segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ler e Reler

Faz bastante tempo que não escrevo sobre livros... Não que os tenha abandonado, isso seria morrer em vida (que dramático! mas é verdade... não saberia viver sem meus livros), mas tem tido tanto assunto que os pobrezinhos acabam ficado para depois.
Porém, aconteceu um fato e esse merece ser relatado.
Nos idos da década de 70 eu li um livro "Amor é só uma palavra", do J. M. Simmel. Deste livro guardei as melhores lembranças. Exemplo de amor incondicional, impossível, de entrega absoluta. Ficou esses anos todos na estante e na minha lembrança.
Há tempos, também, que li um livro de poemas do Affonso Romano de Sant'Anna e dele me esqueci... são tantos livros, tantos poemas...
Daí num dia chuvoso, como hoje, busquei na estante o tal "Amor etc...", queria tanto sentir novamente aquela dor no peito, reviver aquele amor impossível... Impossível! O livro mudou! Ou mudei eu! Ainda estou em torpor. O livro é horrível... não merece nem mais uma linha.
Entretanto, um dia, em viagem, a caminho do hotel, numa estação de metrô, comprei um pocket daqueles que se compra em "geladeira de livro", do Affonso Romano de Sant'Anna. "Tempo de Delicadeza" - comprei pelo título, já que se é tão difícil hoje em dia encontrar delicadeza... pensei que fossem poemas (uma vez que só pode ver a capa e brasileiro gosta mesmo é de tocar, manusear), eram crônicas. Da melhor qualidade!
Romano passeia do Amor ao Capitalismo. Dos caminhos que não tomou à Filosofia. Da Paixão à Pedagogia. Com uma leveza e encanto que prenderam-me até a última letra.
Livrinho pequeno, de geladeira... vale mil vezes mais que aquele outro que de tão grande serve até para segurar porta!
Lição: Existe livro que é para se ler uma vez só e guardar na memória a lembrança de um tempo. Reler é despedaçar o encanto.

7 comentários:

lu Barcelos disse...

Assim como alguns amores que se relidos só servem pra segurar porta, junto com o livrão.
=]

Germano V. Xavier disse...

Que bonito, Carli.

Eu também não faço questão de reler "Meu pé de laranja lima"... Sei que vou quebrar todo o encanto se ler de novo.

Prefiro o tempo que ele me foi.

Abraços bons...

Germano
Aparece...

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Vc está em muito boa companhia com esses livros. Vá ao meu blog, há novidades.
wwwrenatacordeiro.blogspot.com/
não há ponto depois de www
Um beijo,
Renata

Cláudia Pinho disse...

antes de mais, muito obrigado pelo comentário no meu blog.
gosto muito de ler e não consigo estar sem ler ou escrever durante muito tempo, por isso considero que a literatura é uma paixão para mim. E como em todas as paixões, existem tristezas, zangas e reconciliações. Só existindo isto se pode falar em paixão. Por isso concordo e gostei muito da frase inicial.
beijo

Jacinta Dantas disse...

Ei Kátia,
confesso que seu texto me serviu como incentivo para escrever um pequenino texto sobre a gostosa sensação que tenho ao fazer uma releitura de Agua Viva. É um ler, agora, com outros olhos, com outro encantamento.
Beijos

Filósofo disse...

"...como a onda que rasga todo o mar, me rasguei de tudo o que vivi; e no mais íntimo momento de mim, encontrei todo o amor, dele vem o saber..."

Paulo Vilmar disse...

Kátia!
Reli Marck Twain, um dos que me iniciaram no gosto pela leitura... que também havia lido nos anos 70 e gostei, confesso não lembrava mais nada...
Beijos!