
Pode parecer desinteresse, menosprezo às artes ou, quem sabe, falta de paciência mesmo. Mas eu não era assim!
Sempre fui arroz de festa, principalmente se tivesse “arte” envolvida.
Levei meus filhos para assistirem a encenações de peças infantis na Concha Acústica do Parque Moscoso, no Teatro Carlos Gomes, no Glória. Não perdiam um lançamento de filme infantil. Participavam de todas as apresentações na escola e na creche, desde que se dispusessem.
Foram crescendo, os hábitos mudando, mas continuamos respirando cultura através de exposições, teatros, museus, livros, mostras, shows.
De um tempo para cá fui minguando...
Não encontro palavra melhor: eu MINGUEI!
Daí, perdi o trem. Fiquei parada na estação da minha casa.
Mas o trem não vinha me buscar.
Hoje, a convite da Joana, fui conhecer o Museu da Vale (que já existe há um bom tempo e que ainda não conhecia).
Fomos eu, ela, a Gabi e a Luciana.

Prédio principal - Janelas centrais
Quando cheguei ao pátio, foi como se uma grande janela se abrisse na minha memória. Vi-me criança, atravessando a Baía de Vitória até o cais de Paul, de catraia, balançando, o medo do mar, o cheiro do medo e do mar.
Vi-me naquela estação deslumbrante, enorme, cujos trens nos levavam para longe, “Muito longe” dizia minha tia (mas era só até Santa Maria e Santa Leopoldina).

Catraia e Cais
Visitamos as instalações que por si só já valem o passeio, passeamos pela exposição permanente, conhecemos a maquete projetada para representar uma ferrovia específica, sendo a maior do Brasil, com 34 m² de área construída.
Visitamos a Exposição Temporária: Atrás do porto tem uma cidade, do mineiro Eder Santos, muito bonita por sinal.
Sentei-me no Café do Museu, muito bem acompanhada de minhas agregadas e mais alguns funcionários do museu, gente de primeira linha.
Quanta coisa ganhei nesse passeio.
Ganhei minhas memórias de volta!
Mas melhor que as memórias recuperadas foi sentar-me à janela de uma velha locomotiva e ver a cidade.
A cidade passava pelos meus olhos (o fato da locomotiva estar parada era mero detalhe)... e eu pude ver na sua grandiosa majestade a “Cidade Presépio” que me abriga.
Atrás do porto não tem só uma cidade... tem uma vida inteira de história.
Obrigada à Joana pelo convite!

Porto e Vitória, pela porta

| Atrás do porto tem uma cidade = 22 de outubro a 20 de fevereiro - Terças a quintas, sábados e domingos: 10h às 18h - Sextas: 12h às 20 h |











