teimavam em rolar nas minhas faces, e ele, a sorrir, não compreendia o significado daquelas lágrimas.
E este foi um dos momentos mais lindos de toda a minha vida.
E é por recordar com tanto carinho dessas lembranças que hoje dedico estas palavras a você, que é mãe.
Vários poetas tentaram descrever o que é ser Mãe, mas nenhum deles, jamais conseguiu, com exatidão, descrever o que sente uma mulher ao ser Mãe, porque não existem palavras, em idioma algum, que consigam expressar essa emoção.
Não importa o seu credo ou a sua raça, se você é pobre ou rica, casada ou solteira. Não importa em que condições seu filho veio ao mundo. O que importa é que ele existe, e é seu. E você o ama tanto que seria capaz de dar a sua própria vida em favor do filho amado.
Mas o que é realmente ser Mãe?
Não é, como já disse um poeta, “padecer no paraíso”. Ser mãe é padecer sempre.
São as intermináveis noites passadas em claro a lhe controlar a temperatura, quando doente.
É ver o dia clarear velando-lhe o sono e ter que trabalhar, com as olheiras a denunciar o cansaço, a preocupação estampada no rosto, impotente, trabalhar com o pensamento voltado para o filho que ficou, mas você tem que produzir, a vida não pode parar e você segue adiante.
É acordar a cada tossida, a cada espirro, a cada choro (mesmo sem um motivo aparente).
São lágrimas a se confundir com as lágrimas do filho toda vez que você tem que repreendê-lo ou patilhar da sua dor.
É sentar no chão para brincar, ou para ensinar-lhe o dever, depois de um dia cansativo de serviço.
É sentir como se lhe cortassem, mais uma vez, o cordão umbilical quando você o deixa pela primeira vez na porta do colégio.
É viver de renúncias.
Mas tem também o outro lado, o paraíso.
Quando ele dá o primeiro passo, quando fala pela primeira vez “mamãe”, quando escreve a primeira palavra, quando procura o seu colo depois de uma queda.
As coisas mais simples que ele faz são como uma compensação pelo seu sacrifício.
Sacrifício sublime, o de ser “Mãe”.
Gostaria de ter o dom de escrever coisas bonitas para homenagear você, minha amiga, Mãe, neste dia que lhe é dedicado, mas ando meio sem inspiração.
Gostaria de abraçar cada uma de vocês e compartilhar da emoção comum a todas as mães, mas, não sendo possível, considerem as minhas palavras como a mais sincera homenagem a você, que sofre, chora, ama e que é responsável pela mais bela missão destinada por Deus, que é a de ser Mãe.
Parabéns!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

HISTÓRIAS DO HOSPITAL

OU MAIS COISAS QUE SÓ ACONTECEM COMIGO!

Dedico este post a todos os amigos e visitantes, em especial à Mara, Cristina, Juçara e Mauricio.


ATO Nº 1 – INTERNAÇÃO

Depois de 13 dias de peregrinação de médico em médico, exames diversos, antibióticos e outros remédios, enfim cheguei ao Hospital para uma consulta com uma neurologista. Eu já não suportava mais ficar em posição nenhuma de tanto que sentia dores da cintura para baixo, em especial nas pernas. Fiquei sentada à espera da Doutora e era um tal de entra gente, sai gente, e eu ali, com meu fiel escudeiro – Beto, meu filho. Chega a Dra e sou chamada. Vou para um consultório no pronto socorro mesmo, ela me examina e vai logo falando: - A senhora precisa ficar internada. No que eu retruquei: - Como internada? Eu saí de casa para uma consulta, não estou preparada... Ainda mais é véspera de Carnaval! E a Dra, muito calma, responde-me: - Para internar só precisa do paciente! Aí me explicou que ela temia que fosse uma doença grave, etc. e que já iria pedir um apartamento e solicitar alguns exames.
Fiquei eu, deitada na maca do consultório, daí a pouco chega uma moça e me tira quase meio litro de sangue. No consultório em frente desencarna um homem que eu vi entrar andando. Comecei a suar frio e a rezar. Só pensava em não ser a próxima!
Lá pelas cinco da tarde foi que me arrumaram um apartamento e eu me dei conta da primeira surpresa: Hospital não cheira mais a hospital. Sabe aquele cheiro de hospital da nossa infância, uma mistura de éter, desinfetante e sei lá mais o quê? Não existe mais... Acho que é por isso que agora eles chamam de Apart Hospital.

ATO Nº 2 – TREINANDO PARA PILOTO DE CORRIDA


Quando eu estava ainda no pronto socorro, chegou um rapazinho muito simpático, com uma cadeira de rodas (graças a Deus! Porque eu não conseguia mais me manter em pé) dizendo que ia levar-me para fazer uma Ressonância Magnética. Essa foi a primeira de tantas que até perdi a conta, tenho mais hora dentro de tubo de exame que urubu de vôo. Muito delicado ele me colocou na cadeira, ajeitou o lençol nas minhas pernas e zás! Disparou corredor afora que não deu tempo nem de sentir medo. Era uma sensação muito estranha: primeiro a imobilidade, depender de outras pessoas para locomover-me, ver os outros na altura da cintura, e só sentir o ar no rosto pela velocidade com que ele conduzia a cadeira. Pensei com meus botões, vai ver que é exame de urgência, por isso ele veio rápido. Ledo engano! Quando já estava no apartamento, terceiro andar, a coisa piorou, todos eles corriam. Passavam pelas rampas como carros de fórmula um só que o carro era eu! Acho que eles apostavam quem fazia o trajeto mais rápido, comecei a temer a cadeira como se teme instrumento de tortura!

ATO Nº 3 – A COMIDA



Eu sempre gostei de comida de hospital. Todas as vezes que ficava internada (e foram muitas), nunca tive problema em comer o que mandavam. Daí no primeiro dia, meio atordoada, eu ainda comi um pouquinho. No segundo, quando chegou aquela bandeja térmica, eu ainda brinquei: Ai meu Deus, que não seja abóbora! Parece praga! Era abóbora! Até o cheiro me enjoava. Não deu para comer. Trouxeram comida de casa e daí em diante foi um desespero, dia sim e outro também era peito de frango grelhado. Eu não conseguia nem mais olhar para a comida. Ainda bem que o café da manhã era bom, tinha pão, e o lanche da tarde também! Mas eis que os remédios fizeram com que minha glicose chegasse a 300. Tinha dia que eu tomava insulina mais de 3 vezes. Daí o pão, minha única alegria, foi pro espaço. Trocaram por biscoito água e sal. Uma noite, eu estava tão desesperada de ficar sem comer que pedi à Gabi para ligar para a lanchonete e pedir um pão de queijo e um cappuccino diet, com bastante chantilly! (É claro que quando vieram medir a glicemia e deu 224 eu fiquei caladinha rs)

ATO Nº 4 – OS PROGNÓSTICOS


Logo no segundo dia eu entrei na internet e fui pesquisar sobre Mielite. Daí li um monte de coisa (algumas foram úteis, pois haviam acontecido comigo e eu relatei à Dra). Mas é incrível como as pessoas só conseguem se lembrar dos casos mal sucedidos. Era um tal de fulano morreu dessa doença, sicrano ficou mais de um ano sem andar, o outro, depois seis meses, só agora está andando, mas de muletas. Não aparecia ninguém para dizer que conhecia um que havia se curado. Então eu sempre falava: Eu vou ser a exceção!
Quando a Dra falou sobre a possibilidade de eu ter alta usando sonda e bolsa coletora, não respondi nada, minha comadre que estava comigo quis esganá-la por me dizer essas coisas, mas no meu íntimo eu sabia que eu ia superar!
Bem, não morri, não saí usando bolsa coletora, embora tenha usado sonda por uns dias. Mas hoje já não uso mais e já consigo andar! E sem muletas! As dores... um dia também vão embora!

ATO Nº 5 – A ALTA E O PARTO


Já tinha 15 dias que eu estava internada e a Dra falou que eu já poderia ter alta. Entrei em desespero! Chorava o dia inteiro pensando que eu ia morrer em casa, pois a glicemia ainda ia a quase 200 e diabetes é uma morte que não dá sinais, esse tempo todo eles controlaram o meu potássio, que esteve a níveis baixíssimos e potássio é o que se usa para eutanásia e em níveis baixos pode levar ao coma sem aviso prévio, meu intestino ainda só funcionava com fleet enema, a bexiga ainda tinha que passar sonda de 3 em 3 horas (inclusive de madrugada). Como ir embora? Daí Roberto, Beto e Gabi foram fundamentais em me dar a força que eu precisava, em me fazer ver que eu não estava sozinha, que se fosse preciso a gente contratava enfermeiras, etc. Passaram mais 2 dias. Aí eu fui me acalmando e me acostumando com a idéia. Tanto que resolvi acatar a orientação do fisioterapeuta e sair um pouquinho para andar no corredor. Estava eu andando para lá e para cá, observando as obras de arte, painéis, etc., daí me chega uma senhora e me pergunta:
- Já teve o bebê ou ainda vai ter?
Para não mandá-la para aquele lugar engoli em seco, dei as costas, voltei para o meu apartamento e pedi à Dra que me desse alta.

Obs.: A demora é porque tenho que escrever pouco a pouco.

quinta-feira, 26 de março de 2009

HÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL...

...EMBORA O TÚNEL SEJA LONGO!


Meus queridos amigos e visitantes,
Eis-me aqui para deixar-lhes algumas palavras, notícias, etc.
Como a Gabi adiantou (minha filha é mesmo um Anjo! Sem corujice rs) eu tive uma Mielite, passei 15 dias correndo atrás de médicos e exames (com as dores só aumentando) e enfim fui hospitalizada, onde fiquei por 17 dias.
Posso dizer que tenho mais hora de tubo de ressonância magnética que urubu de vôo (posso perder tudo, mas não perco a piada, nem que o alvo seja eu mesma).
Faltou pouco me virarem do avesso... meus segredos foram todos revelados, de tanto exame que fiz, não sobrou nadinha!
O pior é que quando saiu o diagnóstico, o Beto, meu filho, me proibiu de pesquisar sobre a doença... é porque os prognósticos não eram nada bons. Só chegavam notícias de gente que tinha morrido por causa dessa doença, ou tinha ficado na cadeira de rodas, ou levava meses para voltar a andar... só notícia boa!
Daí fui enfrentando cada dia, com muita fé, coragem (que nem sabia que tinha tanta), e amor! Quanto amor recebi! Minha família foi maravilhosa, meus amigos de uma dedicação a toda prova. Havia fila de espera para ficar comigo no hospital. Se existe uma filha predileta de Deus, podem escrever: Sou eu!
Ele esteve comigo (e está) em todos os momentos.
A dor, a doença é sempre oportunidade de refletirmos onde estamos errando, em que parte do caminho tomamos a estrada equivocada, o que poderíamos fazer e não estamos fazendo, pois pior que o mal que se faz é o bem que, mesmo podendo, se deixa de fazer.
Então este é meu momento de reflexão. De valorizar o que realmente importa. E dentre as coisas que estão no topo da lista, a Amizade é, depois da família, a mais importante.
Por isso quero agradecer, de coração, todas as visitas, pessoais e virtuais, todas as palavras de ânimo, afeto, encorajamento, todas as preces, todos os pensamentos positivos, ou seja, todos os momentos em que vocês estiveram comigo. Isso foi fundamental para meu restabelecimento, que sei será longo, difícil, ainda muito dolorido, mas que ao final voltarei a ser a Kátia que vocês conhecem.
Ainda não posso visitá-los, tampouco ficar por muito tempo no computador (as dores não dão trégua!)...
Mas deixo um beijo no coração de cada um e a certeza de que Deus (ou o Grande Ser, Alá, Jeová, ou como quer que você O conceba) os dará em dobro todo o bem que me desejaram.
Muita luz a todos!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

MOTIVO DO DESAPARECIMENTO


Queridos Amigos e Visitantes
Estou que nem esse aí em cima, passeando de maca pelos corredores do hospital, fazendo mil e um exames, a fim de que a equipe médica descubra o que tenho.
Não posso escrever muito porque estou com soro...
Só peço a quem passar por aqui, que faça uma prece para mim.
Um grande beijo a todos

Kátia

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

PORQUE É SEU ANIVERSÁRIO!

Sempre digo que Deus espalha anjos no meu caminho.
Mas Ele, não sei por qual motivo, também deu-me anjos como filhos...
E hoje é aniversário do meu anjo Gabriela (ou Gabi, ou Bi, ou Bizinha, ou Estrelinha...).
Acho que Deus, por saber-me frágil, insegura, inconstante (tudo isso muito bem ocultado sob a capa da mulher maravilhosa e forte) resolveu mandar-me alguém para acompanhar minha tragetória e ajudar-me nos momentos mais difíceis.
E assim veio a Gabi!
Minha amiga, companheira, confidente.
Companheira de viagem que topa as maiores loucuras e os melhores micos! (como esse da foto!)
Não que tudo seja um mar de rosas em nossas vidas. Também brigamos, temos nossas diferenças, ela insiste em seguir caminhos que não aprovo, eu insisto em seguir trilhas que ela não concorda, mas quando pensamos nas pessoas que mais amamos, creio que somos sempre uma e outra.
Bi, aproveito este momento de catarse para pedir-lhe perdão.
Perdoe-me por não ser a mãe perfeita que talvez você merecesse.
Perdoe-me por não conseguir compreendê-la em sua plenitude.
Perdoe-me por, às vezes, ser egoísta e pensar primeiro em mim.
Perdoe-me por querê-la sempre junto de mim...
Em troca, dou-lhe de presente meu colo, meu ombro, meu ouvido.
Não prometo dar-lhe toda minha aceitação e compreensão, pois, por também ser humana, é difícil aceitar os filhos sendo diferentes daquilo que projetamos. É difícil vê-los crescer e não ser a continuidade de nós mesmos.
Mas mesmo imperfeita, cheia de defeitos, o amor por você transborda em mim.
Por isso desejo-lhe um ano Novo em todos os sentidos. Novo em aprendizagem, em conhecimentos, em amores, em realizações, em sonhos, encontros...
Novo na esperança do vir a ser que Deus reserva para Seus escolhidos.
E você é um dos escolhidos!
Com todo meu amor,
Feliz Aniversário!
PS. Queridos amigos, sigo sem poder visitá-los pois preciso preparar a festa surpresa que não é mais surpresa! (rs)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

CARTA

Catedral de Puebla - México


Meu querido

Há tempos penso em escrever-lhe... tanta coisa acumulada dentro de mim, tanta coisa a contar com a certeza de ser compreendida, tanta coisa... mas, é que passo muito tempo escrevendo longas cartas para ninguém e também, como diz a música, “uns versos, depois rasgo”, daí perdi o ritmo, perdi a maneira, perdi.
Sabe, queria de contar das minhas perdas, mas talvez a pessoa que você é hoje achasse mesquinharia eu falar de perdas uma vez que cremos em reencontro, reencarnação, em vidas passadas. Mas despedir dói (ainda dói).
Contar, quem sabe? da passagem de um livro que me emocionou que dizia: “As lembranças emergem no presente intemporal do amor, no louco espaço onde uma mulher e um homem são tudo para passar imediatamente a outro espaço onde já não há mais nada, onde os direitos terminam, onde a intimidade desaparece para ser guardada a chave no baú das recordações, na arbitrariedade dos amantes onde de um minuto para outro o nada se instala. Por que não conheci você antes...?” (SERRANO, Marcela. O Albergue das Mulheres Tristes) e perguntar o que você acha, com certeza você me falaria de amores, filosofia, mundos paralelos.
Mas queria mesmo saber o que você está lendo, voltar a ler os mesmos livros, escrever nas margens e depois comparar as impressões. Esses dias estava relendo Castañeda e lembrei de você, numa passagem em que Don Juan diz:
“Yo digo que es inútil desperdiciar la vida en un solo camino, sobre todo si ese camino no tiene corazón.
- Pero, ¿cómo sabe usted cuándo no tiene corazón un camino, don Juan?
- Antes de embarcarte en cualquier camino tienes que hacer la pregunta: ¿tiene corazón este camino? Si la respuesta es no, tú mismo lo sabrás, y deberás entonces escoger otro camino.”
Mas no momento certo você se encontrará Don Juan (talvez já o tenha encontrado). Mesmo assim fiquei a perguntar-me: será que naufragamos por haver coração demais em nossos caminhos?
Queria também te contar das viagens que fiz pelo mundo, das coisas que vi, das inúmeras vezes em que sozinha, estive com você, em todos os lugares que sonhamos estar juntos. E não foi triste... foi como se eu visse cada coisa, cada paisagem, através do seu olhar. Foi um grande aprendizado.
Queria te contar que aprendi a ouvir música, por longo tempo, de Kevin Kern a música erudita, em silêncio, deixando que as notas invadam minha alma e me alimentem de som, como você me ensinou, mas sinto saudade de, encostada num portal qualquer, cantar:
“Bem que se quis / Depois de tudo / Ainda ser feliz / Mas já não há / Caminhos prá voltar / E o quê, que a vida fez / Na nossa vida? / O quê, que a gente / Não faz por amor?... / A minha estrada corre / Pro seu mar... “
Sabe, este final de ano não quero me encher de resoluções, nem promessas, nem esperanças... quero apenas saber que escolhi um caminho com coração, mesmo que esse caminho deixasse para trás a parte mais bonita de mim.
Não há mais lugar para pular sete ondas, chupar romã, comer lentilhas ou usar essa ou aquela cor... não espero muito mais da vida, estou satisfeita com o que tenho. Sonhos? Sim, ainda sigo sonhando e buscando realizá-los. Não desisti de viver, desisti sim, de correr atrás do impossível, desisti de sofrer pelo que não tenho, pelos caminhos que não escolhi.
Fiz minhas escolhas e isso me basta. Talvez porque ainda acredite que haverá um dia... um lugar... quem sabe outra encruzilhada?
Se sou feliz?
Devolvo com outra pergunta: Existe alguém verdadeiramente feliz?
Só uma coisa gostaria de ainda saber: como está você? Como tem sido sua vida? Continua crendo e buscando o amor em outras bocas e outros corpos?
Conseguiu enfim apagar-me da sua memória?
Se conseguiu, poderia ensinar-me?
Hoje e sempre,
Eternamente

Leda
(este post eu dedico a Dauri Batisti, ele sabe porque...)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

UM ANJO CHAMADO PEDRO

Hoje eu quero falar do Pedro, meu querido afilhado.
Pedro que amava o mar - da cor dos seus olhos, amava seu carro barulhento, o carnaval, o futebol (mas principalmente o Vasco), amava andar perfumado, embora de bermuda e chinelo, amava...
Quero falar daquele que estudava à força, que matava aula para "pegar" onda, como que pressentisse que para onde ele iria o conhecimento acadêmico não iria fazer diferença, que pulava do muro com uma sombrinha de praia de para-quedas, que sumia com sua "quadrilha", como ele mesmo dizia da turma que sempre o acompanhou.
Daquele que dizia que quando crescesse queria ser igual ao irmão mais velho, mas, ao mesmo tempo, acolhia em sua cama o irmão caçula que tinha medo de escuro e acalentava-o até que adormecesse.
Daquele menino-homem carinhoso, que não fazia distinção de classe, cor, credo, que a todos respeitava e amava, e mais que isso, não tinha vergonha de demonstrar o seu amor.
Se tivesse tido mais tempo, com certeza se transformaria num daqueles homens que todos respeitariam, que amaria sua esposa e a ela dedicaria o melhor de si, que educaria seus filhos e deles faria homens de bem.
Falar do Pedro que, mesmo com dor, pegava seu violão e ia para a aula de música.
Do Pedro filho, irmão, afilhado, sobrinho, primo, amigo... teria uma palavra para cada Pedro e certamete seria uma palavra de carinho e elogio.
Enfrentou a doença, fardo difícil e pesado para qualquer ser humano, sem revolta, sem medo.
Cria em Deus e em nenhum momento deixou que as dificuldades da vida mudassem sua crença.
Agora ele se foi... e ficou esse vazio imenso, essa saudade a corroer a alma, esse sentimento de que faltou tempo, de que se foi cedo demais.
Muitos foram os adjetivos usados para descrevê-lo: Valente, Corajoso, Campeão.
Eu prefiro dizer que Pedro era Especial.
Tinha como missão ensinar-nos sobre as coisas da vida e da morte.
E o fez com perfeição.
Agora ele é uma estrela.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

DE PARTIDAS E DESPEDIDAS

Ao meu querido amigo Jackson,

Você se foi.
Não deu tempo nem da gente se despedir.
Reconheço que sua partida não foi súbita nem inesperada, há tempos ela já se anunciava e nós, seus amigos, fazíamos de conta que não percebíamos como que querendo iludir a você e a nós mesmos.
De repente a notícia chegou.
Você tinha desistido de lutar (ou não conseguiu mais, ou cansou, quem sabe?) e partido.
Ficamos, então, parados, estáticos, como quando sabemos que alguém vai viajar só depois da partida, só que sua viagem não tinha bilhete de volta, você nos deixou, meu amigo.
E agora? Como conviver com essa ausência?
Quem nos trará, no meio da tarde, um lanche do Bob’s dizendo para comer sem culpa, que depois faríamos dieta?
Quem se lembrará de nos mandar balas em formato de flores?
Quem brincará de imitar os colegas fotografando paisagens imaginárias ou imitando esfinge?
Agora, com certeza, você já está percorrendo as galerias de algum shopping celeste em busca das novidades ou algum tênis diferente.
Lembro-me quando você foi embora para o Rio de Janeiro dizendo que sua ida era inevitável, pois precisava alçar novos vôos. Você partiu feliz e nós ficamos numa tristeza sem fim, mas torcendo para que você realizasse todos os seus sonhos.
E você os realizou.
Fez novas amizades (impossível lhe conhecer e não ser cativado), viajou mundo afora, viveu intensamente...
Não me interessava o modo como você levava sua vida, ela só dizia respeito a você mesmo, mas me interessava muito saber se você estava bem, se era feliz, e quanto a isso não resta a menor dúvida quando lembro do teor dos inúmeros bilhetes que trocamos (via malote), sempre recheados de brincadeiras, gozações e de amor, muito amor.
Jamais esquecerei tudo que compartilhamos, até das brincadeiras em seu leito de hospital. Eu brigando para você melhorar logo porque estava esperando pra fazermos longos passeios gastronômicos e consumistas (tudo para iludir a dor...)
Não foi possível fazermos nada para aliviar a sua agonia.
Alguém que não me recordo disse que a gente começa a morrer no dia que nascemos... mas bem que você poderia ter tido uma nova chance, você ficou pouco tempo aqui, foi-se cedo demais...
Fazia uma noite até bonita quando você partiu.
Só nos restou dizer adeus, meu amigo querido.
Acredito que, enfim, você alçou o vôo mais alto. E para nós só ficou essa saudade que dilacera a alma (mas que um dia acalma, eu sei), essa dor que invade nosso peito e parece não querer nunca mais ir embora e a tristeza de não ter podido dizer-lhe, pela última vez, face a face, o quanto eu o amava.
Com certeza um dia a gente ainda se encontra e te juro, desta vez, não deixarei que se afaste assim, tão depressa...
De onde você estiver, olhe por nós, em contrapartida estaremos orando por você (não acha uma boa troca?!)
Até um dia.

sábado, 27 de outubro de 2007

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO


Hoje eu queria te dar um presente...
Não um presente qualquer que se compra nos shopping centers da vida,
E com o tempo se acaba, se rompe, se perde.

Mas algo que você pudesse levar consigo, por toda a eternidade.

Não poderia ser material. Seria complicado entregar.

Fiquei pensando...

Então descobri que tenho muito para lhe dar.

Neste momento, como dom especial, ordeno que apaguem da sua memória todas as lembranças ruins. Só permaneçam aquelas gostosas, que trazem leveza à alma.

No dia de hoje meus poderes de bruxa estarão funcionando a todo vapor!

Por isso, para iniciar com o pé direito, é necessário que você esboce aquele sorriso maroto... aquele que está guardado há tanto tempo... vai! Você consegue! Assim! Por enquanto está bom... mas pode melhorar. Não tema parecer tolo.
Então, começo dando o meu mar. Lembra-se que sua estrada já caminha para ele? Então aproveita... é seu! E quando estiver caminhando pela areia, pegue a concha mais brilhante... também é sua... corra um pouquinho, fuja da água, brinque de pique com as ondas e ria, ria bastante, ria alto (não tema parecer tolo, você está desfrutando o seu presente!), pois junto estou lhe dando gargalhadas de presente.
Dou-lhe também um entardecer rosa e dourado (você conhece, não é sempre que acontece),
E uma noite de luar com muitas estrelas para que você possa escolher em qual delas pretende, um dia, habitar.
Dou-lhe, em forma de prece, reservas de paciência, pois para quem tem vida agitada, é de muita utilidade.
Você também vai ganhar, mesmo a contragosto, um pote com algumas lágrimas, é que a vida às vezes fica tão difícil e solitária que só a paciência não resolve, mas use-as com parcimônia... porque não é sempre que eu tenho para lhe dar (sabe, tenho gasto muito ultimamente...).
O calor do sol nas manhãs de inverno, também lhe dou, para tornar mais fácil seu despertar.
O que acha de ganhar estrelas cadentes? Dou-lhe três, é um bom número, nem pouco que fique faltando algo, nem demais para que não suba à cabeça, faça seus pedidos, mas preste bastante atenção ao que pedir, pois eles serão atendidos.
Vá ao parque mais próximo e escolha uma árvore. Chegue pertinho e pergunte a ela: você é meu presente? Se ela balançar de leve as folhas é porque acertou... Abrace-a... absorva a energia que ela tem para lhe dar... É o abraço que eu não posso dar.
Quase ia me esquecendo, nuvens, muitas nuvens, nos mais diversos formatos, para você viajar e descansar. Brinque novamente de descobrir formas nas nuvens. Hoje o dia é seu!
Mas está chovendo? Não tem problema, vê a poça de água à sua frente, pise forte, com os dois pés, e saia leve... se tiver alguma goteira de marquise, melhor ainda, passe sob ela, deixe a chuva lavar seu corpo e sua alma, é a sua infância que estou lhe dando novamente.
Música! Como poderia me esquecer? Ainda não ouviu as cordas? Os violinos? Acertou! Essa sinfonia eu escolhi especialmente para o dia de hoje. (Está bom não é novidade... mas é a que mais gosta, não é?)
Faltava cor! Mas para você não bastam cores primárias, têm que ser especiais... então fui buscar bem longe, você sabe onde, só para enfeitar seu dia... todo esse esplendor eu captei só para você.
Quase ia me esquecendo: por telepatia, dou o número do meu celular, porque existem dias cinzas na nossa vida em que tudo que queremos é alguém que possa nos escutar.
Acho que para um aniversário, você tem bastante presentes
E para completar
Também reservei para você um brilho novo no olhar!
É a Esperança que eu te restituo.
(pode conferir no espelho)