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terça-feira, 6 de outubro de 2015

DESPEDIDA

A pedido dos alunos da Escola de Primeiro e Segundo Graus Afonso Cláudio, em especial para Vicente Eutrópio.



DESPEDIDA
(Autora: Kátia Corrêa De Carli)
(Para Roberto Corrêa De Carli Ramos)

"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa..."

Busco em dores já cantadas
Para ver se encontro como definir
Essa coisa nova que estou a sentir.
É orgulho misturado com tristeza
Satisfação bem batida com angústia
Certeza de dever cumprido costurado numa dor sem definição,
É muito difícil descrever o que passa no meu coração.
Chegou o momento da despedida.

"Nada será como antes, amanhã..."

Nunca mais à distância de um chamado
Nunca mais ao alcance diário da minha mão,
Então, vocês que não conhecem essa dor
Não tentem me consolar com definições
Ou fazendo comparações,
Dizendo que há dores maiores e irreversíveis.
Nestas horas de separação, só quero ocupar-me de mim mesma
Por isso me perdoem o egoísmo,
Só eu conheço o rombo da minha própria solidão
Que arde qual álcool em ferida aberta,
Que tira a paz do meu coração.

"A dor é minha, a dor é de quem tem"

Sei que é hora de se lançar,
Quanto a isso não me preocupo,
Há tempos te ensinei a voar.
Mas esqueci de me preparar para esse voo solo
Onde não há mais espaço para mim.
Como pude cometer tal desatino?
Esqueci que cada qual tem seu destino...
Vai menino querido,  voa alto, voa grande,
Vá certo da vitória merecida
E deixe em cada coração que posou
Um pouco de amor espalhado,
Saudade só salpicada,
Certeza do espaço especial que ocupou.
Voa meu menino passarinho
É hora de deixar o ninho. 


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Cansaço

(Autora: Kátia Corrêa De Carli)

Ando cansada...

Cansada da desfaçatez de governantes
Cansada da falta de ética
Da falta de caráter
De educação, de confiança.

Ando muito cansada...

De nadar contra a corrente
De ser a do contra
De ver as mesmas notícias
E nenhuma trazer esperança

Cansada demais...

De tentar mostrar a minha verdade
De lutar contra as adversidades
Da falta de saúde
De estar sempre na contradança.

Ando tão cansada...

De não enxergar perspectiva futura
Desta vida sempre tão dura
Não encontrar nada que me guie
E, ainda assim, sobreviver cada dia.

Cansada...

Por isso peço-lhe, oh Guardião das almas antigas
Desperta meu coração cansado
Coloca luz no meu caminho,
Dá-me um pouco de alegria.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

FRAGMENTOS


FRAGMENTOS

Autoria: Kátia Corrêa De Carli

Tentei buscar na memória
Alguma lembrança que me dissesse quem sou...
Mas as recordações se foram
E nem com todo esforço consegui.
Talvez os retratos me trouxessem
Os vestígios do que fui e fiz,
Mas as fotos amarelaram com o tempo
E nelas não me reconheci,
Procurei junto aos amigos antigos
Quem me respondesse, por fim;
Mas não os encontrei,
Em alguma curva da vida os perdi.
A "caixinha de tesouros", há tanto esquecida,
Foi ali que encontrei, afinal,
Uma pulseira sem fecho,
Um brinco sem par,
Um anel sem pérola,
O fragmento de um colar.
E num lampejo de lucidez e compreensão
A resposta lá estava,
Sou os pedaços recolhidos, um a um,
Depois de cada batalha.
Carinhosamente colados, remendados,
Formando esse todo imperfeito,
Tão cheio de defeitos... Mas um todo, enfim,
Quem sou?
Sou o fruto do que tinha de mais forte
E que a vida não conseguiu matar em mim.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CASAMENTO

Para Roberto e Danila


ENSINAMENTO
(Adélia Prado)

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

quarta-feira, 26 de março de 2014

SOLITUDE, SOLIDÃO



Hoje acordei com desejo de solitude.
Não ouvir o barulho da obra em frente,
Não ouvir o rádio tocando música brega,
Nem o sujeito gritando “olha o gás”.
Não quero os sons produzidos pelo homo sapiens
Nem pelos seres do mundo animal.
Não quero palavra sussurrada,
Nem canto de pássaro,
Nem a mais linda balada.
Hoje queria ausência de mim,
Como se pudesse abandonar meu corpo na cama
E ir para um lugar qualquer, em outra dimensão
Um lugar onde não houvesse espaço
Para pensamento, saudade, cansaço.
E de lá observá-lo quieto, mudo, imóvel,
Como acho que devem ser os corpos mortos,
Sem dor...
Hoje queria mesmo era solidão.


(Kátia Corrêa De Carli)

segunda-feira, 25 de março de 2013

SÚPLICA

Antes de iniciar meu relato gostaria de postar um poema feito no hospital.
Em homenagem ao Dr. Walker Penedo Monteiro, anjo que Deus colocou no meu caminho




Esta mulher refletida no seu olhar límpido,
Sabe, Doutor? Com a face encovada,
Palidez constante, olhar embaçado,
Necessita tanto do seu cuidado.
Necessita nutrição, antibióticos, analgésicos,
Proteína, sódio, potássio,
Alguém que lhe pense as feridas,
Alivie suas dores,
Console seus temores.
Mas – sabe, Doutor? – essa mulher não sou eu.
Embora faça parte de mim.
Por isso lhe peço,
Não deixe de atentar à outra,
Àquela que se encontra oculta
Por trás de dores, suturas, doença.
Essa, Doutor, também necessita ser cuidada,
Muito bem amparada,
Nutrida de doses de carinho e atenção,
Frascos de sonhos,
Cápsulas de esperança,
Um leve toque de mão.
Porque é essa, Doutor, a que sonha,
Que não permite que a outra, a que sofre,
Desista.

terça-feira, 12 de abril de 2011

DIVAGAÇÕES



Hoje amanheci assim:
nem alegre, nem triste.
Hoje vi o dia clarear assim:
nem sol, nem chuva.
Hoje não houve despertar, porque não houve dormir.
Não houve canto de pássaros,
nem a vida a se por em movimento.
Hoje senti vontade de estar perto
daqueles que precisam de colo
Mas também querendo tanto
alguém que me desse seu ombro.
Contradições.
Vontade de lutar,
Cansaço de tanta batalha.
Dor doendo no peito
Saudade danada de gente que amei,
ainda amo,
que sei também me amaram,
ou ainda amam,
tão dentro do meu coração
tão longe do toque da mão.
Hoje levantei-me assim:
nem alegre, nem triste;
então por que essa lágrima
teima a sair de mim?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PODERIA SE CHAMAR AUTO RETRATO, POR MIM


Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?



Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatro filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides.
Escreveria mais tarde:

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.

(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

Diploma-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1917, e passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do antigo Distrito Federal.
Dois anos depois, em 1919, publica seu primeiro livro de poesias, "Espectro". Seguiram-se "Nunca mais... e Poema dos Poemas", em 1923, e "Baladas para El-Rei, em 1925.
Casa-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada. Suas filhas lhe dão cinco netos.
Correia Dias suicida-se em 1935. Cecília casa-se, em 1940, com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
Com mais de 60 livros publicados, considerava sua obra principal o livro infantil Olhinhos de Gato, baseado na própria vida em que conta sua infância depois da morte da mãe e cono foi criada pela avó (personagem Boquinha de Doce, no livro).
Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964. Recebe, ainda em 1964, o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Ilustração: Auto retrato

PS: Perdão pela ausência, principalmente à Vanuza... os tempos andam difíceis...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

PELO CAMINHO


Amigos do Caminho

Caminhando pela estrada das estrelas
Palmilhando o norte da Espanha,
Nunca pensei pudesse crescer tanto
Junto àquela gente, a princípio, estranha.
Foi no caminho que aprendi
O significado da amizade verdadeira,
Que ultrapassa credo, cor, posição social,
Que quebra toda barreira.
Quando as dificuldades da língua
Tornavam impossível a compreensão
Aprendi a falar e escutar
Somente com o coração.
Aprendi o real significado
De palavras como tolerância e paciência,
Que às vezes temos que rever conceitos,
Que não podemos nos deixar levar pela aparência.
O caminho nivela a todos
Consegue a todos igualar
Pois ficamos reduzidos
Ao que suportamos carregar.
Tanta amizade sincera
Fiz por estas paragens,
Um sentimento tão profundo
Que não se vê em conhecidos de viagens.
Amigos que se foram,
Outros que deixei para trás,
Alguns que ainda seguem comigo
Outros que sei, não verei nunca mais.
E agora, meus companheiros queridos,
Que o caminho chega ao fim
Sobrou este vazio imenso,
A alma em chamas, esta dor em mim,
Este não saber o que fazer,
Pois a cada passo que dou
Se me aproxima de Deus,
Mais me afasta de vocês.


Arca - Espanha



domingo, 18 de julho de 2010

PORQUE EXISTIU UM DIA, UM 18 DE JULHO...




Porque houve um dia um 18 de julho
E por um instante reconheci na multidão
Aquele que veio a este mundo para me encontrar
E vi estrelas num olhar de céu e mar
E descobri o porto seguro onde ancorar minha vida turbulenta
E senti o calor que aquece coração
Porque houve um dia em que meus olhos pararam de procurar
E minha alma se aquietou num abraço
E conheci o sabor de mel do beijo único
E nunca mais minha vida foi a mesma
Porque se encheu de luz, amor, poesia,
Que seguem comigo, aonde eu for...
E dele sempre será,
Até a eternidade, e se houver um fim,
A melhor parte de mim.
Tudo isso porque houve um dia...


(Inédita)de julho especial...

domingo, 27 de junho de 2010

TEMPO

Preciso de tempo.
Para fazer todas as coisas
Que até bem pouco tempo atrás
Julgava ser pura perda de tempo.
Quanto engano!
Preciso de tempo para dormir
E sonhar, só sonhar.
Para admirar as estrelas,
Esquadrinhar cada palmo de céu
Até descobrir em qual delas
Meu pai resolveu habitar.
Tempo para fazer tanta coisa
Sem me sentir culpada,
Como andar descalça na praia
As ondas acariciando meus pés.
Catar conchas, só pelo prazer de,
Dez passos adiante,
Devolvê-las ao mar.
Preciso de tempo, mais tempo.
Tantos poemas de Pessoa, Neruda, Drumond,
Que ainda tenho que decorar,
Tantas sinfonias a escutar,
Tantos livros que ainda nem descobri.
Preciso de tempo para aprender a me permitir
A andar na chuva, cantar na rua,
Sorrir pelo prazer de sorrir.
Para ver meus filhos terminarem de crescer,
Para conhecer os netos que um dia vou ter.
Preciso de tempo,
Para aprender a amar, a fazer o bem,
A ver o próximo como a um irmão,
A olhar com os olhos do coração.
Tanta coisa ainda tenho que fazer e aprender
Por isso, Grande Construtor do Universo,
Um pouco mais de tempo,
Só tempo, é o que peço.

Poema: TEMPO
Autoria: Kátia Corrêa De Carli
Inédita

quarta-feira, 12 de maio de 2010

ORAÇÃO



Sabe, ando passando por momentos difíceis:
São dores que não dão trégua,
Esquecimentos, dependência, alheamentos
Lágrimas e lamentos.
Sabe, ando tão perdida
Que acabei me perdendo de mim mesma.
Aquela que fui, foi-se embora sem deixar endereço,
Essa que sou, não reconheço.
Sabe, o Senhor me ouve?
É que busco na memória as "rezas" da infância
Mas também não sei onde foram parar,
Triste, constato: acho que não sei mais rezar.
Sabe, eu tento conversar Consigo
Como o Amigo sincero que sei que é,
Mas está tão difícil, meu corpo dói tanto
Que a única coisa que sobra é meu pranto.
Sei que lê o que passa com as pessoas
Do pensamento ao coração
Isso não me apavora, nem me faz temer,
Pois não encontrará mágoa, nem revolta, no que ler.
Sabe, sei que há um motivo para a doença,
Que em tudo há uma causa maior,
Mas ando tão cansada desta agonia
Que nada mais me causa alegria.
Senhor de todas as coisas,
Criador do universo,
Por isso hoje esse chamado
Para que me olhe com cuidado,
Não peço alívio para a dor física
Peço só para ouvir meu coração
E escutar baixinho as palavras que não sei falar,
E o que a mente não consegue articular.
Por isso também minha súplica,
Mais forte que a dor que sinto,
Meu Deus, de todo meu coração,
Aceite meu pranto como se fosse oração.

sábado, 20 de março de 2010

MAIS UMA DE AMOR...

Teatro - Guadalajara - México

NUNCA MAIS

(Kátia Corrêa De Carli)

Hoje a sua ausência
Mais uma vez veio me incomodar.
É uma saudade que queima,
Arde, incomoda,
Torna física a dor
Que julgava ter superado,
Traz de volta o amor
Que pensava já ter esquecido.
Saudade dos nossos momentos
Cheios de ternura, de paz.
Das conversas que aquietavam a alma
Depois de saciada a carne,
Dos silêncios cheios de compreensão,
Do saber estarmos indo,
Mesmo separados,
Na mesma direção.
Sem aviso, o adeus,
O ir embora sem olhar para trás,
A certeza de que estava partindo
Para nunca mais.
Fiquei quieta, muda, estática
Tentando encontrar algo que me guiasse
Que me impelisse a sair do cais.
Mas nada, nenhum leme,
Nenhuma vela, nenhuma embarcação.
Sozinha com a sensação das entranhas rasgadas,
Do corpo sangrando em pedaços,
Da dor a me corroer.
Passado o desespero da solidão,
Aquietado o espírito,
Secadas as lágrimas,
No coração, a ilusão do esquecer.
Hoje traída pela recordação
Do que não deveria mais voltar,
Lembro-me de você, da saudade,
E volta a doer a mesma dor
Da certeza que nunca mais
É tempo demais para eu viver
Sem o seu amor.

(inédita)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Indagações... só isso

Guadalajara - Arcos

Houve um tempo em que eu sabia para onde ia... sabia a meta

Embora não conhecesse a estrada, mirava o destino

Tinha a vida nas mãos

E as decisões eram minhas.

Aos poucos fui fazendo as coisas por instinto

Porque a vida não vem com instruções.

Achando que estava certa, eduquei filhos

Mas como não tinha manual de orientação

Hoje me pergunto: Fiz a coisa certa?

Não sei.

Segui carreira, galguei cargos,

Trabalhei anos a fio.

Hoje me pergunto: Algum dia fiz o que realmente amava?

Não sei responder,

Por isso agora essa angústia,

Indagações sem fim,

Fiz alguma coisa certa?

Quantos erros cometi?

Onde falhei?

Não encontro respostas.

Não sei nem o que a vida fez comigo.

Procuro dentro de mim

Um lugarzinho que seja

Onde exista ainda paz,

Onde não esteja contaminado

Por intrigas, agressões, desamor

Mas quando olho ao redor

Apesar de tudo que construí

Encontro-me sozinha.

Alguém pode me responder

Onde foi parar a vida que julgava minha?


Kátia Corrêa De Carli (inédito)

sábado, 30 de janeiro de 2010

CORREIO SENTIMENTAL

Para Tide,

Meu amigo muito querido, você colocou duas questões que embora pareçam diferentes, traçam um mesmo caminho: o do coração.

Apesar de não ser especialista nestas questões, talvez a vivência de tudo que passei me habilite a tentar analisar e responder.

Você perguntou se é possível sentir saudade de alguém que não se conhece. Devolvo com uma pergunta: existe alguém no mundo que a gente possa dizer que realmente conhece? Não conhecemos nem nós mesmos...

Existem pessoas que a gente já viu milhares de vezes e não conhecemos...

Existem pessoas que a gente nunca viu olho a olho e que conhecemos muito mais que nosso vizinho de porta.

Existem pessoas especiais, que basta uma palavra, uma demonstração de afeto (seja um cartão, uma foto ou um cd caseiro de MPB) e se deixam mostrar escancarando a alma, porque sabem que quem está do outro lado também escancara sua alma, sem pudor. É a confiança construída a cada conversa, a cada “teclada”...

Então, minha tese é que não existem pessoas que não conhecemos, existem pessoas que a gente não encontrou pessoalmente, ainda, mas que conhecemos e amamos.

E o amor gera saudade... qualquer espécie de amor.

Mesmo aquele amor que parte o coração, deixando como “carne moída”.

Depositamos nossa esperança, todo nosso amor, carinho, devotação a uma pessoa. Passamos a viver na espera do retorno - ainda não somos tão evoluídos a ponto de amar por amar, para nós o amor tem que ser pista de mão dupla – e não perguntamos ao outro se ele está colocando na relação todo o seu amor, carinho, etc. também. E na maioria das vezes, a relação é de mão única. E quando acaba, quase sempre de um lado só, sobra um velho coração despedaçado, desesperançado, doído a ponto de se sentir dor física.

Quando isso acontece queremos morrer junto com nosso coração.

Os dias vão passando, a dor vai diminuindo aos pouquinhos... mas não acaba! Nunca! Carregamos no olhar a dor daquele amor perdido. É como queimadura, a cicatriz permanece por todo sempre a lembrar aquele amor não vivido.

Amor perdido é amor eterno!

Todo meu carinho e um poema

Kátia

FIM

Não existe nada mais doído

Do que o fim de amor.

Amor idealizado,

Amor conquistado aos poucos,

Amor!

Num ímpeto de raiva

Tentei apagar os vestígios

De sua passagem pela minha vida.

Queimei cartas, recados, retratos,

Apaguei seu nome da minha agenda,

Não mais passei pela sua rua,

Nunca mais ouvi “nossas” músicas.

As lágrimas vieram uma a uma,

Lavei com elas minha alma,

Minha mágoa,

Minha dor.

Com o passar dos anos a gente consegue

Enganar até mesmo a memória,

Achando que esqueceu.

Achei que tinha esquecido você.

Só muito tempo depois descobri

Que o amor dói mesmo muito depois do seu fim.

Dói a cada encontro,

A cada olhar,

A cada recordação.

O fim de um amor a gente até supera

Mas não esquece não.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ENCONTROVERSO


Estarei lá apresentando alguns poemas! Estão todos convidados!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PASSO E COMPASSO

Dia desses estava pensando nos rumos (ou a falta deles) que a minha vida tomou neste ano. Foram tantas surpresas: doenças-surpresas, diagnósticos-surpresas, falta de diagnósticos ainda mais surpreendentes e por aí vai...
A única coisa que não foi surpreendente foi a qualidade e quantidade de amigos sinceros que tenho espalhados pelo mundo, perto e distantes, conhecidos e ainda por conhecer, mas amigos da melhor estirpe!
Agora, que estou, mais uma vez, prestes a encontrar um novo e desconhecido (para mim) diagnóstico, que provavelmente me levará outra vez para o hospital, lembrei-me de um poema que escrevi há muito tempo, décadas...
Acho que chegou a hora de aceitar esse novo passo, redescobrir um compasso, tentar ser feliz.

(Imagem ilustrativa retirada da internet - infelizmente não tenho fotos da "nossa" banda)

Acelere o passo,
Diminua o compasso.
Vestidos de laranja, azul-turquesa e dourado
Galões refletindo sob o sol
Éramos mais que uma banda marcial.
Éramos jovens, unidos, destemidos,
Tendo sonhos por ideal.
Acerte o passo,
Atenção ao compasso.
Juntos enfrentávamos qualquer desafio.
Obstáculos? Vencíamos todos.
Nada nos detinha.
Éramos felizes porque éramos jovens
Ou éramos jovens porque éramos felizes?
Diminuía o passo,
Acelere o compasso.
O tempo passou...
Seguimos por caminhos diferentes
E hoje, faria qualquer sacrifício
Para de novo me vestir
De laranja, turquesa e galões,
E, assim, superar os obstáculos,
Vencer os desafios,
Digladiar contra os meus dragões.
Mas, quando face a face, me olho no espelho,
Só vejo vazio, cansaço, solidão.
Nem sombra da jovem destemida que fui.
Aonde foram parar meus sonhos?
Estarão adormecidos
Ou morreram com a minha juventude?
Abaixo os olhos, envergonhada de mim mesma
Por ter-me dado por vencida,
Pelos sonhos que não persegui.
Quando estou prestes a virar-me e,
Mais uma vez desistir,
Ouço uma voz ao longe:
Redescubra seu passo,
Invente um novo compasso,
Ainda é tempo de ser feliz!

(Autora: Kátia Corrêa De Carli)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

DESABAFO

Imagem Internet

Estou cheia de mim.
Não da vida, porque isso seria não dar valor ao maior bem que temos,
Nem da família, presença constante principalmente nestes momentos de inconstância.
Cheia de mim mesma.
Não dos amigos, presentes valiosos de Deus,
Tampouco do que tenho, material e imaterial, porque aprendi na miséria a valorizar a bonança.
Cheia mesmo da minha presença.
Cheia da mente correr e o corpo permanecer
Cheia de não poder programar o dia que vem
Cheia de passar a noite escrevendo na memória e não passar para o papel
Cheia de não lembrar o que escrevi na noite anterior
Cheia de ser essa pessoa, que não se parece comigo,
Tão estranha, fraca, frágil,
Cheia de sentir dor.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

RETOMANDO A SAGA - DE O CEBREIRO A TRIACASTELA

DOR, HUMILHAÇÃO, DERROTA


O Cebreiro - descida (e mais subias, descidas, subidas...)

De O Cebreiro até Triacastela, nossa próxima parada, seriam 20,5 km., uma caminhada considerada, pelo guia, fácil na sua maior parte, isso se descontarmos todas as subidas e descidas e a pior de todas: a descida do Cebreiro (toda descida é pior, exige muito mais esforço físico, atenção redobrada por conta das pedras soltas, e ainda ficar escolhendo onde pisar!), mas, por precaução, resolvi mandar minha mochila de carro, conseguir seguir adiante já era uma decisão difícil, carregar peso seria estupidez.
Saímos cedo... e começou o sobe e desce incontáveis vezes.
Ver no mapa é uma coisa. Percorrer é outra!
Meu pé começou a doer muito. Tentei disfarçar para não preocupar meus amigos, assim passamos por Limares, Alto de San Roque, mas a certa altura eu já mancava tanto que não dava mais para esconder meu tormento.
Quando chegamos a Hospital (também conhecido como Hospital La Condesa) eu sentei no meio fio do acostamento da estrada, desandei a chorar e disse que para mim não dava mais. Eu não tinha como continuar.
Ali, naquele chão, eu me senti a pior das criaturas. Era uma mistura de sentimentos: dor física, dor moral, humilhação, derrota.
Cristina, embora nervosa, tentou manter-me calma e disse que “Chavakiah” (seu anjo protetor) não nos abandonaria.
Nós estávamos na parte da Galícia em que o próprio guia diz: La Galicia más rural y desconocida surge ahora detrás de cada bosque... o junto a cada uma de las docenas de aldeas de piedras, sin apenas gente ni servicios... Ou seja não poderíamos esperar encontrar nada... mas a esperança é sempre a última que morre. E, mesmo humilhada e derrotada, na hora que eu mais precisava, Santiago não iria abandonar-me (esse pensamento me confortava um pouquinho).
Eu queria muito que a Cristina e o Mauricio decidissem por mim, talvez assim a derrota não fosse tão vergonhosa a meus olhos, mas eles, sabiamente, me fizeram ver que a ação tinha que partir de mim.
Então decidi pedir ajuda.
Cristina viu uma senhora passando e foi conversar com ela, que mostrou onde era a casa de sua filha que teria o telefone do motorista de táxi da cidade vizinha. Cris voltou até nós e disse que iria à casa indicada em busca do número de telefone.
Ficamos eu e Mauricio e eis que de repente, do nada, aparece um carro branco, tipo furgão, devagarzinho, vindo pela estrada. Pedi a Mauricio que fizesse sinal, ele se recusou, disse que eu teria que agir. Vocês não imaginam o quanto me custou levantar o braço e acenar para o carro, que parou...
Conversamos com o motorista e ele disse que me levaria até Triacastela.
Cris viu quando o carro parou e voltou correndo.
Daí não deu mais para segurar. Caí num pranto convulsivo.
Jorge, o motorista, era médico e fazia parte de um grupo de peregrinos ciclistas que se alternavam na direção do carro com os suprimentos e peças de bicicletas.
Ele foi o anjo que Santiago mandou-me. Falou-me que eu não tinha que envergonhar-me, que eu não estava falhando, que estava sim, aprendendo sobre limites, respeito ao corpo, que não era nenhuma humilhação, etc. e tal.
Ele foi fantástico. Levou-me até a porta do albergue, que fica afastado do pueblo, examinou meu pé, orientou que buscasse ajuda médica para fazer uma punção pois havia muita secreção interna... mas isso era impossível até chegarmos a Santiago.
Descansei um pouco, arrumei minhas coisas, peguei meus papéis (meu caderno eu tinha deixado para trás, então eu tinha umas folhas de caderneta, papel de embrulho, tudo que servisse para escrever) e fui para o barzinho que ficava na chegada da trilha para esperar Cris e Mauricio.
Foi lá que eu fiz as seguintes anotações:

Triacastela - Refúgio ou Albergue

“Foi uma das decisões mais difíceis do Caminho. Aceitar que minha vontade não é soberana, que acima de tudo há a vontade de Deus, avisando-nos quando é necessário parar. Ao subir no carro foi como parte de mim se rompesse, como se eu estivesse violentando todas as regras por mim mesma impostas. Foi como se, ao fazê-lo, eu deixasse de merecer o título de Peregrina. Como se isso me tornasse uma pessoa menos capaz que as outras, inferior. Senti-me ré e algoz. Eu, juíza da minha própria consciência, sentenciava-me: Culpada, culpada, culpada! Ainda não sei bem descrever esse sentimento, é uma confusão muito grande dentro de mim. Enquanto, racionalmente, eu sei que a decisão de preservar minha integridade física foi a mais acertada, a outra metade de mim não aceita eu ter rompido as regras. Gostaria de não me sentir assim...
No fundo eu sei que o aparecimento daquele carro, com uma pessoa tão maravilhosa como o Jorge, foi uma bênção de Deus, ainda mais que a Angeles me disse que era bem provável eu ter que esperar muito tempo até aparecer um carro de polícia ou algo parecido, porque naquela estrada quase não há movimento. Ele me consolou dizendo que temos que aprender a ler as lições que Deus nos passa e que era para eu não me sentir tão mal por estar fazendo aquele percurso de carro, era para eu “dar um tempo” e tentar “ler”.
Creio o que o que aconteceu foi para eu deixar de ser tão prepotente, achando que minha vontade é suficiente para as coisas acontecerem. Para eu parar de julgar as pessoas que, diante de alguma dificuldade, buscam ajuda em algum percurso, indo de carro, achando-as fracas. Cada qual sabe a dor que carrega.
Que Deus me ajude a compreender, aceitar e mudar.
Que eu aprenda essa lição.
Que esta dor (apenas mais uma do Caminho) sirva para eu me tornar uma pessoa melhor, mais compreensiva para com as outras pessoas e menos exigente para comigo mesma.
Foi difícil partir e deixar meus amigos para trás. Senti-me traidora, menor e este é um sentimento que dói tanto quanto a dor física.
Mais difícil será encará-los novamente, carregando essa vergonha imensa!

Alto de San Roque

Andar, andar,
Seguir sempre adiante.
Este é o lema.
Subir, subir,
Tentar encostar a mão nas nuvens.
Este é o sonho.
Descer até não mais poder
Este é o intento.
Superar os próprios limites.
Este é o desafio.
Parar,
Contra a vontade,
Violentando nosso querer,
Quando Deus assim determinar.
Se isso não é compreender o Caminho.
Pelo menos é tentar.

Triacastela – Espanha – 15/Junho/2000

domingo, 5 de outubro de 2008

DE CAMINHOS E ABANDONOS

Maga Patalógica e Madame Min


Quando estávamos planejando nosso Caminho, eu e Cris havíamos programado passar por Burgos e seguir até Tardajos, 8,6 km. adiante, porém, em virtude do estado precário dos meus pés acabamos ficando em Burgos o que comprometeu nossa programação que seria, no dia seguinte, seguir até Castrojeriz. Como eu não conseguiria andar muito, decidimos ir até Hornillos del Camino, uma caminhada de 18,3 km, considerada de esforço mediano.
Sir Lancelot ainda perguntou onde ficaríamos e disse que também iria ficar lá.
Despedimo-nos com o costumeiro “Buen camino, peregrino!” e seguimos.
O dia estava frio... mas já estávamos nos acostumando e aprendendo a decifrar o tempo, sabíamos que logo o sol sairia e que seria um lindo dia.
O Mauricio estava um pouco calado... mas no caminho todos temos nossos momentos de introspecção, então, ninguém fica indagando ao outro o que passa. Apenas respeitamos.
Paramos em Tardajos para nos abastecer, pois pela informação do guia em Hornillos não teríamos opções de “tiendas” para abastecimento.
Cristina lembra que no alto do morro nós paramos para ouvir o silêncio e apreciar a linda paisagem. Ao longe cantou um cuco...
Chegamos cedo a Hornillos e logo no início do “pueblo” vimos uma vassoura, daquelas de bruxa... eu que adoro bruxas (tenho inclusive uma tatuada) não pensei duas vezes, montamos na vassoura, às pressas para que não aparecesse a verdadeira dona, e Mauricio tomou-nos uma foto!
Surpresa: Já tinha restaurante na cidade! Apenas um, mas tinha.
Fomos até o restaurante, bebemos umas claras (cerveja com limão, eu acho!) e então Mauricio comunicou que seguiria em frente.
Sem grandes despedidas ele se foi.
Chorei bastante. Tentei entender porque ele estava indo, mas não conseguia.

Parêntesis 1: Quando eu fui fazer o Caminho estava passando por um momento muito difícil da minha vida. Meu coração, minha vida, tudo... haviam sido feito em pedaços. Estava tentando colá-los, como mosaico, mas ainda haviam muitas peças soltas. O abandono era uma coisa que, sinceramente, não sabia lidar.

Parêntesis 2: Abandono – Um capítulo a parte:
Toda a minha vida eu tive que ser forte. Nunca fui “A mais” nada! Nunca a mais bonita, nunca a mais popular, rica? Nem em pensamento... Daí eu precisava, até como auto-afirmação, me destacar de alguma maneira. Tornei-me uma leitora voraz, aguçando minha inteligência. E me fiz forte. Então passei toda a vida ouvindo, quando tinha alguma dificuldade: “você supera, você é tão forte!”. Eu não tive chance de depender nunca de ninguém. Era sempre eu, comigo mesma. Daí, eu fui me fechando para não sofrer... só deixava aproximar pessoas que sabia que jamais me abandonariam, porque o abandono exigiria uma força maior do que a que eu possuía. Quando ocorreu o primeiro grande abandono da minha vida, fiz-me em pedaços.
No Caminho, talvez por ser uma lição que eu necessitasse aprender, de repente, me vi dependente do Mauricio. Aceitava que ele tomasse as decisões. Era tão bom ser o elo mais fraco! Eu estava experimentando uma coisa que não conhecia... mas ao mesmo tempo, estava anulando-me...

Hornillos del Camino - Igreja, varanda onde os peregrinos se reúnem e também estendem roupas
Quanto o Mauricio se foi, a Cris me disse uma porção de coisas, essas mesmas que eu disse aí em cima, fazendo-me ver que eu não estava trilhando o meu caminho, que precisava retomar minha vida. A verdade às vezes dói. Mas só os verdadeiros amigos a dizem.
Sentamo-nos na varanda da Igreja, já que o albergue ficava ao lado, e eu fiquei avaliando as novas bolhas que haviam surgido, apesar dos tênis e das meias novas... e chorava!
Sir Lancelot já havia lavado roupa, então juntamo-nos e fizemos nossos planos para o dia seguinte: seguiríamos até Castrojeriz.
Fizemos novas amizades: Amauri e Sandra, de Curitiba, Javier – chileno e a Marie Louise – francesa, mas aquele dia eu não estava para muita conversa. Tinha muitas feridas a lamber.
Fomos jantar (no único restaurante) e chegamos cedo demais... tomamos uma cerveja, e outra, e outra mais e eu desabafava com a Cris todas as minhas dores, inclusive a pior de todas, pois estava sentindo-me traída pelo Mauricio (coitado! Ele não tinha responsabilidade nenhuma... mas é como aquela história da raposa do Pequeno Príncipe: a gente corre o risco de chorar, quando se deixa cativar)...
Tive a chance de travar conhecimento com Jose Miguel, um jovem senhor e seu inseparável caderno, que nunca ousei olhar o que continha. Ele seguia o caminho solitário, estava sempre a escrever ou desenhar, tinha o olhar mais doce do mundo, a barba grisalha, e eu senti por ele uma empatia muito forte. Às vezes sua esposa vinha encontrá-lo no Caminho, depois voltava para sua cidade...
Pois bem, o resultado daquela noite, das lágrimas vertidas, do abandono mal resolvido, da tristeza que me abateu: foi um grande pileque que me fez ficar acordada quase que a noite toda, porque o beliche rodava toda vez que eu fechava os olhos. Então os mantinha abertos!
Rendeu também um poema:
ENCRUZILHADA

Encontrei você parado
Numa curva do meu caminho
Vinha eu tão só,
Estava você tão sozinho.

Foi como se acendesse uma estrela
No meu céu que andava nublado
E por um tempo nossos caminhos
Seguiram lado a lado.

Você enxugou minhas lágrimas,
Levantou-me quando caí,
Incentivou-me a seguir adiante
Consolou-me, quando sofri.

De repente, o amigo querido
No qual havia se transformado
Resolveu seguir adiante,
E fiquei sozinha na estrada.

Como disse o Poeta Maior:
“O poeta é um fingidor”
Achei que podia enganar
Escondendo de você minha dor,

Enquanto meu coração
Tentava decifrar esse sentimento
Vi você se afastando
Aos poucos, na trilha, ao vento.

E quando a dor passar,
Depois de você ter ido embora
Tentarei lembrar com um sorriso
O que lágrimas, me traz agora.

(Hornillos del Camino – 31/05/2000)