segunda-feira, 25 de agosto de 2008

REMINISCÊNCIAS DO CAMINHO

Parzinho de Jarras em Roncesvalles - Ainda a caminho de Saint-Jean
Santa Ignorância!

Agora que acabaram-se as Olimpíadas, minha secretária voltou, a gripe foi embora (só deixou para trás aquela lambança habitual), voltemos à nossa história, ou melhor, retomemos o Caminho.
Mas antes disso, ontem eu fui à casa da Cristina. E conversa vai, conversa vem, a gente se lembrou de uma porção de coisas e pessoas que eu estou deixando fora da história (bem que ela tentou comentar no blog, mas não conseguiu... mas agora eu já orientei direitinho!), então, no capítulo de hoje vou resgatar isso. Mesmo porque ela me emprestou suas anotações, que servirão de grande ajuda para eu não me esquecer mais das pessoas nos lugares certos (rs).
1) As primeiras pessoas realmente legais nós encontramos ainda no Hotel Deville, em São Paulo, para onde fomos despachadas quando o vôo foi cancelado. É claro que chamávamos atenção, roupas idênticas, mochilas idem, sem mais bagagem, uma expectativa que transbordava por todos nossos poros... daí travamos conversa com dois casais, Sérgio Lopes e Lilia, de Porto Alegre, que acabamos descobrindo serem amigos do Sérgio Reis (não o cantor, mas o jornalista), autor de um livro lindo “O Caminho de Santiago”, que eu havia lido e tirado lições importantes, que disse que falaria de nós para ele e com quem mantive contato por anos depois, até perdê-los... o que foi uma pena... O outro casal, madrilenho, não me recordo o nome, mas disse que um dos filhos havia feito a peregrinação como forma de suportar e compreender a morte do irmão e que estaria orando por nós. O hotel, de primeira, quebrou um pouco o nosso medo antecipado e quando nos deparamos com aquelas camas imensas, lençóis impecáveis, fizemos que nem adolescentes, nos pusemos a pular sobre os colchões...
2) Havia esquecido como eu sou realmente cara de pau. Como nós chegamos cedo ao aeroporto (até compramos o bendito tucano da Mme Debrill), acabamos entrando muito cedo para a sala de embarque. Só que o vôo atrasou outra vez, aquele avião não caiu porque não era nossa hora mesmo! É claro que ficamos com fome. Fomos pedir para sair. O povo da Polícia Federal com aquelas caras sérias nem olharam para a gente, só responderam que não. Daí eu olhei bem para um deles, jovem, o rapaz, e saí com essa: “Se fosse a sua mãezinha, presa aqui dentro, com fome, você não ia deixá-la sair?” Ele não resistiu e com um sorriso deixou que saíssemos.
3) Rodoviária de Madri – Depois de comprar passagem para Pamplona. Cristina poliglota tenta falar pro cara da lanchonete que queria um misto-quente. Daí ela falava: um “bocadilho com queso, jamón, caliente” e tentava mostrar as camadas fazendo gesto. Daí o cara vira para trás e grita: “Sai um misto!”. Por pouco eu nem mais preciso de banheiro, de tanto que eu ri.

Mauricio tentando fazer-me equilibrar a mochila!

4) Todos os albergues têm um livro de registros-recados onde as pessoas escrevem suas mensagens e é muito legal você ler as palavras de incentivo quando você está para morrer de cansaço e descobrir que outros sentiram a mesma coisa e seguiram em frente. E também é uma forma dos que estão à frente se comunicar com aqueles que ficaram para trás. No livro de Trinidad lemos o registro do peregrino mais velho que passou por lá – 78 anos e do mais novo, 4 anos.
5) Puente La Reina foi o primeiro albergue que tinha “Treliche” – eu já morria só de pensar em dormir na parte de cima do beliche, imagina se ia dormir acima de duas pessoas. Juro que dormiria no chão. Ainda bem que chegamos cedo e ainda tinha vaga em baixo. À noite fomos jantar no Bar do Joaquim, mas chegamos antes de abrir o “comedor” daí ficamos tomando vinho (sim, eu bebi, confesso!) e comendo uns petiscos. Conhecemos a Helenice, de São Paulo, que depois viria ao Espírito Santo fazer conosco os Passos de Anchieta e, anos depois, já viúva, se casou com um companheiro que conhecemos no Caminho e hoje vive na Europa!, O Jairo se juntou a nós e a Fátima (cozinheira) – com esses nomes é claro que eram portugueses – fez para nós F E I J Ã O!!!! Foi uma festa. No final o Joaquim nem nos cobrou o vinho, disse que era presente pela nossa alegria.
6) Descartes do Caminho não contabilizados:
Roncesvalles
– A blusa que usei na viagem (que a Cris insistia que eu tinha que deixar limpa... nem viva!!!! Porque eu estava morta!)
- A bolsa de mão que usei na viagem,
- 1 calcinha (lavada!)
Trinidad de Arre:
- Pregadores de roupa
- Par de meias
Próximo capítulo, não percam, os Romanos atravessam meu caminho!

18 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Oi, querida:
Folgo em saber que a gripe já era. E vc continua a narrar as suas peripécias. Se eu fizesse metade do que vc já fez, estaria morta há muito tempo. Os teus posts são legais porque são encadeados. Estava morrendo de saudades de vc, vim até aqui para ver como estava e me depara com vc na mior disposição.
Agora, vc pode visitar os amigos, inclusive eu, que fiz um post que acho que vc vai gostar. Tomei gosto em publicar trabalhos dos amigos da Blogosfera. Mas isso só se deu porque a minha recuperação está indo muito bem. Estou pesando 44 quilos e voltei a trabalhar. Fui promovida e agora trabalho para o Governo Federal em regime de sigilo absoluto, o que requer muito cuidado e saúde boa.
Estou à sua espera no meu Blog, porque a sua presença é indispensável.
Um beijão e fico feliz porque vc sarou,
Renata

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

Kátia, querida!
Obrigada, de verdade, por essa delícia de visita...Olha, só me vem à mente o título de um dos livros do nosso Neruda:"CONFESSO QUE VIVI", você tem o Direito de repetí-lo...O Caminho de Santiago é, com certeza, uma experiência única e o estou "vivenciando" através dos seus providenciais relatos. Só tenho a lhe agradecer!
Gripe? Velhice?
Ontem, assisti ao último filme de Sir Laurence Olivier, um banho de ensinamentos, um POEMA Á VIDA!
A gripe a gente cura com limão e mel, rssssss...Um pouquinho de alegria também, faz bem ao sistema imunológico!Linda tarde...

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

Ops:acento em "repeti-lo"? Coisa horrívelllll, rsssss...Bjsssss

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

Caramba! Não é acento agudo no "À VIDA"..."A pressa, essa inimiga da perfeição!"

Lu Barcelos disse...

Já estou curiosa!
E muito feliz que a gripe foi embora!


bjobjo

Mariana disse...

Melhoras querida e volte logo!!
e quanto as sugestoes dos horarios, estou analisando...
bjooo

Cláudia Pinho disse...

ola. ja estava com saudades deste cantinho aqui. tenho estado de férias e não ando tão cibernauta como de costume.
continua a relatar as suas viagens, é muito bom de ler.
beijo

Dry Neres disse...

“Se fosse a sua mãezinha, presa aqui dentro, com fome, você não ia deixá-la sair?”

kkkkkkkkkkkkkkk...
Isso foi muito bom Kátia.. você realmente é encantadora.. nossa esse post foi o segundo mais engraçado depois do dia da Madame lá...rsrs
Muuuuuito bom..
bjo, bjo, bjo linda.

ana laura - www.gazetaonline.com.br/blograscunho disse...

menina, você tá aí?!
que legal!
beijo, aproveita

INCANTATUS disse...

Hj tô sem palavras....será pq, hem?...

...hj é segunda-feira, vc melhorou, graças a Deus. A secretária voltou, enfim, tudo na mais santa ordem, ou seja, vai postar mais esta semana??? rsssssssss
É tão bom ler o que vc escreve!!!!

bj.

K.

Layla Lauar disse...

Amiga..fiquei para trás nesse caminho... correndo para tentar te alcaçar... mas hoje só vim para lhe deixar um beijo, prometo que volto e refaço todos os seus passos... já que estava adorando acompanhar sua jornada.

que seja feliz a sua semana

meu carinho e meu muito obrigada.

Gabi disse...

Ei peregrina! Conta mais! =)
Beijos!

ps. Você sabia?

O Profeta disse...

Uma rosa breve
Uma hortênsia de alva cor
A terra molhada pelo sereno
Nos celeste paira um Açor

A madeira verde, a dança do fogo
O embalo do loureiro no vento, o alecrim
Um ribeiro de inquietas águas
Levam o perfume das mágoas em viagem sem fim


Convido-te a sentir a minha paleta de aromas


Mágico beijo

Anônimo disse...

Oi pessoal! Eu sou Cris.É, essa mesma que a Kátia fala aí. Ela teve que vir aqui em casa pra me ensinar lidar com essa joça de computador...eu sou é zen.
E eu queria tanto dizer que, se pra vcs está sendo bom, imaginem pra mim que vivi essa grande aventura junto com meus queridos amigos.É lindo ficar na frente do monitor chorando que nem babaca.Bjs

mundo azul disse...

Minha amiga, que delicia ler as suas aventuras! Parece que estou junto...

Voltarei para ler mais!!!


Beijos de luz e o meu carinho especial...

Deusa Odoyá disse...

Oi querida.
que bom que sua gripe está indo embora.

estou adorando viajar contigo.
cada aventura sua me faz estremecer.
vc. amiga é dura mesmo na queda.
Uma ótima semana com muita paz e amor em seu coração.
O siba é um gentleman.

Mas depois conversamos e fofocamos, minha viagem à Salvador.

BeijocasRegina Coeli

Tell Aragão disse...

que bom que estás melhor...
tôm com a leitura aqui atrasada... ui!
adorei a sua cara de pau... bem parecida comigo... colocar a mãe no meio da história é batata... pode dar tudo certo ou tudo errado, mas sempre há uma reação rsrs
bjs

Sergio disse...

;;´´SAI UM MISTO´´...rsrsrsrsrsrrsrrsr