segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PORQUE AINDA ESCOLHO DANÇAR! (UM DIA, QUEM SABE?!)





(Música I Hope You Dance - Ronan Keating)
Eu espero que você nunca perca seu senso de arrependimento,
Que você coma o suficiente mas sempre mantenha essa fome,
Que você nunca apenas respire,
Deus proíba qualquer amor que deixe você vazio,
Eu espero que você ainda se sinta pequeno quando você parar do lado do oceano,
Quando uma porta fechar eu espero que mais uma se abra,
Me prometa que você dará ao destino uma chance de lutar
E quando você tiver que escolher entre sentar ou dançar

Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.

Eu espero que você nunca tema aquelas montanhas ao longe,
Nunca amenize para a estrada ao mínimo de resistência
Viver significa arriscar-se, mas vale a pena se arriscar por ela,
Amar pode ser um erro, mas vale fazê-lo,
Não deixe nenhum coração infernal maluco deixar você amargo,
Quando você estiver perto de trair, pense melhor,
Dê aos céus lá em cima mais do que apenas uma rápida olhada,
E quando você tiver que escolher entre sentar ou dançar.

Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.
Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.

(O tempo é uma roda em movimento constante sempre nos levando junto,
Me conte quem quer olhar para trás nos seus anos e imaginar para onde esses anos se foram.)

Eu espero que você ainda se sinta pequeno quando você parar do lado do oceano,
Quando uma porta fechar eu espero que mais uma se abra,
Me prometa que você dará ao destino uma chance de lutar
E quando você tiver que escolher entre sentar ou dançar

Eu espero que você dance.
Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.
Eu espero que você dance.... eu espero que você dance.

(O tempo é uma roda em movimento constante sempre nos levando junto,
Me conte quem quer olhar para trás nos seus anos e imaginar Para onde esses anos se foram.)

Espero Que Você Dance

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MIM



Cobram-me notícias.
Sei que são amigos queridos, muito bem intencionados. Mas confesso, chega um momento em que a gente cansa de falar das próprias agruras (tá bom, essa palavra é do tempo da minha vó! rs mas eu gosto) da própria vida e os amigos, por maior que seja o carinho que devotam a essa aprendiz de escritora, também ficam cheios de ouvir lamúrias.
Mas, conforme disse minha querida Vanuza: “Precisamos de notícias suas, Kátia. Você está hospitalizada? Espero que não. Alguém aí pode responder???” aqui estou para acalmar os corações amigos.
O mais importante: ESTOU VIVA!!!!! VIVA!!!!!
Mas estive hospitalizada sim, outra vez. E mais uma vez saí, o que é melhor!
Agora estou praticando um novo esporte: andar de cadeira de rodas em aeroporto! Gente é um barato! No começo quando a moça da Gol me via chegando, capengando, perguntava se eu necessitava de cadeiras de rodas, daí eu ficava envergonhada (não sei por que) e dizia: - Não, precisa não, eu dou um jeito.
Aí um dia eu cheguei para embarcar (ah! Esqueci de dizer que estou fazendo um tratamento no Rio de Janeiro...). Quer dizer, eu acho que já falei, não lembro. Uma das coisas que está acontecendo é um danado dum esquecimento, eu falo as coisas e os meninos começam a rir, agora já virou piada e dizem: Mãe, você já falou isso umas três vezes. Acho que é por conta do punhado de remédios que tomo todos os dias.
Mas voltando ao assunto, cheguei ao balcão e a moça da Gol (será que ganho um cachezinho pelo merchandising?) perguntou se eu necessitava da tal cadeira. A dor era tanta que dar um passo era quase colocar as tripas para fora. Daí disse que aceitava.
Gente, vocês não imaginam o barato! Vem-me um rapaz bem bonitinho, coloca a cadeira ao meu lado prontinha para eu sentar e quando eu penso que ele vai embora e que meu acompanhante é quem vai conduzir a cadeira, me vejo desfilando pelo saguão empurrada pelo dito cujo. As pessoas reagem das mais diversas formas: uns olham com piedade, outros com curiosidade, outros olham pro rapaz, alguns para as minhas pernas... e lá vou eu aeroporto afora. Ah! Todo mundo sai da frente, não sei se por cortesia ou por medo de atropelamento.
Cada vez é um rapaz diferente, já estou ficando até amiga dos meus condutores. Eles nem correm como os do hospital. Parece que estão conduzindo uma princesa, tamanha a dedicação e atenção.
Então é isso, ainda tentando descobrir o monstrinho que me ataca (ai dele quando o pegar de jeito!) e enquanto isso voando daqui prá lá e vice-versa.
Quem sabe um dia ainda fazem um filme “Conduzindo Miss Kátia”?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PASSO E COMPASSO

Dia desses estava pensando nos rumos (ou a falta deles) que a minha vida tomou neste ano. Foram tantas surpresas: doenças-surpresas, diagnósticos-surpresas, falta de diagnósticos ainda mais surpreendentes e por aí vai...
A única coisa que não foi surpreendente foi a qualidade e quantidade de amigos sinceros que tenho espalhados pelo mundo, perto e distantes, conhecidos e ainda por conhecer, mas amigos da melhor estirpe!
Agora, que estou, mais uma vez, prestes a encontrar um novo e desconhecido (para mim) diagnóstico, que provavelmente me levará outra vez para o hospital, lembrei-me de um poema que escrevi há muito tempo, décadas...
Acho que chegou a hora de aceitar esse novo passo, redescobrir um compasso, tentar ser feliz.

(Imagem ilustrativa retirada da internet - infelizmente não tenho fotos da "nossa" banda)

Acelere o passo,
Diminua o compasso.
Vestidos de laranja, azul-turquesa e dourado
Galões refletindo sob o sol
Éramos mais que uma banda marcial.
Éramos jovens, unidos, destemidos,
Tendo sonhos por ideal.
Acerte o passo,
Atenção ao compasso.
Juntos enfrentávamos qualquer desafio.
Obstáculos? Vencíamos todos.
Nada nos detinha.
Éramos felizes porque éramos jovens
Ou éramos jovens porque éramos felizes?
Diminuía o passo,
Acelere o compasso.
O tempo passou...
Seguimos por caminhos diferentes
E hoje, faria qualquer sacrifício
Para de novo me vestir
De laranja, turquesa e galões,
E, assim, superar os obstáculos,
Vencer os desafios,
Digladiar contra os meus dragões.
Mas, quando face a face, me olho no espelho,
Só vejo vazio, cansaço, solidão.
Nem sombra da jovem destemida que fui.
Aonde foram parar meus sonhos?
Estarão adormecidos
Ou morreram com a minha juventude?
Abaixo os olhos, envergonhada de mim mesma
Por ter-me dado por vencida,
Pelos sonhos que não persegui.
Quando estou prestes a virar-me e,
Mais uma vez desistir,
Ouço uma voz ao longe:
Redescubra seu passo,
Invente um novo compasso,
Ainda é tempo de ser feliz!

(Autora: Kátia Corrêa De Carli)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

MIGUEL MARVILLA - OS MORTOS SAÍRAM DO LIVING PARA RECEBÊ-LO

Conhecemo-nos há muitos, muitos anos. Na verdade, décadas.
Não éramos muito próximos, mas trabalhávamos na mesma Gerência de Recursos Humanos da Caixa Econômica Federal. Todos os dias a gente se via pelos corredores, se falava, mas nunca dizíamos de nossas vidas e sonhos.
Até que um dia, lembro-me como se fosse hoje, ele colocou a cabeça pela fresta da porta e me disse que queria “ressuscitar” o antigo jornal patronal “O ELO”. Resolvi embarcar no seu sonho. Conversei com o gerente, já que era sua secretária, e o convenci a não só embarcar naquela história, como também patrociná-la.
Daí em diante nos aproximamos mais.
Não sei de onde ele tirou a ideia de que eu escrevia, mas já no segundo número estava eu a escrever crônicas para o jornal... e assim foi até a morte d’O ELO, anos depois.
Foi por essa época que ele conseguiu, a muito custo, lançar seu primeiro livro: “Os Mortos estão no Living”, esta primeira edição, que guardo com o maior carinho, não tinha muita elaboração gráfica, era vendida porta a porta pelo escritor, com a ajuda de familiares e amigos
Falo de Miguel Marvilla, economiário aposentado (como eu), mas que a grande maioria conhecia pelo seu talento como escritor, poeta, mestre em História Antiga, editor e mais uma porção de coisas ligadas às letras, ao prazer de escrever, de ajudar novos escritores.
Talvez se Miguel não tivesse me dado o primeiro empurrão eu não teria me tornado poeta, nem escritora. Talvez esse blog nem existisse.
Na última vez que nos vimos, no lançamento do livro “Todo Sentimento”, da Ana Laura Nahas, perguntei-lhe sobre seus planos e eram tantos...
Mas o Grande Arquiteto do Universo não quis que ele os realizasse aqui...
E Miguel, na madrugada do dia 10, partiu para escrever em outra dimensão.
Com certeza vai se juntar ao Miguel Deps Tallon, Carlinhos de Oliveira, Carmélia, Fernando Tatagiba e tantos outros capixabas amantes da boa escrita em verso e prosa.
Miguel agora é História e saudade

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

TENTATIVA

Dom Quixote feito de sucata - SP - Jun/2009

Os últimos tempos têm sido doídos, sofridos, difíceis. Mas ninguém mais merece ficar ouvindo essa ladainha... daí meu afastamento, voluntário, mas saudoso.
Sinto saudade de todos vocês, nem imaginam quanto!
Mas tive que enfrentar notícias nada alvissareiras (que palavra mais antiga, argh!).
A gente pressente, mas quando o pressentimento é verbalizado, fica difícil encarar.
Passei muito tempo acreditando que a manhã seguinte seria sem dor, que toda causa de doença mais cedo ou mais tarde é descoberta, que um dia eu teria minha vida de volta.
Só que, da noite pro dia, melhor dizendo, do dia pra noite, tudo virou uma grande ilusão.
Nem a dor se vai, nem o que eu chamava de vida voltará.
Então, chorei até as lágrimas que achava que não mais tinha (como diz minha irmã: Você tem todo o direito de chorar o quanto quiser, só tome bastante água para não desidratar. Um dia vai passar.)
Enquanto não passa, sigo chorando às vezes, revendo trajetórias, sonhos, percursos.
Tentando andar neste novo ritmo.
Tentando aprender que esse novo ritmo é meu.
Tentando conhecer essa pessoa que me devolve o olhar assustado no espelho do banheiro.
Tentando...

domingo, 20 de setembro de 2009

UM MONSTRO À SOLTA

(Fonte barcelonadream.blogs.sapo.pt)

Com essa minha imobilização temporária (creio eu), tenho ficado muito em casa, o que para mim é um tormento, pois, como dizia a minha mãe, eu sou muito “rueira”.
Mas essa semana eu tive alguns compromissos e meus filhos e marido serviram de motorista, o que me permitiu passear e observar as ruas, as praças, os lugares por onde passava.
Levei foi um grande susto!
Logo na pracinha de Jucutuquara* quando olho para o lado da antiga fábrica de tecidos, cadê a casa dos “donos” da Braspérola? Sumiu! Só sobrou o muro... Mas como a Prefeitura destruiu a antiga fábrica dizendo que ia fazer um espaço de artes e eu só enxergo a fachada e um grande vazio atrás, pensei com meus botões, vai ver a prefeitura também comprou a casa e vai fazer alguma coisa boa para a comunidade, mas precisava derrubar aquele casarão antigo tão lindo?
Seguimos em direção ao centro da cidade e logo depois da curva do Forte São João, outro susto, onde já haviam derrubado o velho Restaurante Universitário, agora sumiu também a casa da frente, uma que tinha lindas janelas verdes.
Na volta, passamos por Bento Ferreira e as casas lá também estão sumindo do dia para a noite. Você passa a casa está lá, dois ou três dias depois, ela some inteirinha. O mesmo está acontecendo na Praia do Canto. Isso porque meu passeio se restringiu a esses bairros, imagino o que não estará acontecendo por toda a cidade!
Logo nós, capixabas, que temos como característica a utilização de casas, prédios, pontos comerciais como pontos de referência, o que iremos fazer se estão destruindo tudo?
Olho aquelas paredes que sobram e vejo azulejos brancos, algumas partes com azulejos coloridos, intermediados de paredes de cores diversas e fico pensando o quanto de história está sendo jogada no lixo. Quantos segredos aquelas paredes ouviram. Juras de amor. Brigas pra nunca mais que duravam poucas horas. Primeiros choros de bebês que nasceram rodeados dos que mais os amavam. Casos de vida e de morte.
Parte da minha história, na cidade do interior, já foi devorada e lhes digo, a sensação não é nada boa. Onde antes havia uma cozinha com cheiros que se acessavam a um olhar, hoje só sobrou chão.
Minha conclusão é que tem um monstro à solta comendo nossa história.
Acho que ele se alimenta das lembranças que ficam abrigadas nas antigas casas, por isso, à noite, ele sai e as devora.

*Jucutuquara - 0 nome Jucutuquara, JUCU-ITA-QUERA, é de origem indígena e significa "pássaro do buraco de pedra" ou YTICUTUQUARA, que significa "conchas suspensas", condizentes com a forma dos buracos da "Pedra dos Olhos" localizada na área e batizada pela própria natureza. As mutações lingüísticas fizeram valer a linguagem popular: Jucutuquara. Nome da antiga fazenda que havia no lugar, pertencente à família Monjardim, século XIX.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

NENHUM JURAMENTO É ETERNO


Quando pensei em escrever esta crônica a primeira coisa que me veio à cabeça foi um “pedacinho” de uma música da Dolores Duran, onde ela cantava:
“...Tem gente que jura que não volta mais
Mas jura sabendo que não é capaz.”
Pois é, quase ao mesmo tempo que aprendemos a falar aprendemos, também, a fazer os mais diversos juramentos.
Na minha infância, quando umas palmadas ainda eram método de aprendizagem e eu aprontava alguma (o que não é nenhuma novidade!), logo que era pega, para escapar das ditas cujas, jurava, no ato, nunca mais repetir aquela arte.
Depois, já na escola de catecismo, aprendi a acrescentar o “juro por Deus” e meus pais acabavam me perdoando mesmo sabendo que eu iria repetir a ação na primeira oportunidade.
Lembro dos banhos de cachoeira, sempre às escondidas, e as palmadas e castigos porque meu pai dizia que eu ia “pegar caramujo” (esquitossomose), o que não deu outra, eu apanhava, jurava não repetir, e depois fazia tudo outra vez achando que os cabelos molhados não iriam me denunciar.
E assim a vida ia passando.
Quando quase fui expulsa do colégio, de tanto aprontar, jurei que me tornaria comportada igual à minha irmã. Mesmo todos sabendo que era a maior mentira da paróquia.
Quando o grande primeiro amor acabou, só do lado dele, porque amor não combina de acabar dos dois lados ao mesmo tempo, jurei nunca mais amar, doía muito. Até que durou um tempinho... rs, mas voltei a amar, ainda bem!
Nas dores do parto jurei não ter mais filhos... juramento que durou um ano e pouquinho, graças a Deus!
Isso só para ficar nos juramentos mais marcantes.
E de juramento em juramento fui levando a vida.
Aqueles que me acompanham mais amiúde, devem lembrar-se o quanto sofri quando o Thunder, cão da Gabi, morreu. (http://katiamultiplasfaces.blogspot.com/2008/09/menina-e-seu-co.html)
Jurei, então, que nunca mais ia querer mais nada na minha vida que respirasse. Isso porque marido e filhos não requerem cuidados especiais para sobreviverem.
Bati o pé e repeti mil vezes que não aceitaria mais nenhum animal. Era trabalho demais, gasto demais, sofrimento demais, sem contar que acabava prendendo a gente em casa.
Pois bem, sexta-feira, hora do almoço, chego da fisioterapia e encontro um filhote de cachorro na minha área de serviço. A cadela que vigia a obra de um empreendimento do qual meu marido é sócio havia dado cria a 9 filhotes e estavam todos morrendo ou desaparecendo, meu marido, com dó do cachorrinho, trouxe-o para casa. Quando bati os olhos naquele olhar de cão abandonado, meu coração se encheu de piedade e não tive coragem de mandá-lo embora.
Mais um juramento quebrado.
Nossa casa e nossos corações agora abrigam um dalit (ele é tão bonitinho que não merece ser chamado de vira-lata) que já está até aprendendo a atender pelo nome que, para seguir a linhagem, Thunder, Flash... e como ele não é bramani, ficou sendo Chuvisco mesmo.