terça-feira, 24 de junho de 2008

DIVAGAÇÕES SOBRE AMOR, AMIZADE E OUTROS SENTIMENTOS

Conheceram-se através da internet, esta era a única certeza que tinha, que só não era absoluta porque aí deixava de ser certeza e passava a ser pleonasmo, o mais estava tão bem guardado em suas gavetas mentais secretas que nem ela sabia mais em qual estava.
Mas também não importava.
Importava que tudo começou porque tinham o mesmo nome e a mesmo inicial no sobrenome, depois vieram as descobertas do gosto pela fotografia, pela natureza, pela magia, por Merlin e pelas Mandalas.
Vieram os fotolog’s, e-mails, Orkut, blog.
Foram se descobrindo.
Amavam os mesmos livros, as mesmas músicas, fotografavam num mesmo ângulo.
Fossem de sexo oposto ou homossexuais diria serem almas-gêmeas. Como não eram, talvez fossem almas-irmãs.
Com o tempo veio a confiança.
Com a confiança, as confidências.
Daí descobriram que tinham muito mais em comum... além das preocupações com os filhos e das receitas de bruxaria (só para o bem, se o caro leitor tem alguma dúvida), além dos problemas familiares e da tristeza que batia de vez em quando, além daquela vontade de ir embora, além das centenas de quilômetros que as separavam... tinham uma sintonia tão fina que nem satélite da NASA. Uma percebia quando a outra estava em dificuldade, sentia a urgência, a carência.
Vieram os telefonemas nas horas mais impróprias e que se mostraram serem as mais necessárias.
Porém, pairando sobre tudo isso existiam duas histórias de Amor. Assim mesmo, com letra maiúscula, porque Amor que resiste a defeitos, a ausências, a separação, outra coisa não é. Talvez fosse até loucura, mas elas alternavam tão bem esses momentos que quando uma duvidava se era Amor, era exatamente o momento em que a outra tinha certeza, daí era um passo fácil para o convencimento.
Essa história de amor não realizado, idealizado, é coisa complicada demais para sentir, quanto mais para explicar. Então seguiam suas vidas, cada uma agarrada a seu Amor não concretizado. E sofriam...
Até que um dia não coincidiu.
No meio às lágrimas (sobre o teclado, pobrezinho) uma pergunta à outra:
- Será que um dia isso passa?
A outra pensou muito antes de responder. No momento até caberia aquela mentira piedosa que se dá aos moribundos:
- Passa sim, essa dor vai passar, você vai ver!
Mas não dava mais para mentir... a dor do amor não realizado não passa nunca, continua a doer mesmo depois de o amor já ter-se ido. Ela sabia. Trazia no peito, qual ferida que não cicatriza, uma dor igualzinha. Foi então que respondeu:
- É amiga. Amor que nem esses nossos é que nem cor de olho – a gente pode até disfarçar com lente, mas é a única coisa que não podemos mudar nunca. O resto, com dinheiro, hoje se muda tudo! Compra-se seio por peso. Cintura por quantidade de costela, conheço gente até que já fez umbigo novo... sem falar de outras reparações. Mas cor de olho e Amor recolhido... êta! É para o resto da vida. Mas se serve de consolo: A gente se acostuma.
Mal acabou de escrever e percebeu que seu teclado também tinha uns molhadinhos...

5 comentários:

Anônimo disse...

Só faço chorar aqui...
Bjo

KC

paula barros disse...

Muito bonito o texto, a história, o sentimento. Amor recolhido, mal resolvido, nunca esquecido. Adorei.
abraços

Gabi disse...

essas K... tudo d�bil, n� rss
beijos pra vcs!

Layla Lauar disse...

Ai Kátia... que prosa mais linda...suas letras sorriem quando é pra sorrir e choram quando for para chorar. Gostei por demais.

e...penso que quando o amor é Amor, mesmo o realizado, nunca é esquecido - só mesmo disfarçado.

beijos procê.

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Aviso: mesma mensagem para todos devido ao meu estado precário. Ainda estou no hospital com o Lap Top, mas um amigo da blogosfera fez um retrato meu com o qual fiz um post. Apareçam por lá para exprimir a sua solidariedade:
wwwrenatacordeiro.blogspot.com/
não há ponto depois de www
Beijos,
Renata
PS: E visitem o artista pondo um comments no meu retrato