terça-feira, 20 de maio de 2014

ORAÇÃO CELTA

  • Com carinho, para Carlos Boechat Machado Filho
  • Oração Celta do Amor
  • Que jamais, em tempo algum,o teu coração acalente ódio. Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior. Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
    Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida. Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
    Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
    Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer. Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
    Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
    Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
    Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
    Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
    Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
    Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
    Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente.
    Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser. Que a estrada se abra à sua frente.
    Que o vento sopre levemente às suas costas.
    Que o sol brilhe morno e suave em sua face.
    Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho. Que a chama da raiva te liberte da falsidade.
    Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde. Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma. Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
    Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma. Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro. Que a chuva caía de mansinho em seus campos...
    E, até que nos encontremos de novo... Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos. Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
    Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos. Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam. Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora. Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
    Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

HOJE VAMOS DE CLARICE

É SEMPRE SAUDADE
Clarice Lispector

(by Kátia Corrêa De Carli - Vitória-ES) 
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida…
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades.
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei. Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser. Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro. Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser. Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu;
De quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse, de certo gostaria de experimentar. Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências. Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava totalmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade; Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi… Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileiro, só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota. Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e clarear sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples “I Miss You”, ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades, porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos. Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência.
Sentir saudades, é sinal de que se está vivo e a vida, mesmo com tantas saudades, depois dos amigos, é o bem maior que possuímos.


Nascida Chaya Pinkhasovna Lispector (em russo  Хая Пинхасовна Лиспектор) numa família judaica, Clarice foi a terceira filha de Pinkhas Lispector e Mania Krimgold Lispector. Natural da Ucrânia desembarca no Brasil com um ano e dois meses, depois da fuga da família da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa (1918-1920).
Sempre que era perguntada sobre sua nacionalidade afirmava "Naquela terra (Ucrânia) eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" e afirmava que sua verdadeira pátria era o Brasil.

Mais dados em breve...

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PESSOAS QUE PERDI



Tem dias, como hoje, que sinto muita falta das pessoas que perdi.
Sinto falta daquelas que foram embora levadas pela morte. Essas ficam na parte rasgada do meu coração mas que não tem como suturar... existem fatos inevitáveis e a morte é um deles.
Porém sinto muita falta das pessoas que perdi para a vida.
Fico perguntando-me se poderia ter feito mais. 
Se poderia tê-las retido. 
Onde errei.
Não encontro respostas... 
Sei que não vale a pena correr atrás de pessoas que já não me querem, mas dói. Dói lembrar, dói saber que não volta, dói não reviver.

Sabe, posso ser ingênua, mas sinto muita saudade das pessoas que perdi...

quarta-feira, 26 de março de 2014

SOLITUDE, SOLIDÃO



Hoje acordei com desejo de solitude.
Não ouvir o barulho da obra em frente,
Não ouvir o rádio tocando música brega,
Nem o sujeito gritando “olha o gás”.
Não quero os sons produzidos pelo homo sapiens
Nem pelos seres do mundo animal.
Não quero palavra sussurrada,
Nem canto de pássaro,
Nem a mais linda balada.
Hoje queria ausência de mim,
Como se pudesse abandonar meu corpo na cama
E ir para um lugar qualquer, em outra dimensão
Um lugar onde não houvesse espaço
Para pensamento, saudade, cansaço.
E de lá observá-lo quieto, mudo, imóvel,
Como acho que devem ser os corpos mortos,
Sem dor...
Hoje queria mesmo era solidão.


(Kátia Corrêa De Carli)

sábado, 8 de março de 2014

PORQUE TODO DIA É DIA DA MULHER



MÃE – MULHER

As pessoas, invariavelmente, colocam as mães
Numa redoma, num pedestal,
Acima do bem e do mal.
Esquecem que sob o manto da santa
Bate o coração de mulher
Cheio de desejo,
Com sede de beijo,
Fome de amor.
A mulher se torna prisioneira
Das aparências, dos preconceitos, das convenções.
Quando ousa se libertar
Das amarras, dos grilhões,
É taxada de louca, insana, demente;
A sociedade a olha
Com os olhos de acusação,
A pergunta velada:
Como pôde?
Eu a invejo, mulher corajosa,
Banida, proscrita, desterrada.
Saciada.

Autoria: Kátia Corrêa De Carli

sábado, 1 de março de 2014

DE PASSADO E PRESENTE


Ela saiu cedo da casa paterna, aos 17 anos, contra a vontade do pai que achava que filha de pobre tinha que estudar para ser professora – profissão que ela amava, mas que não queria para si – casar-se com um rapaz na mesma cidadezinha do interior e criar seus filhos, tementes a Deus e corteses para com os mais velhos.
Mas a menina, que se julgava mulher, queria mais da vida.
Queria realizar sonhos que para o pai eram impossíveis.
Queria ganhar muito dinheiro, com trabalho honesto (ilusão!), queria ter seu próprio apartamento, quem sabe comprar o carro que o pai nunca teve... mas, sobretudo, queria viajar, conhecer o mundo, ir além da Capital.
O pai, na sua sabedoria de homem vivido e sofrido, dizia: Não sonha tão alto, a decepção pode ser maior. Mas a menina respondia, do alto de sua arrogância de julgar saber tudo da vida, que com ela não, ela venceria e ainda traria muito orgulho para ele.
Passou por muitas dificuldades, fome até; do cofre da irmã conseguia que escorregassem, através de uma faca de mesa, as moedas necessárias para o transporte do dia (a necessidade faz com se criem mecanismos que até Deus duvidaria).
Orgulhosa, não sabia pedir nada... nem dinheiro, nem ajuda, nem consolo.
Assim foi, e quando a luz da saudade insistia em iluminar seu coração ela logo tratava de apagá-la, pois não podia regressar, tinha uma meta: Vencer!
O tempo foi passando e a menina finalmente virou mulher.
Através da dor, do sofrimento, mas, sobretudo, através das alegrias, das conquistas, das amizades verdadeiras.
Dor é coisa passageira, aprendeu. Chora-se um pouco, ou muito, mas o tempo cura. Felicidade não, felicidade não passa, deixa um gosto saboroso de eterno presente, toda vez que vem à mente.
Parida e parideira a mulher se transformou.
Para melhor.
Conquistou os bens materiais, viajou, rodou o mundo, venceu...
Aprendeu a dar, mas mais importante, aprendeu a pedir.
Sentada no gramado do Epcot Center, chorou ao lembrar-se do pai.
Mas o pai não estava mais aqui para ver.

Daí, sua vitória ficou incompleta.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

CARTA AO MEU FILHO


Meu querido,

Eu sabia que a sua ausência ia doer fundo na minha alma, mas não sabia que a saudade vinha nas grandes e pequenas coisas.
Sinto muito a sua falta, fisicamente falando, seu quarto vazio é um túnel sem luz ao final, mas quando fica insuportável, não tenho vergonha de falar, deito na sua cama, cheiro suas roupas, choro e depois de um tempo, levanto-me, lavo o rosto, e volto a enfrentar a vida.
Porém existem coisas que eu só me dei conta quando perdi...
Ninguém mais pergunta, ao apagar das luzes, se quero um copo d’água.
Ninguém me oferece uma bolsa de gelo, só de olhar para meu rosto, com a finalidade de aliviar a dor de cabeça.
Ninguém mais chega à porta do meu quarto só para perguntar: - Mãe, tudo bem? Precisa de alguma coisa?
Mãe, vou sair, se quiser alguma coisa é só ligar...
Sabe, meu filho, com essas pequenas coisas a saudade só faz aumentar. Mas como sempre repetiram para mim, como um mantra, “você é forte”, estou tentando sê-lo e seguir adiante.
Com o tempo eu vou aprender que a distância é só um detalhe, que o mais importante é a consciência tranquila de que o homem que eu criei e eduquei está mais do que pronto para enfrentar o mundo de cabeça erguida, valores íntegros, caráter incorrompível.
Vou aprender que o mais importante é o amor imenso que carregamos no coração e que ninguém pode sequer tocar!
Mas tem uma coisa, meu amor, que está me matando... eu havia esquecido como é fazer compras em supermercado! Meu Deus! É tortura medieval... Obrigada por tê-lo feito para mim todo esse tempo. Isso é prova mais incontestável de amor verdadeiro! Não volto sozinha nunca mais...
Com todo meu amor e saudade,

Mamãe