quinta-feira, 9 de junho de 2011

HOJE VAMOS DE CECÍLIA

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?


Cecília Meireles -(Rio de Janeiro RJ, 1901 - 1964) Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Escreveria mais tarde:

"
Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes d
os três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.

(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

Casa-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem tem três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada. Suas filhas lhe dão cinco netos.

Correia Dias suicida-se em 1935. Cecília casa-se, em 1940, com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964, deixando uma extensa obra de mais de 50 livros publicados.

(Fonte: Arnaldo Nogueira Jr.)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

QUANDO A RESPOSTA É ARTE PURA

A cidade americana de Grand Rapids, no Michigan, foi denominada de "moribunda" em um artigo publicado na revista Newsweek.
É claro que isso revoltaria qualquer um, se fosse sobre as nossas cidades.
Mas a população local inventou uma maneira extremamente inusitada para responder à revista: Gravaram um clipe!
No último dia 22 a cidade parou para a gravação de um clipe da música "
American Pie" de Don McLean.
Mais de 5 mil pessoas participaram.
Vale ver até o final este que os críticos americanos estão considerando como o "
maior clipe de todos os tempos".

(American Pie foi composta quando do acidente que vitimou os artistas Buddy Holly, Ritchie Valens (La Bamba) e o grupo The Big Bopper, em 03 de fevereiro de 1959).


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Histórias da minha infância

(Essa eu recebi de uma amiga e não poderia deixar passar... compartilho com vocês...)


Desde pequena (mas nem tanto! rs) eu via coisas estranhas na TV!

O Tarzan corria pelado...
Cinderela chegava em casa meia noite...
Aladim era ladrão...
Batman dirigia a 320 km/h...
Pinocchio mentia...
Bela Adormecida era uma vagaba...
Salsicha (Scooby-Do) tinha voz de maconheiro, via fantasma e conversava com o cachorro...
Zé Colméia e Catatau eram cleptomaníacos e roubavam cestas de pic-nic...
Branca de Neve morava na boa com 7 homens (pequenos)...
Olívia Palito tinha bulimia;
Popeye fumava um matinho suspeito!!!
Pac Man corria em uma sala escura com musica eletrônica comendo pílulas que o deixam ligadão;
Super Homem locão, colocava cueca por cima da calça;
A Margarida namorava o Pato Donald e saía com o Gastão;


Olha os exemplos que eu tive! Tarde demais!

Agora pedem pra eu me comportar?!?!?!

(Obs.: Desconheço a autoria)

sábado, 7 de maio de 2011

ÀS MÃES

Eu (ainda magra) e minha mãe (quando aqui habitava)

Foi há muitos anos.
Eu me recordo como se tivesse acontecido ontem.
Meu filho, apenas uma cabecinha loura aparecendo por entre as crianças maiores, num palco, a cantar uma música dedicada a mim, sua mãe.
Ao término da canção, a corrida em minha direção, a rosa linda, vermelha, não importava se estava murcha ou se a haste estava quebrada, era a minha rosa e era maravilhosa, justamente pela peculiaridade de ter sido ofertada pelo meu filho, a primeira. As lágrimas teimavam em rolar nas minhas faces, e ele, a sorrir, não compreendia o significado daquelas lágrimas.
E este foi um dos momentos mais lindos de toda a minha vida.
E é por recordar com tanto carinho dessas lembranças que hoje dedico estas palavras a você que, como eu, é mãe.
Vários poetas tentaram descrever o que é ser Mãe, mas nenhum deles, jamais conseguiu, com exatidão, descrever o que sente uma mulher ao ser Mãe, porque não existem palavras, em idioma algum, que consigam expressar essa emoção.
Não importa o seu credo ou a sua raça, se você é pobre ou rica, casada ou solteira, mãe de barriga ou de coração. Não importa em que condições seu filho veio ao mundo. O que importa é que ele existe, e é seu. E você o ama tanto que seria capaz de dar a sua própria vida em favor do filho amado.
Mas o que é realmente ser Mãe?
Não é, como já disse um poeta, “padecer no paraíso”. Ser mãe é padecer sempre.
São as intermináveis noites passadas em claro a lhe controlar a temperatura, quando doente.
É ver o dia clarear velando-lhe o sono e ter que trabalhar, com as olheiras a denunciar o cansaço, a preocupação estampada no rosto, impotente, trabalhar com o pensamento voltado para o filho que ficou, mas você tem que produzir, a vida não pode parar e você segue adiante.
É acordar a cada tossida, a cada espirro, a cada choro (mesmo sem um motivo aparente).
São lágrimas a se confundir com as lágrimas do filho toda vez que você tem que repreendê-lo ou mesmo dar-lhe umas palmadas (sim, sou da época que umas palmadas não criavam traumas).
É sentar no chão para brincar, ou para ensinar-lhe o dever, depois de um dia cansativo de serviço.
É sentir como se lhe cortassem, mais uma vez, o cordão umbilical quando você o deixa pela primeira vez na porta do colégio.
É viver de renúncias.
Mas tem também o outro lado, o paraíso.
Quando ele dá o primeiro passo, quando fala pela primeira vez “mamãe”, quando escreve a primeira palavra, quando procura o seu colo depois de uma queda.
As coisas mais simples que ele faz são como uma compensação pelo seu sacrifício.
Sacrifício sublime, o de ser “Mãe”.
Gostaria de ter o dom de escrever coisas mais bonitas para homenagear você, minha amiga, Mãe, neste mês que lhe é dedicado.
Gostaria de abraçar cada uma de vocês e compartilhar da emoção comum a todas as mães, mas, não sendo possível, considerem as minhas palavras como a mais sincera homenagem a você, que sofre, chora, ama e que é responsável pela mais bela missão destinada por Deus, que é a de ser Mãe.
Parabéns!

(reedição)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

VAMOS VIAJAR?

Manaus - Aeroporto

Antes de mais nada gostaria de agradecer aos meus companheiros fiéis que, mesmo quando os abandono, nunca me esquecem.
Em especial à Vanuza Pantaleão, Maurício, Kátia GV (rs), George Bueno, Dauri Batisti, Elane, às recém-chegadas (odeio essa nova ortografia que me fez perder a certeza de onde tem hífen!) Maria Leite, Jussara Christina e Estefania Morandi, espero nunca desapontá-los!

Agora vamos ao que me trouxe aqui!
Prometi contar sobre a viagem! Pessoas! Pensem bem! Eu, que já andei mais de 800 km a pé, ficar parada por mais de dois anos, só pode ser castigo! rs Então vamos lá:
Tudo comigo nunca é como acontece com a maioria das pessoas, tem sempre que ter um "que" de diferente!
Pois é, estávamos (eu e Roberto) deitados, ele assistindo TV e eu no Note. Daí recebi um e-mail da Gol com o seguinte assunto: "Vamos Passear?" Não parece que eles me conhecem? Abri o dito cujo e lá estava: "Você quer passear para qualquer lugar do Brasil pagando R$ 10,00 a volta?"
Raciocinem comigo, não parece pegadinha?
- Não era!
Virei pro Roberto e perguntei:
- Vamos a Belém?
Ele olhou para mim sem entender nada e me perguntou o que estava passando na minha cabeça, porque na dele deveria estar uma porção de interrogações do tipo: essa mulher pirou de vez!
Mostrei o e-mail e disse que gostaria de conhecer Belém. Seria uma excelente oportunidade!
Então ele me perguntou por que não irmos a Manaus?
Ele já conhece Belém mas não conhecia Manaus. Daí respondi, tudo bem. Entrei no site, comprei as passagens e, simples assim, estávamos com viagem marcada para Manaus!
Foi um parto conseguir hotel. Eu queria ficar no Tropical - um resort na Ponta Negra que dizem ser excelente. Não consegui, só falavam que estava lotado. Já em Manaus descobri que estava acontecendo o Fórum Mundial de Sustentabilidade, com a presença, entre outros famosos, de Bill Clinton e Arnold Schwarzenegger, onde? No Tropical! Por isso o hotel estava lotado. Mas como eu tenho um anjo porreta foi a maior dentro da minha vida, com isso escolhi um hotel mais simples, no centro da cidade, (o Líder), que apesar de antigo, é super amplo, todo reformado, funcionários agradabilíssimos, restaurante muito bom e a vantagem de estar perto de quase todos os pontos turísticos, a ponto de passearmos a pé!

Dica: Se você for a Manaus aconselho o Hotel Líder! Se você ficar no Tropical Resort, fique sabendo que para cada passeio ao centro da cidade (onde ficam os Museus, Teatro, Mercado, etc) você vai gastar, por baixo, R$ 100,00.

Pesquisei os lugares que queria conhecer, os passeios, etc e fomos nós em direção a outro Brasil chamado Manaus!


segunda-feira, 25 de abril de 2011

SOBRE O AMOR


Estes dias ouvi muita música.

É que aqui, no meu cantinho, não tem toque de telefone (não tem sinal de celular de nenhuma operadora), internet então, é coisa de outro mundo, televisão não é meu forte, então virou objeto de decoração (só falta o paninho de crochet de nossas mães), os pássaros só cantam quando querem, resultado: som zero! Até gosto do silêncio, mas em doses pediátricas. O que sobra é ler e trabalhar. Desde que cheguei, tenho trabalhado muito, trabalho braçal (dentro dos meus limites físicos): plantar, lixar, pintar, etc. e todo mundo sabe que esse tipo de atividade não exige nenhum esforço mental.

O que me sobra fazer entre o nada e o coisa nenhuma (rs)?

Ouvir música!

Como foram muitos dias, quase deu para ouvir toda a seleção do pen-drive. Foi assim, ouvindo cantarem tanta coisa que percebi: 80% das músicas que ouço falam de amor.

Tem amor para todo gosto: amor eterno, amor fora de hora, amor despedaçado, amor traído, amor platônico... e mais tanto tipo que nem dá para enumerar.

Concordo que é muito mais fácil escrever sobre amores perdidos, com o coração em farrapos do que quando estamos alegres. A alegria não é mola propulsora de versos, mas a dor! Ah! A dor! Ela sim é um evento que provoca versos, e na maioria das vezes, versos carregados de tristeza e beleza.

Eu poderia listar muita coisa bonita escrita por inúmeros poetas/compositores/autores, mas tem um poema do Paulinho Moska que toca tão fundo no coração (pelo menos no meu) que resolvi postá-lo.

Ele canta “Vênus” e depois declama um poema belíssimo!

Certas Canções -Tunai e Milton Nascimento - fala em uma de suas estrofes que “Certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim, que perguntar carece, por que não fui eu que fiz?”

Pois é, tirando “Metade” do Osvaldo Montenegro, que nem me pergunto porque me falta capacidade para escrever tal poema, esse do Moska, cabe tão bem dentro de mim que carece sim, de perguntar.

Compartilho com vocês:


Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.



terça-feira, 12 de abril de 2011

DIVAGAÇÕES



Hoje amanheci assim:
nem alegre, nem triste.
Hoje vi o dia clarear assim:
nem sol, nem chuva.
Hoje não houve despertar, porque não houve dormir.
Não houve canto de pássaros,
nem a vida a se por em movimento.
Hoje senti vontade de estar perto
daqueles que precisam de colo
Mas também querendo tanto
alguém que me desse seu ombro.
Contradições.
Vontade de lutar,
Cansaço de tanta batalha.
Dor doendo no peito
Saudade danada de gente que amei,
ainda amo,
que sei também me amaram,
ou ainda amam,
tão dentro do meu coração
tão longe do toque da mão.
Hoje levantei-me assim:
nem alegre, nem triste;
então por que essa lágrima
teima a sair de mim?