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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

DE PERDA, DE DOR, SAUDADE



Passei muito tempo da vida, quando perdi um grande amor, acreditando que talvez estivesse preparada para perdê-lo pra morte, mas nunca para a vida... mentira... a gente nunca se prepara para a perda, nem para a vida, nem para a morte.

Com todas as minhas crenças e convicções, nada me prepara para a despedida de alguém a quem amo. Sim, tudo bem, eu creio em reencarnação, em que existe uma Lei Maior a reger tudo e todos, que não existe acaso... mas a despedida ainda me atinge qual ferro em brasas e queima, arde, dói.

As lágrimas da despedida - seja de um amor, de um amigo, de pai, de mãe, de filho - em qualquer circunstância, são mais salgadas, deixam um rasgo na pele qual ácido que escorre.

Toda despedida traz em si um nunca mais que não conhecemos...

Se deixamos o filho em outra cidade, cada despedida é marcada pelas lágrimas da incerteza de se haverá outra vez, se nos encontraremos de novo, quando poderemos abraçar novamente nossa cria.

Se perdemos um amor - porque amor tem dessas coisas de só acabar de um lado - a despedida é marcada pelo nunca mais e nunca mais é tempo demais quando se ama demais...

Se enterramos mãe, pai, afilhado, amigos queridos, bate o medo de não termos como nos encontrar novamente, seja em outro plano, em outra vida, pois cada um segue seu rumo e o tempo não pára, em nenhum plano, em nenhuma vida.

Hoje, obrigada que sou a me despedir de uma amiga querida que foi trabalhar do outro lado, a dor mais uma vez vem bater à minha porta me impelindo a verter lágrimas ácidas de saudade.


Parta em paz, Ieda Brasileiro, e prepare o caminho para nós! 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

DA SÉRIE SIMPLES ASSIM...


sexta-feira, 16 de maio de 2014

HOJE VAMOS DE CLARICE

É SEMPRE SAUDADE
Clarice Lispector

(by Kátia Corrêa De Carli - Vitória-ES) 
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida…
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades.
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei. Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser. Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro. Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser. Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu;
De quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse, de certo gostaria de experimentar. Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências. Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava totalmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade; Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi… Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileiro, só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota. Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e clarear sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples “I Miss You”, ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades, porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos. Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência.
Sentir saudades, é sinal de que se está vivo e a vida, mesmo com tantas saudades, depois dos amigos, é o bem maior que possuímos.


Nascida Chaya Pinkhasovna Lispector (em russo  Хая Пинхасовна Лиспектор) numa família judaica, Clarice foi a terceira filha de Pinkhas Lispector e Mania Krimgold Lispector. Natural da Ucrânia desembarca no Brasil com um ano e dois meses, depois da fuga da família da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa (1918-1920).
Sempre que era perguntada sobre sua nacionalidade afirmava "Naquela terra (Ucrânia) eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" e afirmava que sua verdadeira pátria era o Brasil.

Mais dados em breve...

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PESSOAS QUE PERDI



Tem dias, como hoje, que sinto muita falta das pessoas que perdi.
Sinto falta daquelas que foram embora levadas pela morte. Essas ficam na parte rasgada do meu coração mas que não tem como suturar... existem fatos inevitáveis e a morte é um deles.
Porém sinto muita falta das pessoas que perdi para a vida.
Fico perguntando-me se poderia ter feito mais. 
Se poderia tê-las retido. 
Onde errei.
Não encontro respostas... 
Sei que não vale a pena correr atrás de pessoas que já não me querem, mas dói. Dói lembrar, dói saber que não volta, dói não reviver.

Sabe, posso ser ingênua, mas sinto muita saudade das pessoas que perdi...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

CARTA AO MEU FILHO


Meu querido,

Eu sabia que a sua ausência ia doer fundo na minha alma, mas não sabia que a saudade vinha nas grandes e pequenas coisas.
Sinto muito a sua falta, fisicamente falando, seu quarto vazio é um túnel sem luz ao final, mas quando fica insuportável, não tenho vergonha de falar, deito na sua cama, cheiro suas roupas, choro e depois de um tempo, levanto-me, lavo o rosto, e volto a enfrentar a vida.
Porém existem coisas que eu só me dei conta quando perdi...
Ninguém mais pergunta, ao apagar das luzes, se quero um copo d’água.
Ninguém me oferece uma bolsa de gelo, só de olhar para meu rosto, com a finalidade de aliviar a dor de cabeça.
Ninguém mais chega à porta do meu quarto só para perguntar: - Mãe, tudo bem? Precisa de alguma coisa?
Mãe, vou sair, se quiser alguma coisa é só ligar...
Sabe, meu filho, com essas pequenas coisas a saudade só faz aumentar. Mas como sempre repetiram para mim, como um mantra, “você é forte”, estou tentando sê-lo e seguir adiante.
Com o tempo eu vou aprender que a distância é só um detalhe, que o mais importante é a consciência tranquila de que o homem que eu criei e eduquei está mais do que pronto para enfrentar o mundo de cabeça erguida, valores íntegros, caráter incorrompível.
Vou aprender que o mais importante é o amor imenso que carregamos no coração e que ninguém pode sequer tocar!
Mas tem uma coisa, meu amor, que está me matando... eu havia esquecido como é fazer compras em supermercado! Meu Deus! É tortura medieval... Obrigada por tê-lo feito para mim todo esse tempo. Isso é prova mais incontestável de amor verdadeiro! Não volto sozinha nunca mais...
Com todo meu amor e saudade,

Mamãe