Sempre foi diferente.
Desde pequena havia nela algo que a diferenciava das outras crianças.
Talvez fosse o olhar. Diziam-lhe “Que olhos lindos, parecem esmeraldas” e como não sabia o que eram esmeraldas, ela pensava que deveria ser alguma coisa boa.
A mãe dizia que nasceu chorando e chorou por muitos meses, por isso a primeira foto, ainda com cara de choro, só foi tirada aos seis meses.
No mais era como as outras crianças, brincava, fazia traquinagens (quando aprontar se chamava assim) e seguia em frente.
Lembra que sempre se emocionava ao ouvir a Ave-Maria, tocada pontualmente às seis horas, no velho rádio. As pessoas não entendiam essa emoção, nem ela.
Era jovem demais.
Lembra-se de uma tragédia ocorrida por volta dos seus sete anos, quando um marido traído, para lavar a honra, matou a mulher a tiros. Sobraram os filhos que foram morar com uma tia, próximo à sua casa. Era manhã de Natal, todas as crianças na rua brincando com seus presentes e um dos meninos sem nada, ela na sua inocência pergunta-lhe o que ganhara de Papai Noel e o menino responde: Nada, criança sem mãe não ganha presente de Natal. Voltou para casa chorando, insistindo que a mãe comprasse algo para o menino. Não compreendia que a pobreza também rondava sua casa.
Era jovem demais.
O tempo foi passando e a moça se emocionava, às lágrimas, ao ver os filmes de amores impossíveis, ao ler romances, ao ver a desgraça alheia. Sentia-se diferente das amigas, mas não conseguia identificar onde estava essa diferença. Com os amigos cantava e dançava ao som dos Beatles e dos Rolling Stones; mas só, em casa, cantava sua tristeza ao som de Ataulfo Alves, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa. A mãe perguntava onde tinha aprendido essas músicas, ela não sabia responder. Era como se as tivesse gravado na memória. Não compreendia o que lhe passava.
Talvez por ser jovem demais.
Começou a escrever diários, como toda adolescente do seu tempo e foi aí que descobriu que tinha facilidade para escrever as coisas tristes, mas faltavam-lhe palavras para narrar acontecimentos alegres.
Os olhos verde-esmeralda ganharam outras tonalidades, ora ficavam azuis, ora cinzas, só ela sabia identificar, pela cor dos olhos, o que lhe ia à alma.
Já não era tão jovem.
Já se sabia triste.
A vida correu rápida. Tentou encontrar alguma maneira para se livrar da tristeza, mas foi em vão.
Aprendeu a arte de iludir, embora nunca tenha estudado artes cênicas. Desenvolveu um riso alto e franco, gestos um tanto exagerados, escondeu bem escondido sua tristeza. Ninguém jamais desconfiaria o que crescia dentro dela.
O tempo passou. A alma envelheceu mais depressa que o corpo. Um dia, a moça morreu.
Todos diziam: Tão jovem!
Ninguém soube que ali estava uma alma velha demais.
Causa mortis: Tristeza demais.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
A MOÇA TRISTE QUE NÃO SE CHAMAVA CAROLINA
Postado por Katia De Carli às 19:33 6 comentários
Marcadores: Crônicas
quinta-feira, 16 de julho de 2009
DESABAFO
Estou cheia de mim.
Não da vida, porque isso seria não dar valor ao maior bem que temos,
Nem da família, presença constante principalmente nestes momentos de inconstância.
Cheia de mim mesma.
Não dos amigos, presentes valiosos de Deus,
Tampouco do que tenho, material e imaterial, porque aprendi na miséria a valorizar a bonança.
Cheia mesmo da minha presença.
Cheia da mente correr e o corpo permanecer
Cheia de não poder programar o dia que vem
Cheia de passar a noite escrevendo na memória e não passar para o papel
Cheia de não lembrar o que escrevi na noite anterior
Cheia de ser essa pessoa, que não se parece comigo,
Tão estranha, fraca, frágil,
Cheia de sentir dor.
Postado por Katia De Carli às 17:19 9 comentários
Marcadores: Confissões, Poemas
sexta-feira, 3 de julho de 2009
PRIMEIRO AMOR
Minha mãe sempre dizia que depois de certo tempo de vida, quando os filhos dos amigos já casaram (na época em que se ainda casava) as pessoas só se encontravam em velórios. E ela tinha uma maneira toda especial de avaliar os velórios: se encontrava muitos amigos, se o falecido era pranteado como merecia, ela dizia que o velório estava “muito animado”. Com o tempo fui entendendo o que ela queria dizer com isso, embora ainda não saiba explicar bem. Não é falta de respeito, nem ausência de dor pela partida... é uma coisa diferente.Mas isso é só para dizer que estava num velório de uma pessoa muito, muito querida, quando me deparei com meu primeiro e grande amor.
Não que não tivessem existido outros namorados antes dele... existiram, fui uma adolescente “namoradeira”... mas amor mesmo, “sem a qual a vida é nada, sem a qual se quer morrer”, ele foi o primeiro. Acreditava que seria o único, daí o luto e o trauma terem demorado tanto tempo.
Uma amiga “daqueles tempos” foi logo sussurrando ao meu ouvido: “E aí? As pernas ainda tremem?” com aquele sorriso maroto que só grandes amigas compreendem.
Isso me fez pensar sobre o que perdi e o que ganhei com esse amor.
Por muito tempo pensei que só houve perdas. Perdi a esperança, a fé no sexo oposto, a crença que nunca mais amaria outra vez um amor do tipo “os seus olhos têm que ser só dos meus olhos, os seus braços o meu ninho”.
Na adolescência vive-se tragicamente. Tudo toma proporções maiores que as devidas. Talvez por isso, por ele eu lutaria contra tudo e todos. Faria qualquer sacrifício. Seria até submissa.
Mas ele não quis. E terminou comigo.
Quis morrer. Chorei por muito, muito tempo. Os cabelos, que iam até as costas, foram cortados curtinhos, como forma de vingança. Só não joguei para Iemanjá porque na minha terra não tem mar, nem Iemanjá.
A partir daí passei a namorar só três meses.
Tempo exato para aproveitar o que de melhor tem um relacionamento e também exato para não me apaixonar.
O tempo passou. Conheci outras formas de amar. Menos trágicas. Outras mais intensas. Mas o mais importante é que descobri que não se ama só uma vez.
Porém, naquele dia, quando o vi novamente, depois de décadas, devo confessar: sim, as pernas tremeram! Enxerguei o príncipe pelo qual eu havia sido apaixonada (que pela avaliação da minha irmã só existiu na minha cabeça). Mas meus olhos haviam mudado. Talvez lavados pelas lágrimas que a vida me impôs consegui ver que não teria dado certo.
Mas dei-lhe um abraço apertado e em silêncio agradeci-lhe pelas emoções boas e ruins que me fez conhecer.
Agradeci por aquele primeiro amor cheio de planos, desejos reprimidos, descobertas, coração acelerado, pureza de alma...
É o primeiro amor... Único...
De tudo, o que mais sinto é a falta da pureza da alma que perdi, não sei onde, nem como, nem com quem... mas trago a certeza de que uma parte de mim ficou, lá atrás, junto com aquele primeiro amor e refaço o percurso dos versos:
“Você tem que me fazer um juramento, de só ter um pensamento, ser só minha até morrer”.
A parte de mim que ainda é sua, jura.
Postado por Katia De Carli às 11:22 9 comentários
quinta-feira, 25 de junho de 2009
PRIMEIRO BEIJO
Mas ando, a cada dia, mais lenta.
Lenta para raciocinar, para colocar em palavras o que vai à minha cabeça, no ânimo para escrever... daí escrevo, na mente, montes de coisas que, com certeza, estarão esquecidas no dia seguinte.
Mas tudo começou por causa de uma propaganda na televisão sobre “voltar à emoção do primeiro beijo” e apareciam fogos pipocando, sinos tocando, etc.
Logo depois veio uma reportagem no jornal sobre o fato de os jovens estarem trocando o primeiro beijo cada dia mais cedo.
Fiquei pensando na minha experiência. Tudo bem que existem décadas separando as minhas experiências dos dias atuais, mas primeiro beijo será sempre primeiro beijo, concordam?
Eu acho que deveria ser obrigação dos pais, ou constar do currículo escolar (não se fala hoje sobre sexo seguro, cuidado com as drogas, etc.?) ou até mesmo de livros de auto-ajuda. Não sei exatamente como, mas alguém deveria alertar nossos “cada dia mais jovens” para as emoções do primeiro beijo.
A gente lê nos romances, assiste nos clássicos dos cinemas, nas novelas, que todo primeiro beijo acontece num lugar paradisíaco, que é sempre maravilhoso e ninguém ousa dizer o contrário.
Na minha pré-adolescência passávamos horas na frente do espelho ensaiando para aquele momento único em que o príncipe encantado chegaria, nos beijaria e abrir-se-iam as portas de um mundo totalmente novo e iluminado.
As amigas da mesma idade que já haviam passado pela experiência, mesmo que não tivessem gostado, não ousavam confessar para não perderem o status de “já iniciadas”.
Por isso agora me dirijo aos jovens de “BV” (Boca Virgem): Esqueçam tudo o que ouviram e leram até hoje e prestem atenção às minhas palavras. Pode até ser que com um, entre milhares, tenha sido assim, fogos, sinos, luzes... mas não é via de regra.
Lembro-me perfeitamente do meu primeiro beijo.
Que decepção!!!!!
Ansiei tanto por esse momento, sonhei mil situações e nada, nada do que sonhei aconteceu.
Prá começar foi numa escada escura (acho até que cheirava a mofo), com um menino que achava que sabia de tudo (coitado!) e que nem sequer perguntou se eu queria ser beijada por ele.
Não houve aquele olhos nos olhos que a gente vê nos filmes, nem fundo musical, nem nada. Só aquela boca cobrindo a minha, o gosto de chiclete e cigarro, o medo de alguém chegar e uma sensação de nojo tão grande que jurei que nunca mais ia deixar ninguém me beijar.
Não ouvi sinos repicando, nem fui tomada por nenhum arrebatamento de paixão. Só tinha consciência daquele corpo estranho penetrando a minha boca e, ainda agradeço aos céus por, naquele tempo, os aparelhos ortodônticos não serem tão acessíveis como hoje, porque, com certeza, eu ainda teria enfrentado os ganchos a me rasgarem os lábios (bem que ele precisava).
É certo que o juramento de nunca mais beijar só durou até acontecer a primeira paixão (ou seja, bem pouco tempo, rs).
É certo também que beijar é como praticar esporte, com o tempo a gente vai se aperfeiçoando... e hoje, lhes garanto, não há nada melhor do que um bom beijo na boca.
Mas, por favor, não esperem demais das primeiras vezes...
E nunca digam que ninguém tentou lhes avisar.
Postado por Katia De Carli às 15:50 10 comentários
terça-feira, 26 de maio de 2009
MUDANÇA DE RITMO
(foto oficial do Governo do Esp. Santo)A vida é coisa engraçada, quando a gente é criança e tem todo o tempo pela frente, faz as coisas sempre correndo, tem pressa; à medida que o tempo passa e vai diminuindo, a gente diminui também o ritmo, e com isso alguns hábitos.
Eu ia escrever sobre outra coisa... mas aconteceu um fato e daí...
Bem, quando eu fiz 50 anos decidi que, como o que me restava de vida era menos do que o que já havia passado, dali em diante eu ia fazer as coisas que me agradassem e não para agradar às pessoas. É claro que eu ainda encaro um ou outro programa se isso vai fazer feliz meu marido, meus filhos ou algum amigo que valha a pena. Mas para ser educada, ser a boazinha, nãnãnãnão!
E aos poucos eu fui mudando... comecei pela cerveja. Eu odeio cerveja, acho a bebida mais sem graça que já foi inventada, você bebe, bebe, bebe, urina, urina, urina... arre! mas como a gente saía em grupo, todo mundo tomava cerveja, para não ser do contra eu acabava tomando também. Hoje eu peço minha água com gás na maior. É claro que na primeira vez foi um auê. Silêncio total. Eu parecia um alienígena. As pessoas perguntando: Mas como? Você sempre tomou cerveja? Como “não gosta”? Explicada minha teoria, ânimos aplacados, hoje minha água já é parte integrante da noitada.
Depois foi a história do aniversário. Meu marido tem um primo (chato pra caramba) que aniversaria no final do ano. Eu encarava a comemoração do seu aniversário como o último sacrifício do ano (mas lembrem-se: eu era “boazinha” rs). Era sempre a mesma coisa: as mesmas pessoas cobrando “Como você está sumida!”, se eu estava magra: “Que aconteceu? Está doente?”, se eu engordava: “Nossa como você engordou?” e eu sorria, educadinha do jeito que mamãe ensinou. Ainda tinha que agüentar (recuso-me a aceitar a reforma que nem os portugueses aceitaram!) a esposa do aniversariante (numa escala de 0 a 10 de chatice, ela consegue ser 11) e sua mesa fantástica de doces e tortas (justiça seja feita) reclamando que havia passado a madrugada inteira fazendo doces! Pois bem, chegou o grande dia, meu marido se arrumou e eu continuei assistindo TV, ou lendo, ou sei lá o quê, e ele me pergunta:
- Você não vai?
- Não. Cansei de ser educada.
- Mas o que eu falo?
- A verdade. Que eu não quis vir.
Ponto final, deste ano em diante não fui mais... e foi o último em que meu marido compareceu!
E foram pequenos gestos aqui e acolá que foram me transformando na pessoa que sou hoje.
Eu que era rock’n roll e cantava “Por isso não provoque / É cor de Rosa Choque”, hoje estou mais para toada e esses dias até me peguei cantando “Ando devagar porque já tive pressa / Levo esse sorriso porque já chorei demais.”
Isso não quer dizer que eu tenha me transformado em uma pessoa completamente zen e educada. Só que minha prioridade passou a ser eu mesma.
Outro dia uma amiga, nem tão amiga assim, começou a falar do seu filho e nora, em tom de desabafo e eu fiz umas perguntas no intuito de, estando de fora da situação, ver como melhor poderia ajudá-la. O assunto morreu, fui embora. No dia seguinte, nos encontramos novamente e ela veio tirar satisfação porque eu estava indagando coisas do filho dela se ela nunca havia perguntado dos meus. Ah! Educação tem limite! Na hora retruquei:
- Minha querida, eu estava com a melhor das boas intenções, buscando um modo de auxiliá-la, mas se você encarou como invasão, por favor, a partir de hoje, guarde seus problemas, dos seus filhos, do seu marido, para você mesma, porque a partir do momento que você fala o quer, corre um sério risco de ouvir o que não quer.
E continuei minha vidinha...
Eu que já fui metrópole, hoje sou cidadezinha com estação ferroviária, vendo o trem passar.
E tenho dito!
Postado por Katia De Carli às 18:02 22 comentários
Marcadores: Cartas, Confissões, Crônicas, Diversos
quarta-feira, 20 de maio de 2009
DIVAGAÇÕES DE UMA MENTE COM MUITAS LEMBRANÇAS

Tudo começou porque eu comecei a pensar em como somos impotentes diante de uma enfermidade que pode nos levar a óbito (chique né?). Daí lembrei-me da história de uma madrinha. O que levou a lembrar que ela não era minha madrinha. Que desencadeou na história das “tias”, voltou à questão da morte e fechou com minha promessa de visitá-los.
Acharam complicado?
Vou tentar destrinchar...
Estava eu aqui no meu canto, ainda recuperando da enfermidade, pensando sobre a alegria de não ter morrido, pois pude ir à festa que teve na minha cidade natal e que reúne os “ausentes” e reencontrei amigos de longa data e que não via há décadas. Daí pensei, se eu tivesse morrido só ia encontrar alguns deles no meu velório, mas não ia ser a mesma coisa!
Foi então que eu lembrei da Madrinha Tereza e suas inúmeras teorias. Ela é uma octogenária com ambas as pernas amputadas, mas com um senso de humor melhor que a maioria das pessoas que conheço. Só quem foi criado em cidade do interior vai entender, mas é assim, a pessoa batiza um filho da família, a partir daí todo mundo chama de madrinha, a ponto de, nas grandes famílias, ser difícil saber quem batizou quem. Pois é, ela não é minha madrinha, mas é a Madrinha Tereza. Bem, a teoria dela para a morte é que a dita cuja deveria ser em forma de gancho, daí quando estivesse se aproximando a gente teria tempo de correr e se esconder num lugar onde o gancho não alcançasse...

Enquanto eu pensava nessa história de madrinha, lembrei que pela manhã fui estacionar o carro (viva!!!! Já estou dirigindo pequenas distâncias, pelo menos até a fisioterapeuta) e vem um tremendo galalau (Aurélio explica: um baita homem com hábitos adolescentes) e diz:
- Pode vigiar tia?
Tive vontade de voar no pescoço dele, mas controlei a raiva, olhei-o bem e devolvi:
- Por acaso sou irmã da sua mãe?
- Não senhora.
- Sou irmã do seu pai?
- Não senhora.
- Então, tia é o raio que o parta!
Essa geração tia é uma m... juro que prefiro que me chamem de Dona (apesar de não ser nada bonito).
Mas voltando à questão da morte... apesar de todas as minhas crenças: reencarnação, que estamos aqui de passagem, que nossa verdadeira morada não é aqui, etc. na hora H o medo aparece de verdade. E nem adianta aquele discurso bonito que sei fazer de cor. E se tudo que aprontei pesa muito mais do que fiz de bom? Ai Meu São Francisco! Vou arder no umbral! Isso porque ainda tenho certeza que não vou partir antes de 2017, e não perguntem como sei, é minha parte bruxa que sopra umas coisas no meu ouvido de vez em quando...
Cada pancada que a vida me dá eu me proponho a melhorar, a me empenhar mais em ser uma pessoa mais caridosa, mais amorosa, mais paciente, etc. mas tão logo o pior passa, passam também os bons propósitos. Espero que agora eu tome jeito!
Seguindo o rumo do pensamento eu pensei na quantidade de pessoas que convivo aqui e que não sabem o quanto as amo, o quanto suas palavras e visitas são importantes para mim e que não sabem nada disso. Daí lembrei de uma historinha, porque perco a vida, mas não o bom humor:
Um homem devia a todos na cidade. A cada dia acumulava mais dívidas. Chegou a um ponto que ninguém mais lhe emprestava nada. Todo final de mês ele escrevia em pequenos papéis os nomes de todos os seus credores e colocava dentro do chapéu. Daí ele sorteava aqueles que iriam receber alguma grana naquele mês. Um dia um credor insatisfeito foi procurá-lo para reclamar. O homem não pensou duas vezes e foi logo dizendo:
- Se continuar reclamando eu tiro o nome do chapéu!
Pois é, eu não vou colocar os nomes de vocês em papeizinhos, mas prometo começar a visitá-los semana que vem (chagará um novo computador!).
Até lá um beijo no coração e muita luz!
Postado por Katia De Carli às 19:47 11 comentários
Marcadores: Confissões, Crônicas, Diversos
sábado, 9 de maio de 2009
ÀS MÃES
Eu me recordo como se tivesse acontecido ontem.
Meu filho, apenas uma cabecinha loura aparecendo por entre as crianças maiores, num palco, a cantar uma música dedicada a mim, sua mãe.
Ao término da canção, a corrida em minha direção, a rosa linda, vermelha, não importava se estava murcha ou se a haste estava quebrada, era a minha rosa e era maravilhosa, justamente pela peculiaridade de ter sido ofertada pelo meu filho, a primeira. As lágrimas teimavam em rolar nas minhas faces, e ele, a sorrir, não compreendia o significado daquelas lágrimas.
E este foi um dos momentos mais lindos de toda a minha vida.
E é por recordar com tanto carinho dessas lembranças que hoje dedico estas palavras a você, que é mãe.
Vários poetas tentaram descrever o que é ser Mãe, mas nenhum deles, jamais conseguiu, com exatidão, descrever o que sente uma mulher ao ser Mãe, porque não existem palavras, em idioma algum, que consigam expressar essa emoção.
Não importa o seu credo ou a sua raça, se você é pobre ou rica, casada ou solteira. Não importa em que condições seu filho veio ao mundo. O que importa é que ele existe, e é seu. E você o ama tanto que seria capaz de dar a sua própria vida em favor do filho amado.
Mas o que é realmente ser Mãe?
Não é, como já disse um poeta, “padecer no paraíso”. Ser mãe é padecer sempre.
São as intermináveis noites passadas em claro a lhe controlar a temperatura, quando doente.
É ver o dia clarear velando-lhe o sono e ter que trabalhar, com as olheiras a denunciar o cansaço, a preocupação estampada no rosto, impotente, trabalhar com o pensamento voltado para o filho que ficou, mas você tem que produzir, a vida não pode parar e você segue adiante.
É acordar a cada tossida, a cada espirro, a cada choro (mesmo sem um motivo aparente).
São lágrimas a se confundir com as lágrimas do filho toda vez que você tem que repreendê-lo ou patilhar da sua dor.
É sentar no chão para brincar, ou para ensinar-lhe o dever, depois de um dia cansativo de serviço.
É sentir como se lhe cortassem, mais uma vez, o cordão umbilical quando você o deixa pela primeira vez na porta do colégio.
É viver de renúncias.
Mas tem também o outro lado, o paraíso.
Quando ele dá o primeiro passo, quando fala pela primeira vez “mamãe”, quando escreve a primeira palavra, quando procura o seu colo depois de uma queda.
As coisas mais simples que ele faz são como uma compensação pelo seu sacrifício.
Sacrifício sublime, o de ser “Mãe”.
Gostaria de ter o dom de escrever coisas bonitas para homenagear você, minha amiga, Mãe, neste dia que lhe é dedicado, mas ando meio sem inspiração.
Gostaria de abraçar cada uma de vocês e compartilhar da emoção comum a todas as mães, mas, não sendo possível, considerem as minhas palavras como a mais sincera homenagem a você, que sofre, chora, ama e que é responsável pela mais bela missão destinada por Deus, que é a de ser Mãe.
Parabéns!
Postado por Katia De Carli às 10:07 12 comentários



